Nem sempre o que uma mãe em luto precisa é de palavras

“Mas pelo menos, foi no comecinho.
Mas pelo menos, não sofreu.
Mas pelo menos, não deu tempo de amar.
Mas pelo menos, não viveu pra sofrer.
Mas pelo menos, não viveu com problema.
Mas pelo menos, não foi mais pra frente,
Mas pelo menos, você é nova.
Mas pelo menos, você está bem, já eu não suportaria.
Mas pelo menos, você tem outros filhos.
Mas pelo menos, você pode ter outro um dia.

Não há nenhum “mas pelo menos” que faça sentido quando se perde um filho. Isso dói. E como dói. Seja um aborto inicial ou tardio, seja na barriga ou já nos braços, a perda poderá assumir várias vertentes: planos frustados; uma vida que não será vivida; os primeiros passos que não serão dados; as roupinhas que não serão usadas; um ventre vazio, um berço vazio, dois braços vazios; um amor que vai ficar no peito sufocado, sem ter para onde ir; uma dor que vai doer no peito, doer na alma, e, pode até dilacerar .
Se você não sabe o que dizer a uma mãe que perdeu seu filho, ofereça um abraço em silêncio ou um “eu sinto muito, estou com você“; mas, nunca, jamais, em hipótese alguma, minimize e desrespeite o luto dessa mãe, pois isso machuca e faz doer ainda mais. Há certos momentos que gestos dizem mais que mil palavras.

O luto não é para sempre. Porém, não tem prazo de validade. E ressalta-se: isso não é fraqueza! Essas mães de anjos esforçam-se, desde o amanhecer, para sair da cama e encarar mais um dia; elas buscam forças para continuar a vida, para ver pessoas, para trabalhar; elas lutam para encarar as lembranças que vem a mente a todo momento; ah, elas tentam (e como tentam) não desanimar ao ver outro bebê e não ter os delas em seus braços. São mulheres transformadas pela dor, guiadas pelo amor. São mães, que perderam um filho, que sentem a dor e sabem que essa dor vai estar com elas para sempre”, porque um filho sempre será filho.

Autora desconhecida – texto com modificações

Pequena reflexão

Recebi essa meditação e passei a meditá-la:

“A vida é um tempo muito breve comparado à eternidade. É preciso eternizar o presente vivendo o céu antecipadamente. Deus semeou na terra sementes de eternidade, deixou os sinais de sua presença nas pessoas, nos sacramentos, na fé celebrada e vivida, é possível encontrar os rastros do céu aqui na terra, mas esse tempo que nos é dado como dom, como presente, passa muito rápido e logo o futuro chegou e passaram-se tantos anos e você viveu por viver; viva o céu antecipadamente e eternize o seu presente”. (Lc 13,1-9) por Padre Joãozinho,SCJ.

A vida é um tempo muito breve comparado à eternidade. “

E nós somos testemunhas disso, não é verdade? O tempo que passamos com os nosso filhos, ainda que estejam em nossa barriga, passa tão rápido. Não é eterno.

É preciso eternizar o presente vivendo o céu antecipadamente. Deus semeou na terra sementes de eternidade, deixou os sinais de sua presença nas pessoas

Vejo aqui que nossos filhos são também uma forma concreta disso! O amor que experimentamos com eles é tocar um pouco do céu. Experimentamos um amor gratuito, amamos por amar. E eles se tornam essas sementes de eternidade. Sempre estarão conosco. Sempre nos arrancarão algumas lágrimas de saudade. Eles nos tornaram melhores. Eles deixaram sinais de sua presença em nossas vidas.

“…é possível encontrar os rastros do céu aqui na terra, mas esse tempo que nos é dado como dom, como presente, passa muito rápido e logo o futuro chegou e passaram-se tantos anos e você viveu por viver;”

É possível encontrar esses rastros em cada dia, em cada descoberta, em cada ultrassom, em cada partilha. Não controlamos o tempo. Tudo passa tão rápido. Algumas viveram por semanas, outras meses, outras a gestação inteira. Não importa. O importante é eternizar o presente. E isso vale para todo o momento. Não somente o de uma gestação.

Ainda estou ruminando…
Deus os abençoe, com paz e bem!

7º mês: a providência nos visita

O sétimo mês foi muito significativo em nossa história: o momento em que montamos o enxoval do Francisquinho, como relatamos no post anterior ( https://wp.me/paGs1a-2t) e, também nesse mês, decidimos montar o quarto do nosso filho. Até aquele momento, só havia no quarto a Cruz de São Damião e as imagens da Bem aventurada Nhá Chica, de São Francisco e de Nossa Senhora de Guadalupe. As duas primeiras imagens foram compradas por nós em agosto. A de Nossa Senhora foi um presente da Marília, uma amiga que, ao saber da minha gravidez e da história do Francisquinho, quis nos presentear com a Virgem de Guadalupe, a padroeira dos nascituros. Eu não sabia desse título. Confesso que, ao receber a imagem, fiquei curiosa, pois, não tinha uma devoção a Guadalupe. E essa curiosidade findou-se em novembro, perto do nascimento do Francisquinho, quando compreendi o porquê havia recebido esse presente. Deixarei para contar adiante.

Por hora, vamos voltar a montagem do quarto do Francisquinho. Saímos no segundo sábado de Setembro e fomos a um shopping. Lá, eu havia agendado para mim e para o André um spa dos pés. Ultimamente, estávamos bem desgastados com toda a situação. E eu percebia que precisávamos de momentos para relaxar diante do que vivíamos.

