Sete conselhos para enfrentar a morte e o luto de forma cristã

Neste post, Padre Paulo Ricardo, em seu blog https://padrepauloricardo.org/blog/sete-conselhos-para-enfrentar-a-morte-e-o-luto-de-forma-crista, apresenta bons conselhos para viver o luto.

“A morte assusta a todos nós. Diante dela, tomamos consciência de nossa fragilidade e, sem fé, podemos facilmente ser acometidos por incertezas, dúvidas e mal estar.

Muitas vezes, para fugir desse tema, dizemos que ainda nos falta muito tempo para esse dia, que não nos devemos preocupar com isso e, quando alguém nos lembra de nosso destino comum e inevitável, sempre tentamos dar um jeito de mudar de assunto.

Na verdade, o que precisamos fazer é entender o verdadeiro sentido da morte. Para isso, seguem alguns conselhos, que nos darão uma visão cristã desse acontecimento e uma ajuda para viver o luto em paz e com sabedoria.

1. Recorrer aos Sacramentos da Igreja

Ao se aproximar o momento de nossa partida deste mundo, devemos nos preparar, procurando livrar a nossa alma do pecado e de outros fardos que impedem a nossa união com Deus. Por isso, é muito importante receber a Unção dos Enfermos e, se possível, os sacramentos da Confissão e da Comunhão. Assim, quando a morte chegar, mais do que uma despedida, será ela um encontro com Cristo, que, como Bom Pastor, acompanha as Suas ovelhas na passagem para a vida eterna.

Se um ente querido ou um vizinho se encontra em perigo de morte – ou por velhice ou por alguma doença –, será de grande ajuda procurar ou avisar um sacerdote próximo para que visite o enfermo e este possa partir na graça de Deus. Não se pode deixar de chamar o padre por receio de que a sua visita passe uma “impressão errada” ou “apresse”, por assim dizer, a morte da pessoa. A assistência espiritual do sacerdote é de grande conforto para todas as almas, seja qual for o seu destino. Na verdade, seria um grande mal que deixássemos de recorrer à Igreja nessas horas, pois estaríamos nos descuidando do bem mais valioso que possuimos: a nossa própria alma.

Por isso, lembremo-nos também de buscar viver sempre em comunhão com o Senhor. Cumpramos os Seus mandamentos e recebamos com frequência os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, fazendo isso por amor a nosso Deus e considerando que a morte pode chegar quando menos esperamos.

2. Compreender que a morte nos liberta e nos faz entrar na vida eterna

“Intérprete autêntico das afirmações da Sagrada Escritura e da Tradição, o Magistério da Igreja ensina que a morte entrou no mundo por causa do pecado do homem. Embora o homem tivesse uma natureza mortal, Deus o destinava a não morrer. A morte foi, portanto, contrária aos desígnios de Deus Criador” [1]. Porém, quando Se fez homem para a nossa salvação, o Verbo de Deus experimentou em Sua própria carne a realidade dolorosa da morte, a fim de mudar em bênção o que era condenação..

A partir da Cruz e Ressurreição de Nosso Senhor, portanto, tudo muda de figura. A morte não é mais a triste descida do ser humano à mansão dos mortos, mas a entrada na vida eterna. Muitos protestantes, ao interpretar as Escrituras individualmente, terminam acreditando que as almas depois da morte ficam inconscientes e caem numa espécie de “sono” inconsciente. Esquecem-se que Jesus prometeu o Céu ao bom ladrão no mesmo dia em que este morreu (cf. Lc 23, 43), e que “está determinado que os homens morram uma só vez e depois vem o julgamento” (Hb 9, 27).

A Igreja, em conformidade com o testemunho das Escrituras e com o ensinamento dos primeiros cristãos [2], lembra que, na verdade, a nossa alma parte para o encontro com Deus imediatamente após a nossa morte corporal. Por isso, nós devemos vivê-la compreendendo que um ciclo terreno termina e se inicia o tempo da glória, ao lado de Deus e de Sua corte celestial. “Eu sou a ressurreição e a vida”, disse Jesus. “Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 11, 25-26).

