
Sobre perdas



Eu gosto muito das respostas do @drfilipeduarte, principalmente as que tocam em perdas. Sabe por que? Porque é um assunto muito velado e poucos tem coragem de falar a respeito. Milhares de mulheres sofrem perdas gestacionais e muitas nem são vistas como mães. Estamos às portas do Dia das Mães. Se você já passou por alguma perda, não importa se tinha 1 mês ou 10 anos, ele é filho e você é mãe. Que você não deixe de reconhecer sua maternidade. A mulher traz a maternidade em si, antes mesmo de um filho ser gerado. O filho é um dos meios dessa maternidade ser potencializada. Se você está em luto por uma perda, viva bem o seu luto, cuide do seu corpo e da sua cabeça. Aos poucos, você vai melhorar. E a dor vai virar uma saudade de quem ama. Paz e bem
“Mas pelo menos, foi no comecinho.
Mas pelo menos, não sofreu.
Mas pelo menos, não deu tempo de amar.
Mas pelo menos, não viveu pra sofrer.
Mas pelo menos, não viveu com problema.
Mas pelo menos, não foi mais pra frente,
Mas pelo menos, você é nova.
Mas pelo menos, você está bem, já eu não suportaria.
Mas pelo menos, você tem outros filhos.
Mas pelo menos, você pode ter outro um dia.
Não há nenhum “mas pelo menos” que faça sentido quando se perde um filho. Isso dói. E como dói. Seja um aborto inicial ou tardio, seja na barriga ou já nos braços, a perda poderá assumir várias vertentes: planos frustados; uma vida que não será vivida; os primeiros passos que não serão dados; as roupinhas que não serão usadas; um ventre vazio, um berço vazio, dois braços vazios; um amor que vai ficar no peito sufocado, sem ter para onde ir; uma dor que vai doer no peito, doer na alma, e, pode até dilacerar .
Se você não sabe o que dizer a uma mãe que perdeu seu filho, ofereça um abraço em silêncio ou um “eu sinto muito, estou com você“; mas, nunca, jamais, em hipótese alguma, minimize e desrespeite o luto dessa mãe, pois isso machuca e faz doer ainda mais. Há certos momentos que gestos dizem mais que mil palavras.
O luto não é para sempre. Porém, não tem prazo de validade. E ressalta-se: isso não é fraqueza! Essas mães de anjos esforçam-se, desde o amanhecer, para sair da cama e encarar mais um dia; elas buscam forças para continuar a vida, para ver pessoas, para trabalhar; elas lutam para encarar as lembranças que vem a mente a todo momento; ah, elas tentam (e como tentam) não desanimar ao ver outro bebê e não ter os delas em seus braços. São mulheres transformadas pela dor, guiadas pelo amor. São mães, que perderam um filho, que sentem a dor e sabem que essa dor vai estar com elas para sempre”, porque um filho sempre será filho.

Autora desconhecida – texto com modificações
Documentário independente realizado em 2015 por Fabricio Gimenes e Rafaella Biasi. O documentário traz histórias reais de pessoas que passaram pela difícil experiência da perda gestacional e neonatal e pontos de vistas profissionais sobre este processo.