Então, aproveitamos para almoçar no shopping e depois irmos ao spa. Como o almoço foi rápido, eu perguntei ao André se poderíamos ir a uma loja de crianças que havia ali. E ele aceitou. Ali, começava mais uma demonstração da ação do Senhor. Ao chegar na loja, a vendedora já nos recebeu, mostrando roupinhas que estavam em promoção. Decidimos levar 3 roupas. Primeira observação: alguém já lhe recebeu em uma loja e lhe mostrou os itens em promoção, sem você pedir?

Seguimos para o spa e relaxamos. Ao sair, comecei a sentir uma dor na barriga. E falei para o André que parecia estar com uma dor de barriga. O André me sugeriu irmos no banheiro do shopping. E eu preferi ir para casa. Porém, na saída do shopping, percebi que não seria possível esperar até chegar em casa. Eu não me recordava a última vez que tive um “piriri” na rua. E em vez de voltar e ir no banheiro do shopping em que estávamos, pedi ao André para irmos no banheiro de um outro shopping que ficava próximo. E assim foi feito. Imagina a cena: uma grávida de 7 meses, procurando um banheiro, com crise de dor de barriga. Enfim, encontrei um banheiro e havia uma funcionária que, gentilmente, deixou-me utilizar o de pessoa com deficiência. Assim, fiquei mais à vontade.

Ao sair do banheiro, o André me perguntou se eu gostaria de ir para casa e disse a ele que gostaria de dar uma volta em uma loja de móveis e de decoração que havia naquele local. Quando entramos na loja, percebemos que ela estava em promoção. Era o dia do cliente. E para a nossa surpresa, deparamo-nos com uma poltrona e uma mesa com 50% de desconto. Segunda observação: primeiro, a gente encontra roupinhas de bebê em promoção. Depois, móveis. Alguma coisa Deus queria nos falar. Pequenos fatos poderiam passar desapercebidos. Porém, nesse tempo, aprendemos a fazer leitura da vontade de Deus nas pequenas coisas. E reconhecemos nessa situação que era a hora de comprar os móveis do quarto do Francisquinho. Ao solicitar junto à vendedora a poltrona e a mesa, ela nos disse que a mesa já estava disponível para levarmos. No entanto, a poltrona seria entregue apenas no dia 29 de setembro. E como de costume, respondi: “ok”. Nada de reclamar. Deus é o Senhor do tempo. O mais importante não seria ter o quarto montado naquele dia. O Senhor havia nos levado a comprar as coisas. Então, Ele, melhor do que nós, saberia o momento certo de ter o quarto montado.

Saímos de lá e fomos para uma consulta do André com um dermatologista. Ele estava com um machucado nos dedos. Ao chegar na clínica, ao sermos atendidos (eu entrei com o André), ele mostrou os dedos e a médica percebeu que se tratava de um problema de fundo emocional. Não precisava de remédio. Ali, partilhamos brevemente um pouco da enfermidade do Francisquinho e essa médica, que não nos conhecia, começou a nos falar de esperança. Terceira observação: um médico que você não conhece e como outros que já havíamos encontrado, poderia nos falar que era bobagem manter a gestação de uma criança que estava com a saúde comprometida e poderia falecer a qualquer instante; ao contrário, começava a alimentar sua alma de esperança. Novamente, ali estava Deus.

Saímos de lá com a certeza: era o momento de finalizarmos a compra do quarto do Francisquinho e adquirirmos o berço. Como o dia foi intenso, decidimos que compraríamos no dia seguinte. À noite, fomos para o quarto que seria do Francisquinho, onde fazíamos nossas orações noturnas, e começamos a agradecer a Deus pelo nosso dia. Estávamos no meio da Quaresma de São Miguel¹. Ao terminar essa oração, eu perguntei ao André quando terminaria a Quaresma. E aí percebemos como Deus sempre faz TUDO perfeito: terminaríamos a Quaresma de São Miguel no dia 29 de setembro. E vocês se recordam que dia a poltrona chegaria? Mais uma vez, reconhecemos nesse fato a providência divina em ação.

No domingo, dia dedicado ao Senhor, entramos no site para comprarmos o berço. E ali nos vimos diante de outra promoção: ao comprar o berço que queríamos, ganhávamos o colchão. Aproveitamos o dinheiro que iríamos economizar com a compra do colchão e compramos duas casinhas de madeira para colocarmos bonecos de pano de São Francisco e da Imaculada. Aliás, estes bonequinhos foram feitos manualmente pela Lucimar². Faço questão de divulgar pelo carinho com que ela os fez para nós.

Berço
Poltrona e mesa
Os primeiros “brinquedos” do Francisquinho

Procuramos montar o quarto de Francisquinho de forma mais simples possível. Um outro detalhe: se vocês repararam, havia uma caixinha com a imagem de São Francisco na outra casinha de madeira da parede. Ganhei da Erine no dia em que contei a ela sobre a enfermidade do Francisquinho. Dentro dessa caixinha, fui colocando tudo o que vivíamos de ordinário e extraordinário quanto ao Francisquinho. Eu dizia: “Francisquinho, aqui serão guardadas todas as visitas de Deus que temos experimentado”. Voltando ao nosso relato, agora era só esperar o dia 29 de Setembro. E assim esperamos para montar o quarto.

O berço com o colchão chegou uns dias antes. No dia 29, os nossos padrinhos de casamento Mavi e Antônio Luiz vieram nos ajudar a montar o quarto. E ela nos trouxe o quadro de São Francisco em biscuit (na foto, ele aparece na parte de cima do berço). Que presente maravilhoso. Terminamos de montar e fomos almoçar juntos. Quando retornamos, eu e o André fomos agradecer ao Senhor por tudo o que havia feito até aquele momento, pela ajuda de cada pessoa. Foi mais um dia de ação de graças e contemplação da bondade do Senhor.