3. Conservar com amor e alegria a lembrança daqueles que partiram

Ainda que não estejam mais fisicamente conosco, todas as lições e momentos compartilhados com os nossos entes queridos vivem em nossos corações. Honremos sempre sua memória como um inestimável tesouro que nos acompanhará em nossa vida.

Mesmo que nos doa que alguém amado tenha partido e sintamos um vazio por sua perda, deve-se evitar cair em tristezas prolongadas. Primeiro, porque somos confortados pela esperança cristã de que quem creu e viveu no Senhor tem a vida eterna com Ele. Segundo, porque sabemos que quem se foi não gostaria de ver-nos assim. Se nos é difícil levantar-nos do luto, busquemos a ajuda de um sacerdote ou diretor espiritual para superar a dor. Será muito útil.

Também pode ser uma boa obra de caridade doar algumas (se não todas) roupas ou objetos que a pessoa usou a um abrigo ou casa de beneficência. Além de ser um sadio exercício de desapego, que nos pode ajudar a superar o luto causado pela perda, colocamos em prática a terceira obra de misericórdia temporal, que é “vestir os nus”.

4. Auxiliar as famílias que perderam seus entes queridos

Quando perdem alguém, as pessoas geralmente se refugiam na solidão, no silêncio e no pranto, podendo experimentar falta de apetite e estresse ou mesmo entrar em depressão.

Como cristãos, o nosso dever é acompanhar, aconselhar e ajudar aqueles que perderam os seus entes queridos, fazendo com que se recordem deles com alegria e incentivando-os a ver na morte não um fim, mas uma permanência no amor de Deus, que tem preparado um lugar para cada um de nós.

“Consolar os aflitos” também é uma obra de misericórdia, recomendada pelas próprias Escrituras: “Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram” (Rm 12, 15). Além disso, a solidariedade com quem sofre é um grande remédio para aliviar também as nossas dores. Quando nos voltamos às necessidades dos outros, somos capazes de ver a mão de Deus que levanta o próximo por meio de nós. Quem, como o bom samaritano (cf. Lc 10, 30-37), cuida das misérias alheias, tem suas próprias misérias pensadas por Nosso Senhor, que é o Bom Samaritano por excelência.

5. Evitar brigas por causa de dinheiro ou herança

É possível que a pessoa falecida tenha deixado alguns bens que tocam aos filhos e parentes mais próximos. Tudo tem seu tempo apropriado e é lamentável ver famílias que, antes mesmo da morte da pessoa, brigam por causa de bens materiais; irmãos que, ao invés de se unirem, nem sequer conversam mais um com o outro, por conta de interesses.

Ante a tentação de acirrar os ânimos por causa de heranças terrenas, vale ter diante dos olhos a única herança imperecível, a qual – como ensina São Gregório Magno – “não diminui com o crescimento do número de herdeiros”. “Se ressuscitastes com Cristo – exorta São Paulo –, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus; cuidai das coisas do alto, não do que é da terra” (Cl 3, 1-2).

6. Evitar cair em práticas espíritas ou supersticiosas para mitigar a dor

Algumas empresas, no afã de lucrar com a dor alheia, oferecem rituais funerários absolutamente incompatíveis com a fé cristã. São práticas como semear uma árvore com os restos mortais da pessoa, jogar as suas cinzas em um lago para perpetuar a sua memória, ou mesmo domesticar um animalzinho com o nome do parente falecido, relacionando-o com a crença na reencarnação.

O Catecismo da Igreja Católica é bem claro ao ensinar que não existe reencarnação:

“A morte é o fim da peregrinação terrena do homem, do tempo de graça e misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu destino último. Quando acabar a nossa vida sobre a terra, que é só uma, não voltaremos a outras vidas terrenas. ‘Os homens morrem uma só vez’ (Hb 9, 27). Não existe ‘reencarnação’ depois da morte.” [3]

Por isso, não é nada aconselhável, a quem perdeu os seus entes queridos, que saia à procura de “comunicações do além” em casas espíritas ou ambientes parecidos. A dor não nos pode fazer desviar de nossa fé! Nossa confiança deve estar sempre colocada em Deus e em Suas promessas. É a Sua graça que nos ajudará a continuar, não as falsas mensagens de doutrinas abertamente contrárias à doutrina de Cristo.