Ao relembrar esse dia, nosso coração se enche de gratidão. Quando menos esperávamos, compramos e montamos o quarto do nosso filho. Praticamente, em 1 dia e meio. Lindo ver que Deus tem a hora certa, que Ele providencia todos os meios. Quando nos lançamos em abandono, Ele não nos desampara. Realmente, Deus cuida de nós! Obrigada a todos que foram canais da providência santíssima em nossa vida. Nossa gratidão.

Paz e bem!

1 Quaresma de São Miguel: Esta devoção deve-se a São Francisco de Assis que sempre fazia orações especiais à São Miguel, quarenta dias antes da festa do Arcanjo. Mais informações: http://www.catolicoorante.com.br/oracao.php?id=200

2 Para quem quiser conhecer onde comprei os santos de pano, https://www.facebook.com/santosdepano/

Uma visita de Deus disfarçada

Ao longo dessa caminhada da gestação do Francisquinho, Deus nos presenteou com amigos que foram verdadeiros “anjos” em nossa vida. Seria muito injusto nomear alguns, pois há muitos que nos ajudaram e nós temos conhecimento da sua ajuda. Eles carregaram conosco a cruz da enfermidade do Francisquinho e nos ajudaram a permanecer firmes. Nosso muito obrigada a cada um. Há também aqueles que só saberemos no céu. Pois, recebíamos as notícias que muitos estavam em oração por nós. Nossa gratidão a todos.

É tão bonito perceber que na dificuldade não estamos sozinhos. Nesses momentos, reconhecemos os verdadeiros amigos; aqueles que trazem o bálsamo para as nossas dores. Como eu e o André resolvemos viver essa caminhada, compartilhando com aqueles mais próximos, percebemos que Deus nos convidava a dar um passo além. Não só compartilhar com esses próximos, mas com todos aqueles que o nosso coração fosse aberto para uma partilha.

E aqui nos vivenciamos novamente o agir sem entender. E partilhas passaram a surgir com pessoas que , à princípio, não seriam nossas escolhas. Mas, ao dividir com elas o que vivíamos com o Francisquinho, aprendíamos ainda mais a lidar com essa situação. Realmente, na vida, não há regras ou padrões. Precisamos ter um norte, no entanto, ele deve ser flexível às moções do Espírito Santo que habita em nós.

Ao partilharmos sobre a experiência com o Francisquinho, permitíamos que as pessoas entrassem em nossa vida, saboreassem o que vivíamos. Em uma dessas visitas, uma vizinha nossa, que não sabia da situação, veio nos visitar. Havia comprado um presentinho para o Francisquinho e veio pessoalmente nos entregar. Ela nos trouxe uma toalha com sabonetes. A visita não se restringiu a entrega dos presentes. Dona Josefina partilhou conosco uma Palavra (1 Samuel 1) que ela havia tirado em oração. De forma humilde, que ao relembrar esse fato, eu me edifico com a atitude dela, perguntou-nos se poderia ler a Palavra que havia tirado para nós. E, sem pestanejar, respondemos que sim.

Ela abriu as Sagradas Escrituras. Ao ler o capítulo de Samuel, eu me recordei que essa Palavra já tinha sido dada a mim há 7 anos atrás (2011), como sinal de que Deus cumpriria sua vontade na minha vida quanto ao meu estado de vida. Então, ao ouvir a partilha da Dona Josefina, em meio a lágrimas, eu disse a ela que aquela Palavra possuía um significado muito grande em minha história. E não era à toa que Deus a trazia novamente. Em meio a dor , Deus trazia a esperança por meio de uma senhora que desconhecia totalmente a situação. E, para deixar registrado, não partilhamos com ela sobre o que vivíamos. Eu e o André acolhemos a Palavra e fizemos dela nossa oração para aquele dia.

Um detalhe especial quero registrar: receber a toalha teve um significado também especial. Eu e o André havíamos decidido comprar o enxoval do Francisquinho, pois passamos a ver a situação da seguinte forma: nada nos impede de clamarmos um milagre. Já tínhamos o fato de que estávamos diante de uma doença letal. Mas, nós acreditávamos que, se fosse da vontade do Senhor, um milagre poderia ocorrer. Uma de nossas madrinhas de casamento – Mavi – até nos recordou: “se vocês estão clamando o milagre, precisam providenciar o necessário ao Francisquinho. Não se clama a chuva sem providenciar o guarda-chuva.” Até então, ele só tinha poucas roupinhas que havia recebido logo no início da gravidez. Eu já estava no 7° mês. E assim, fizemos: fomos às compras, embora a situação do Francisquinho permanecesse igual.

Tivemos a moção de comprar o básico para o Francisquinho. Independente dele estar enfermo, havia em nosso coração o desejo de possuir em nossas vidas e dos nossos filhos o necessário. E, no meio as compras, deparamo-nos com duas toalhas. Nesse dia, estava com a minha mãe. Optamos pela toalha com o mesmo tecido da fralda. Confesso que eu havia ficado de olho na toalha de algodão. Mas não a comprei. Então, imagine a minha surpresa, ao abrir o presente da Dona Josefina, e ver ali a toalha de algodão, acompanhada com 2 sabonetes. Como Dona Josefina mesmo disse: “Para o presente ser completo, recebam os sabonetes”. Que gentileza. Que exemplo! Sinceramente, foi um dos melhores presentes que recebemos nessa fase.

Agora a cereja do bolo: não pense que a história acabou. Junto ao presentinho, Dona Josefina colocou um cartão. Vejam ele abaixo.

Dona Josefina contou-nos que, ao escrever o cartão, veio em seu coração não colocar o meu nome e do André, mas sim o do Francisco, com o vocativo “filho da promessa de Deus”. E, realmente, Francisquinho era o cumprimento da promessa. A Palavra trazida por ela era a confirmação disso. Deus ali nos visitava mais uma vez e nosso coração tinha naquele dia mais um motivo para agradecer e louvar ao Senhor pela vida do Francisquinho e por toda experiência que tínhamos vivenciado com nosso pequeno milagre.

Muito obrigada Dona Josefina por ter sido um instrumento de Deus tão concreto em nossa vida. A senhora, seu esposo, foram um grande testemunho da providência divina em nossa vida. E, juntamente a eles, estendemos a todos que nos ajudaram em nossa caminhada, com boas palavras, com presença em nossa casa, com tantas orações, nesse tempo que vivenciamos. Gratidão, paz e bem. Vocês fizeram a nossa vida MUITO melhor.

Essa música foi a mencionada acima, uma visita de Deus em meio a um momento de dor.
Composição Mariana Blauth e Érica Almeida

5 vezes em que a ciência assegurou que a vida começa na fecundação

REDAÇÃO CENTRAL, 09 Mar. 19 / 08:00 am (ACI).- Em que momento começa a vida humana? Há décadas, a ciência teve uma resposta clara: na fecundação.

Imagem referencial. Foto: Flickr Zappys Technology Solutions (CC BY 2.0

A seguir, recordamos 5 ocasiões nas quais a ciência assegurou que a vida humana começa na fecundação.

1. No livro Embriologia Médica, de Jan Langman

Em 1975, a terceira edição do famoso livro Medical Embryology (Embriologia Médica), de Jan Langman, explicou que “o desenvolvimento de um ser humano começa com a fecundação, um processo pelo qual duas células altamente especializadas, o espermatozoide masculino e o óvulo feminino, se unem para dar origem a um novo organismo: o zigoto”.

A edição mais recente desse livro, de 2015, insiste que “o desenvolvimento começa com a fecundação”.

2. Fundamentos da Embriologia Humana, de Keith Moore

O livro Essentials of Human Embryology (Fundamentos da Embriologia Humana), de Keith Moore, publicado em 1988, concorda que “o desenvolvimento humano começa depois da união dos gametas masculino e feminino ou células germinais durante um processo conhecido como fecundação (concepção)”.

O óvulo fertilizado, conhecido como zigoto, indica o livro, “é uma grande célula diploide que é o principio, o primórdio do ser humano”.

3. Um estudo publicado por ‘Nature’

“O ciclo de vida dos mamíferos começa quando um espermatozoide entra em um óvulo”, assegurou um estudo publicado em 2010 na revista ‘Nature’ por Yukinori Okada e outros cientistas, intitulado “A role for the elongator complex in zygotic paternal genome demethylation”.

4. Uma nova pesquisa em 2012

Uma pesquisa feita por Janetti Signorelli e outros cientistas em 2012 concluiu que “a fertilização é o processo pelo qual os gametas haploides masculinos e os gametas haploides femininos (espermatozoides e óvulos) se unem para gerar um indivíduo geneticamente diferente”.

5. “O Ser Humano em Desenvolvimento”, de Moore, TVN Persaud e Mark Torchia

Em 2015, na última edição de seu livro ‘The Developing Human: Clinically Oriented Embryology’ (O Desenvolvimento Humano: Embriologia Clinicamente Orientada), os cientistas Keith Moore, TVN Persaud e Mark Torchia asseguraram que “o desenvolvimento humano é um processo contínuo que começa quando um óvulo feminino é fertilizado por um espermatozoide masculino”.

“O desenvolvimento humano começa na fertilização, quando o espermatozoide penetra em um óvulo para formar uma célula única, o zigoto”, escreveram.

Os cientistas também assinalaram que “todas as principais estruturas externas e internas são estabelecidas entre a quarta e oitava semana” e “o surgimento das extremidades superiores são reconhecíveis nos dias 26 ou 27 como pequenos inchaços nas paredes ventrolaterais do corpo”.

No final da oitava semana, indicaram, “o embrião tem características humanas inconfundíveis; entretanto, a cabeça ainda é desproporcionalmente grande, constituindo cerca da metade do embrião”.

Fonte: ACI digital:
https://www.acidigital.com/noticias/5-vezes-em-que-a-ciencia-assegurou-que-a-vida-comeca-na-fecundacao-69136?fbclid=IwAR2GV8mQ5wiQ6IxjlpZYni-bszbLG2-rwJLUw0JPk2DPhdPxL9eU_BSQ0vk#.XIXF5p_qFAg.facebook

Nós e os franciscanos

Quando colocamos o nome de Francisco, não imaginávamos que experiências iríamos viver. Sabíamos a importância do nome e o qual missão ele comportava. Porém, ficamos surpresos da maneira que muitos encontros foram se desenrolando ao longo dessa trajetória com a enfermidade do Francisquinho. Só para recordar: havíamos escolhido pelo sonho que tinha tido em dezembro do ano anterior, como eu já contei para vocês no post Primeiros Passos: Nossos encontros com os médicos https://wp.me/paGs1a-1S.

No início de agosto, fui orientada a procurar um psiquiatra, pois estava com dificuldade para dormir. Confesso que já havia ido a uma consulta com psiquiatra. E não tinha tido uma experiência boa. Mas, não poderia me esquivar e, simplesmente, deixar para lá. Quem já ficou sem dormir, sabe o quanto é ruim. Além disso, Dra Judith conhecia o psiquiatra e me deu boas recomendações a respeito dele.