7. Rezar pelo descanso eterno daqueles que partiram

A maior obra de amor que podemos realizar por nossos entes queridos é oferecer orações por eles. Como diz Santa Teresinha do Menino Jesus, “pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela” [4].

No Brasil, há o piedoso costume de se honrar as almas dos falecidos com a conhecida “Missa de sétimo dia”. O Catecismo ensina que, “desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus” [5]. Por isso, não importa o quanto tempo tenha passado, é sempre recomendado oferecer muitas Missas pelas almas dos fiéis falecidos, além de Terços, jejuns e toda espécie de orações.

Também não se pode esquecer o motivo de todas essas práticas. Os católicos rezam por seus mortos porque acreditam na verdade do purgatório. A Igreja não é composta apenas pelos cristãos que vivem neste mundo (Igreja militante), mas está unida aos santos, no Céu (Igreja triunfante), e às almas que se purificam de seus pecados, no purgatório (Igreja padecente). Por essa união mística – que a Igreja chama de “comunhão dos santos” –, as nossas preces e súplicas pelos falecidos têm valor diante de Deus e fazem entrar no Céu aqueles que amamos e que partiram desta vida.

Um dia, será a nossa vez de nos juntarmos à corte celeste e às almas de nossos entes queridos. Por isso, estejamos sempre preparados para a nossa morte e para nosso encontro definitivo com Deus. É verdade que ninguém pode ter certeza absoluta da própria salvação [6]. Se, porém, vivermos uma vida de virtudes e de oração, ao fim de nossas existências poderemos dizer, com São Paulo: “Chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Desde agora, está reservada para mim a coroa da justiça que o Senhor, o juiz justo, me dará naquele dia, não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação” (2 Tm 4, 6-8)”.

Referências

  1. Catecismo da Igreja Católica, 1008.
  2. Cf. Papa São Clemente, Primeira Carta aos Coríntios, 56 (PG 1, 321-324); Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Tralianos, 13 (PG 5, 799); São Policarpo de Esmirna, Carta aos Filipenses, 9 (PG 5, 1019).Moralia in Iob, V, 86 (PL 75, 729).
  3. Catecismo da Igreja Católica, 1013.
  4. Cartas, 225 (2 de maio de 1897).
  5. Catecismo da Igreja Católica, 1032.
  6. Cf. Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, I-II, q. 112, a. 5.

Falando sobre perdas gestacionais

Eu gosto muito das respostas do @drfilipeduarte, principalmente as que tocam em perdas. Sabe por que? Porque é um assunto muito velado e poucos tem coragem de falar a respeito. Milhares de mulheres sofrem perdas gestacionais e muitas nem são vistas como mães. Estamos às portas do Dia das Mães. Se você já passou por alguma perda, não importa se tinha 1 mês ou 10 anos, ele é filho e você é mãe. Que você não deixe de reconhecer sua maternidade. A mulher traz a maternidade em si, antes mesmo de um filho ser gerado. O filho é um dos meios dessa maternidade ser potencializada. Se você está em luto por uma perda, viva bem o seu luto, cuide do seu corpo e da sua cabeça. Aos poucos, você vai melhorar. E a dor vai virar uma saudade de quem ama. Paz e bem

Viva como se hoje fosse o último dia

Essa frase é de Madre Teresa de Calcutá. Vi esse post nos stories da @verissimoval e fiquei refletindo: por que só valorizamos quando perdemos? Essa não devia ser a regra. Deveríamos viver cada dia como único, aproveitando para amar todos aqueles que Deus põe em nosso caminho. É preciso começar a mudança interior: querer ser uma pessoa melhor para Deus e para o próximo. E, assim, quando a morte chegar não haverá remorsos, mas saudades, porque amamos!

2º luto – novo recomeço

Demos a notícia da nova perda gestacional no dia 05.10.2019 : dia dedicado a memória de Santa Faustina. Essa santa teve sua vida marcada pela devoção a Divina Misericórdia. Para quem tiver interesse, vale a pena conhecer sua história – http://www.jesus-misericordioso.com/santa-irma-faustina-biografia.htm. Aqui, começa o nosso luto com a moção a ser vivenciada ao longo desse período: a misericórdia.