Cheguei na consulta e ele se pôs a me ouvir. Foi uma das melhores consultas que já tive. Enquanto falava, percebi que Dr Pedro¹ chegou a se emocionar com tudo o que havia vivido até aquele momento. Depois, ele diagnosticou meu quadro e passou as medicações necessárias. Explicou-me que, apesar dos efeitos colaterais que alguns remédios pudessem causar, era necessário cuidar de mim. E aqui tive mais um aprendizado: embora com medo, eu decidi não questionar e me submeter ao que me fosse sugerido. A medicina não era a minha área e precisava ter confiança nos profissionais que me acompanhavam. Uma palavra que me acompanhou nesse tempo foi “ok”. O médico dizia: você precisa fazer isso e eu respondia “ok”. Não questionava, não queria ter razão. Apenas obedecia.

Percebi que nessa forma, Deus também me formava em uma obediência, quebrava dentro de mim um ser questionador. Agora, não era tempo de perguntas, era tempo de ser conduzida. É interessante porque meu raciocínio também ficou lento. Grávidas geralmente ficam com mais sono e mais lentas. E com toda essa situação, eu não fugia à regra. E essa forma me ajudava a confiar nos profissionais que Deus colocava em meu caminho.

No final da consulta, o psiquiatra me perguntou se ele poderia me dar uma sugestão e respondi que poderia sim. Ele falou que não era à toa que havíamos escolhido esse nome “Francisco”. É um nome forte! Perguntou-me se eu conhecia o Santuário São Francisco de Assis, que ficava perto do consultório e se eu poderia me deslocar até lá, após a consulta. E assim acolhi aquela sugestão. Lembro-me que havia pedido para uma das minhas madrinhas, Giovanna, ir comigo nesta consulta. Quando saí, perguntei a ela se teria disponibilidade em ir ao Santuário comigo. E, prontamente, a Gio respondeu que sim e lá fomos nós ao Santuário de São Francisco.

Dr Pedro também aconselhou-me a procurar um apoio espiritual lá no Santuário. Ao chegar, infelizmente, não havia nenhum Frei disponível para aconselhamento naquele momento. Nesta hora, tive um breve colóquio com Deus: “eu não sei exatamente por que estou aqui, mas entendo que preciso fazer as coisas, sem compreender”. Dessa forma, fui para a lojinha e ali comprei algo para o Francisquinho: a cruz de São Damião e a imagem de São Francisco. Até aquele momento, com mais de 5 meses de gestação, eu não havia comprado nada para meu filho.

Ao entrar no Santuário, antes da missa, comecei a conversar com São Francisco: “Você é o padrinho dessa criança. E padrinho é aquele que é compadre, que está junto dos pais no cuidado dos filhos. Preciso de sua ajuda nesse momento com o Francisquinho. Preciso voltar a ter esperança. Não posso caminhar como se estivesse esperando a morte do meu filho. Ajudai-me”. Participei da missa e senti meu coração a ter sua esperança renovada. Aproveitei e me confessei. E também pedi que as imagens que havia comprado fossem abençoadas. E voltei para casa. Ali, no quarto que até então estava vazio, foi colocado a cruz de São Damião e a Imagem de São Francisco. Começava um novo tempo em nossa casa.

Imagem da Cruz de São Damião colocada na porta do quarto do Francisquinho

Na segunda semana de agosto, eu e o André fomos participar da Missa na Igrejinha, a primeira paróquia de Brasília, hoje cuidada pelos capuchinhos. E lá vivemos uma experiência com um dos frades. Ao chegar na Igrejinha, sentamos no fundo da igreja. Levantei-me para pegar um copo de água e quando voltei, uma senhora havia sentado ao lado do André. Eu não iria pedir para ela se levantar e fomos sentar bem próximo do altar. Confesso que não gosto muito de sentar na frente. Mas, “ok”. No final da Missa, o Frei nos recordou que estávamos na semana da Família e , de repente, virou para nós e disse: “Vamos rezar por esse bebê”. Eu não entendi nada. Ele não disse que era para rezar pelas famílias. Havia outras famílias ali. Ele convidou a comunidade a colocar em oração nosso filho. E assim todos rezaram pelo Francisquinho. Nem precisa dizer que as minhas lágrimas caíram (e muito).

Após dar a benção final da Missa, o Frei foi próximo a imagem de Nossa Senhora de Fátima, pegou uma rosa branca e foi para o final da Igreja, para cumprimentar aos paroquianos. Esperamos todos se dirigirem a ele e depois fomos conversar com ele. Agradecemos pela oração e contamos a ele que o nosso filho tinha uma enfermidade letal. Ele se comprometeu a colocá-lo em suas orações. Perguntou qual era o nome da criança e ao dizermos que era Francisco, ele abriu um dos sorrisos mais lindos que já vi na minha vida. E me deu a rosa branca. Depois desse dia, não encontramos mais esse Frei. Deus havia reservado aquele dia, aquela missa, aquele momento. Fomos novamente encontrar com o Frei na missa de Ano Novo e descobrimos seu nome: Frei Clézio.

Uma outra experiência que tivemos foi engraçada. Estávamos acostumados a ir na Igrejinha de carro. Mas, em um dia, pedi ao André para chamar um Uber. E assim foi feito. Não fomos com o nosso carro. Depois da missa, enquanto esperávamos o motorista, passou por nós o Frei que havia celebrado a missa e nos perguntou sobre os padrinhos do nosso filho, se já havíamos pensado. E ali partilhamos sobre a situação do Francisquinho. Foi uma boa conversa, que colocou mais amor em nossos corações. O Frei se despediu e o André comentou comigo: “Você percebeu que se a gente não tivesse utilizado o Uber, não teríamos encontrado com esse Frei e tido essa conversa?”.

Não sei se vocês puderam ler um dos primeiros posts que partilhei sobre seguir a intuição do coração (https://wp.me/paGs1a-1b). Mais uma aprendizado: o viver um dia por vez nos fez compreender que a gente não precisa entender tudo. Cada dia tem a sua riqueza a ser descoberta. Se eu tivesse recusado o conselho do Dr Pedro, não teria me aberto a esperança encontrada naquela missa do Santuário. Se eu tivesse ficado brava com a senhora que sentou no meu lugar e não fosse para mais próximo do altar na Igrejinha, poderia não ter sido vista pelo Frei Clézio e não recebido a oração. Se eu não tivesse chamado o Uber e ficado pensando que era melhor ir de carro, porque não tinha nenhuma lógica ir com o aplicativo, não teria tido uma partilha muito boa com outro Frei capuchinho.

Essas histórias me fizeram perceber que São Francisco não era apenas o padrinho do meu filho, ele também começava a fazer parte da minha família. Assim como a Bem aventurada Nhá Chica, cujo nome é Francisca de Paula de Jesus. Os dois padrinhos de Francisquinho começaram a me ensinar um despojamento que vai além do material. Despojar-me dos “meus achismos” para confiar na providência divina de cada dia, para viver bem UM DIA POR VEZ.

Não poderia terminar esse post de forma diferente: Paz e bem.
É assim que os franciscanos se saúdam, quando encontram alguém. Até o próximo post.

1 Dr Pedro atende atualmente na Clínica de Saúde Mental Cuidare: 99978-9852

Primeiros passos: Nossos encontros com os médicos

Depois da conversa com a Dra Judith, nossa psicóloga, fomos buscar orientação espiritual com o Pe. Lucas, um sacerdote diocesano que tivemos a graça de conhecer em uma Santa Missa na Paróquia Santa Rita.

Antes de continuar a história do Francisquinho, queremos partilhar sobre a providência do encontro com esse sacerdote. Um dia, fui à missa e aproveitei para me confessar. Estava com a camisa do Grêmio. Meu esposo (o André) é gremista. Ele estava viajando e aproveitei para usar a camisa como forma de diminuir a saudade. No final da confissão, o Pe. Lucas me perguntou se eu era do Sul e disse que o André que havia nascido lá. Ele me questionou qual era a cidade natal do André e ao dizer que era Carazinho, ele ficou surpreso, pois sua família também era de lá. Depois, tive a oportunidade de apresentar o André ao Pe. Lucas e assim iniciou nossa amizade com esse bom padre, que visitava nossa casa para tomar um chimarrão e conversar conosco. Quando o Pe Lucas soube que queríamos um filho, colocou nossa intenção em suas orações.

No dia 2 de junho de 2018, aos prantos, entrei em contato com o Padre Lucas e perguntei se ele poderia nos visitar. Antecipamos a ele um pouco do nosso choque a respeito da situação do nosso bebê. O padre logo se prontificou e veio estar conosco. Primeiro nos ouviu, acolheu a nossa e nos trouxe o consolo de Deus. Como foi importante ouvir as palavras de um sacerdote nessa hora de sofrimento.

Perguntamos ao Pe. Lucas qual a orientação que a Igreja dava aos pais que se encontravam neste tipo de situação em que não se sabe até quando o filho poderá sobreviver. Não sabíamos até quando teríamos nosso filho conosco. E, dessa forma, não sabíamos se ele teria a oportunidade de ser batizado. Padre Lucas nos orientou a realizar o batismo de desejo: como a criança não teve a chance de desejar o batismo, este desejo deve ser suprido pelos pais, assim como a necessidade da Fé para o batismo é suprida pela Igreja e/ou pelos pais e padrinhos.

Como estava na 13ª semana, ainda não sabíamos o sexo do nosso filho. Mas, após ouvir a orientação do padre, eu e o André nos recordamos do sonho que tivemos, no qual nosso filho seria chamado de Francisco. E, no dia seguinte, nós desejamos o batismo de desejo e passamos a chamar nosso filho de Francisquinho. Como não havia nenhuma pessoa conosco, escolhemos padrinhos espirituais: São Francisco e a Bem aventurada Nhá Chica. No dia anterior, havíamos assistido ao documentário dela na Canção Nova e ficamos muito tocados pela história de vida.


O nome Francisco tem origem no latim Franciscus, que veio do germânico Frank, que quer dizer “franco”, que significa “livre”, por isso a tradução do nome Francisco é “francês livre”

Dr. Ubatan¹ estava em viagem, mas havia deixado o contato de Dra Fátima², caso ocorresse algo. E como houve a notícia dos problemas do Francisquinho, entramos em contato com ela. Foi uma experiência de acolhimento frente ao estado de choque em que nos encontrávamos. Dra Fátima foi uma bênção nas nossas vidas. Ela nos encaixou na sua agenda logo no primeiro dia útil depois da notícia. Ela nos sugeriu de fazer novamente o exame, só que dessa vez com um especialista em feto. E concordamos.

Fizemos em uma semana outra ultrassom morfológico. Dessa vez, o geneticista, apesar de manter o diagnóstico, foi mais “humano”. Saímos de lá com dor no peito, mas com a clareza da situação, diferente da primeira experiência do ultrassom morfológico. Nesse dia, Dr. Ubatan nos ligou. Ele já havia entrado em contato com a Dra Fátima e já sabia dos pormenores da situação. Queria saber como estávamos. E suas palavras foram de grande valia: primeiro, ele nos aconselhou a não nos culparmos. Nessa situação, muitas vezes, é normal que os pais pensem que fizeram algo errado. Mas, ele deixou claro que, independente de qual Síndrome fosse, não havia por que se culpar. “Não será um caminho fácil, é uma verdadeira cruz, mas estarei com vocês!”, e assim foi nos orientado a ter os cuidados normais de qualquer gravidez, sem antecipar qualquer sofrimento.