Um luto não é igual ao outro. Essa foi a primeira constatação que tivemos. São pessoas diferentes: o luto não será igual, porque os laços são diferentes. E assim foi a primeira decisão que tomamos: o luto desse filho não seria como o do Francisquinho. Embora tivessemos o referencial daquilo que vivemos de bom no luto do Francisquinho, Deus nos concedia outra oportunidade de vivenciar a experiência da perda. E toda perda tem algo a acrescentar: era preciso estar atento.

Nossa segunda decisão foi silenciar: não comentar sobre os pormenores de como aconteceu a perda de mais um filho. E como essa decisão nos fez bem: o silêncio tem a capacidade de acalmar as emoções afloradas. Como a dor é grande nesse momento e o raciocínio é incapaz de acompanhá-la, o silêncio nos permite saborear a dor sem aumentar o sofrimento. Não é um exercício fácil. Estamos tão acostumados ao barulho, a agitação das redes sociais, que se afastar pode exigir uma decisão firme. Porém, decidimos viver um momento mais reservado e foi uma experiência incrível!

No silêncio, rompeu-se a curiosidade de saber o motivo da perda. Isso não é mais importante. Os amigos que se aproximaram nos respeitaram e cuidaram de nós. Ah! Esse cuidado não tem preço. É incrível como o amor tem poder de ressurreição. Realmente, o amor tem nos curado em cada abraço, cada cafuné, cada ligação, cada gesto de amor. Recebi flores, recebi visitas, recebi oração. Gratidão, meus familiares e amigos.

Já tinha vivenciado na perda do Francisquinho alguns ensinamentos como esse de abrir a casa a visita e deixar-se ser cuidado. Mas, nesse luto vivemos um novo aprendizado: orientar as pessoas que nos visitam, porque elas como nós não sabem como agir ou o que fazer. E, de forma muito simples, dizíamos a quem nos procurava que nossa casa estava aberta, que gostaríamos de visita e a única ressalva era não comentar os motivos da perda. A verdade na caridade é o grande aprendizado. Isso tornou esse início de luto mais suave.

Sabíamos a importância de reconhecer esse filho. Embora tenha ficado entre nós de forma tão curta, ele precisa ser reconhecida na história da família. Por isso, como fizemos com o Francisquinho, rezamos e demos um nome: Maria da Conceição. Muitos podem não entender: como podem dar o nome se nem sabem o sexo? Aqui é um exercício de fé: há certezas que surgem em oração que não precisam de comprovação. E o mais importante é que essa filha tenha seu espaço na família e que os irmãos conheçam sua história.

Outra experiência foi aceitar as reações do organismo depois da perda gestacional. Eu tive algumas reações: vômito, diarreias, hemorroidas. O silêncio e a oração trouxeram uma paz a minha alma, que eu passei a ver cada reação como algo natural. E isso me ajudou a não aumentar a dor. Cada organismo reage de uma forma depois da perda. Não existe regra. Independente de como seu corpo se comportará, apenas acolha e espere. A serenidade é um fruto que pode ser colhido se soubermos viver bem esse momento.

No luto do Francisquinho, aprendemos o quanto uma viagem pode ser bom ao casal depois da perda. Nós já tínhamos programado (antes de tudo acontecer) participar de um retiro de casais em Lavrinhas/SP. Resolvemos manter essa viagem e incrementamos com um tempo de descanso em Pirenópolis. Sem dúvida, seguir essa moção nos fez muito bem! O retiro fez a gente olhar-se ainda mais como casal. Sei que o filho é importante e sempre será. No entanto, meu amor maior é meu cônjuge. E esse aprendizado ficou gravado no coração: Deus acima do André, André acima dos filhos.

Nesse retiro, fomos atendidos em oração. E, durante o atendimento, percebemos outro novo que Deus queria nos ensinar: o luto permite encontro de almas. Tivemos partilhas muito profundas, que nos ajudaram a estabelecer propósitos de vida. Após o retiro, passamos em Cachoeira Paulista. Ali, pudemos rever grandes amigos, que são muito caros ao nosso coração. Pudemos encontrar com o Pe Jonas e receber uma bênção. Que carinho do céu. Nada programado. Tudo foi acontecendo naturalmente. Avisamos as pessoas que iríamos passar ali, mas não sabíamos como iria acontecer. Deus e seus cuidados.