Eu continuava a ser atendida pela Dra Judith semanalmente, o que me ajudava a pontualizar os acontecimentos que vivia. Infelizmente, não encontrava ninguém que houvesse passado por esta situação da Síndrome de Body Stalk. Além disso, eu e o André reforçamos as nossas orações. Não buscamos soluções mágicas. Nem inventamos projetos que não iríamos conseguir cumprir. A cada dia, levantávamos e agradecíamos ao Senhor por mais um dia com o Francisquinho. Pedíamos sabedoria para viver aquele dia. E quando chegava a noite, louvávamos ao Senhor porque tínhamos Francisquinho ainda conosco.

Chegamos na 17ª semana! Cada sábado, virávamos a semana. Cada sábado era uma festa em nossa casa. Até cantávamos “parabéns” para o Francisquinho. Sabíamos que ele também lutava pela vida: era o nosso guerreiro. Fomos encaminhado à Dra Andrea³ para fazer o ultrassom. E ali vivemos uma experiência de cura. Ela buscou saber detalhadamente da vida do Francisquinho até aquele momento. O seu jeito de nos atender, a forma profissional foram importantes para curar nosso coração do choque do 1° exame. Nesse primeiro contato, ela nos revelou o sexo do nosso bebê: um menino. Eu e o André nos alegramos nesse momento, pois nosso filho já possuía um nome masculino e agora tínhamos a confirmação. Na 20ª semana , Dra Andrea nos trouxe o conhecimento que estávamos com imagem compatível com a Síndrome de Body Stalk.

Batimentos cardíacos do Francisquinho na 17ª semana

Imagem em 3D – Francisquinho 17ª semana

Queremos finalizar este post, com um agradecimento aos médicos,inclusive ao Padre Lucas, pois ele também é médico (de almas), que nos acompanharam ao longo da história do Francisquinho. Ainda falta citar outros que foram importantes nessa caminhada. Mas, já queremos hoje agradecer a todos que o Senhor deu como dom a medicina. Louvamos ao Senhor pela vida de vocês. Agradecemos também aos que não foram tão bons. Nem sempre a gente acerta na profissão.

Honra o médico, porque ele é necessário,
pois foi o Altíssimo que o criou.
De Deus lhe vem a sabedoria
e do rei ele recebe presentes.
A ciência do médico o faz andar de cabeça erguida,
e ele é louvado entre os poderosos.
Da terra o Altíssimo criou os remédios, e quem é prudente não os despreza.
A água amarga não se tornou doce por meio de um pedaço de madeira,
para que os homens reconhecessem o poder de Deus?
O Altíssimo deu aos homens a ciência
para que pudessem honrá-lo por suas maravilhas.
Com elas o médico acalma a dor
e o farmacêutico prepara os produtos;
assim suas obras não ficam inacabadas
e a saúde se difunde sobre a terra. Filho, se adoeceres, não te descuides,
mas reza ao Senhor e ele te dará a cura.
Evita as faltas, conserva puras tuas mãos
e purifica teu coração de todo pecado.
Oferece incenso, a oblação de flor de farinha
e a gordura das vítimas conforme tuas possibilidades.
Recorre depois ao médico,
pois foi o Senhor que o criou;
e não esteja longe de ti, porque necessitas de seu serviço.
Há casos em que a cura está nas mãos dele. Também eles rogarão ao Senhor,
para que os guie no diagnóstico certo
e faça acontecer a cura. Peca contra o próprio Criador
aquele que quer mostrar-se valente diante do médico.

Eclesiástico 38,1-15

Paz e bem!

1 Dr Ubatan atualmente atende na Clínica Mater Dei: https://materdeigineco.wixsite.com/meusite

2 Dra Fátima atende na Ginobih- Clínica de Ginecologia e Obstetricia: 33262325 e 33263432.

3 Dra Andrea atende na Clínica Analysis: 3346-2239

Refletindo sobre a maternidade

Em mais uma de nossas conversas de whatsapp, depois do questionamento da Gláucia se ela teria amado suficientemente o bebê dela, a Lusilene nos enviou um áudio: “Se a maternidade não for acolher, eu acho que a gente está concebendo esse termo de forma errada. Deus manda os filhos para a gente acolher. Não importa em que situação, não importa quando e como, e onde; se o filho é saudável ou não; se é um filho de sangue ou adotado; enfim, ser mãe é acolher, independente de quem é o filho e de como é o filho”.

Depois de ouvir esse áudio, comecei a refletir sobre maternidade, sobre tudo o que vivi com o Francisquinho: a espera pela gravidez, a descoberta do diagnóstico, o caminho a ser trilhado. Começou a passar um filme na minha cabeça. Eu tinha consciência de que, embora muitos me reconhecessem como mãe após o que vivi com o Francisquinho, eu já me sentia como mãe, mesmo sem ter um filho.

Ao começar a leitura do Livro “Minhas Irmãs, As Santas” de Collen Carrol Campbell, deparei -me com um capítulo em que ela narrava sobre a maternidade e o ser feminino: Uma verdadeira riqueza sobre o tema! A seguir, apresento alguns trechos desse capítulo, como forma de nos enriquecer sobre a essência da mulher no que tange à maternidade.