Continuamos nossa viagem e fomos para Pirenópolis. E os encontros com as pessoas continuaram. Conhecemos a Irmã Maria, que nos presenteou com uma relíquia de Santa Terezinha. Depois, encontramos uma vendedora e o assunto rendeu. Fomos visitar a Igreja Matriz e tivemos outra conversa muito boa com senhora Ana, que cuida da limpeza. Por fim, conhecemos um casal na pousada e mais conversa.

Relíquia de Santa Terezinha

Sem dúvida, Deus estava nisso. Cada partilha continha uma orientação. E eu e o André aproveitamos e começamos a pensar nos propósitos para 2020: o que Deus quer de nós como família no próximo ano e como faremos para alcançar isso? Fizemos essa experiência nesse ano de 2019: anotamos propósitos, deixamos perto da nossa cama e , de tempos em tempos, avaliávamos como estavam nossos propósitos; e, se necessário, adaptávamos as metas. E que alegria perceber que fomos fiéis, na medida do possível, àquilo que nos dispusemos.

Temos aprendido nesse luto a não recusar um conselho que nos é oferecido. Se for de Deus, acontecerá. E se o que for falado não for de Deus, não acontecerá. E experenciamos, ao longo dessa viagem, o fruto desse aprendizado. Quantas coisas boas nos aconteceram porque soubemos ouvir àqueles que foram aparecendo no caminho.

E, por fim, esse é o grande reconhecimento desse luto: a misericórdia tem triunfado em meio a dor. Deus sempre tira algo de bom. Deus nos faz melhores. Não somos uma família perfeita. Não temos a pretensão de ser a melhor. Apenas queremos aprender, a cada dia, o que essa vida tem a nos ensinar. Confiamos nossa vida aos cuidados do Senhor. Que Ele continue a nos abençoar e nos guiar. ” A vida dos justos está nas mãos de Deus” (Sab 3,1).

Paz e bem. Até o próximo post, quando e como Deus quiser.

Carta aos familiares e amigos

Queridos familiares e amigos,

Na última sexta-feira, 4 de outubro de 2019, dia dedicado a São Francisco, recebemos a notícia de que a minha gravidez não teve continuidade. Eu vivi uma gestação um pouco conturbada. E, desde o início, fomos chamados a apresentar tudo o que vivêssemos diante do Senhor: que se fizesse a vontade Dele e não a nossa.

Como é duro viver o abandono. Não foi fácil. Mas, depois que você passa já por uma perda, você cresce um pouco em maturidade e compreende que você não tem controle de tudo. Dessa forma, o que fizemos foi colocar tudo em oração. E, realmente, a oração moveu o céu.

Saímos da missa e logo veio o resultado dos exames feitos, que mostravam o fim da gestação. Deus conhece nosso coração melhor que nós mesmos. Eu aprendi que nem tudo é para ser compreendido. E silenciei meu coração. E, no silêncio, tenho experimentado a paz.

Mandamos algumas mensagens no sábado com a notícia. Pedimos perdão às pessoas que não conseguimos enviar. E experimentamos uma onda de amor. Agradecemos as mensagens e as orações. Elas nos têm ajudado a cada dia. E esse é o nosso lema: um dia de cada vez.

O que vem ao meu coração e ao coração do André, quando estamos em oração, é partilhar a vida. E, por isso, decidimos não comentar nada em detalhes de como se deu a perda. Os detalhes não mudam nada mesmo. Se algo precisa ser partilhado, que seja a vida, o amor, as boas experiências. E é isso que queremos deixar nesta carta.

Queremos dizer a vocês que o amor de cada um tem nos curado. Em breve, no tempo de Deus, a cura vai chegar. Abrimos nossa casa às visitas, o nosso telefone às ligações e/ou a qualquer forma de amor, pois é o amor que cura e ensina.

E, novamente, muitíssimo obrigada pelas orações! Sem elas, nós não estaríamos bem. Obrigada por tudo. Deus os abençoe.

Paz e bem,

André, Mari e filhos no céu