Edith Stein¹, em seus escritos, nos revela que “o maior desejo do coração de uma mulher é entregar-se com amor, pertencer a outrem e possuir completamente esse outro ser”. O corpo e alma da mulher são projetados mais para amar, guardar e preservar. Edith ainda diz que as mulheres tendem a prestar mais atenção às pessoas do que às coisas; a relacionamentos e realidades concretas da vida do que a teorias; e à verdade integral sobre uma pessoa ou uma situação do que a uma análise dos seus componentes.

A maternidade vem mais do coração do que do útero, pois podemos reconhecer as oportunidades que temos para alimentar o crescimento dos outros, de defender os vulneráveis e de fazer do mundo um lugar mais cheio de amor e mais humano.

O Papa João Paulo II descrevia “o caráter maternal do coração da mulher como centrado na pessoa humana como a verdadeira essência da feminilidade”. Toda mulher é chamada a ser mãe, diz o Papa, mas há mais de uma maneira de responder a esse chamado.

E voltamos para o início da nossa reflexão: maternidade é acolhimento! Seja acolher um filho de todas as formas, seja acolher a qualquer pessoa que precise de ajuda. Não se pode colocar a maternidade sob um único prisma. A mulher é muito maior que seu físico. Quantas mulheres que não tiveram filhos biológicos e foram verdadeiras mães? E quantas mães que tiveram filhos e , infelizmente, não souberam educar os filhos?

Podemos exercer a maternidade ao cuidar de um pai doente, ao fazer que meu trabalho seja mais profundo e real, ao doar meu tempo para aconselhar ou orar por alguém, e dessa forma, constatar que a maternidade espiritual não é, em nenhum sentido, inferior à maternidade biológica.

Posso dizer que tudo o que vivi com o Francisquinho, tudo o que vejo muitas mães viverem com seus filhos (saudáveis ou não), as tornam mais profundas em sua maternidade. Porém, é apenas um perfil da maternidade.

Eu não sei se voltarei a engravidar. Não sei nada sobre o dia de amanhã, mas, ao viver o dia de hoje, eu posso responder ao meu coração materno. Não importa o que Deus venha a me conceder: biológico, adotivo ou espiritual, peço a graça de estar com o coração aberto para acolher o que Ele me enviar, pois aprendi que filhos não são nossos e a maternidade é muito mais abrangente do que eu possa imaginar.

1 Edith Stein:  (Breslávia12 de outubro de 1891 — Oświęcim9 de agosto de 1942) foi uma filósofa e teóloga alemã. De origem judia, teve certa ocasião uma grande mudança em sua crença, a partir da leitura de um livro de Santa Teresa d’Ávila quando estava em casa da amiga Hedwig Conrad-Martius, em Beergzabern. Mais tarde converteu-se ao catolicismo tornando-se freira Carmelita Descalça. Morreu aos 51 anos, no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Em 11 de outubro de 1998, foi canonizada pelo papa João Paulo II, como Santa Teresa Benedita da Cruz. Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Edith_Stein

O choque do resultado

Os meus dias, logo após a descoberta da gestação, seguiram-se como qualquer gravidez: eu tive muitos enjoos. Nem todas as mulheres tornam-se amiga do limão, mas ele foi um grande companheiro nos três primeiros meses.

Quando completei 5 semanas, tive um pequeno sangramento cor marrom. Fui à emergência: fiz uma ecografia. Foi nesse momento que ouvi o coração do meu filho pela primeira vez. As lágrimas caíram. Não há palavras que descrevam a emoção. Tão pequeno, a médica disse que tive sorte em ouvir o coração. Para mim, era o carinho de Deus em me mostrar que aquele bebê já tinha um coração que pulsava. Embora tenha sido constatado que havia um pequeno deslocamento de placenta, a situação não era muito grave. Mas precisava tomar mais cuidado com a gestação e evitar peso. À princípio, a médica da emergência do Pronto Socorro quis me dar um afastamento de uma semana. E eu recusei. Acreditava não ser necessário. Iria buscar ficar mais sentada no trabalho, pensava.

Francisquinho com 5 semanas e 4 dias

No dia seguinte, eu tinha consulta com meu ginecologista, Dr Ubatan Jr¹, e ali vivi meu primeiro aprendizado neste caminho da maternidade. Ao relatar sobre o descolamento e a minha recusa em não fazer o repouso, meu médico orientou-me a seguir à risca o repouso. Destacou a responsabilidade que eu trazia em meu ventre. O trabalho não era mais o centro da minha vida. Agora, eu era responsável por uma vida. E eu percebi como coloquei novamente meu trabalho em primeiro lugar. Não era a primeira vez que fazia isso. Em uns anos atrás, cheguei até a adoecer.

Dr. Ubatan me receitou 15 dias de afastamento. E assim se fez. Fui ao trabalho, conversei com a minha responsável no setor e amigos próximos, e me afastei do trabalho por 2 semanas. Fiquei na casa da minha mãe, pois o André ficaria fora durante a semana. Quando voltei ao trabalho, sentia que algo dentro de mim começava a mudar: eu realmente assumia que era responsável por aquela vida! Hoje, meu filho ou filha (ainda não sabia o sexo), era o mais importante!

Uma lembrança boa da sexta semana: meu bebê tinha o tamanho de uma lentilha. Quando li isso no aplicativo que utilizava para acompanhar a gestação, lembrei na hora do André. Lentilha é um dos pratos prediletos dele. Separei um grão de lentilha e coloquei ali do lado da minha cama.

Nosso filho do tamanho de uma lentilha: 6 semanas

Os dias foram passando e novamente voltei ao hospital. Era a oitava semana. Tive novamente um pequeno sangramento de cor marrom. Mas, ao contrário da outra vez, era apenas um resíduo do primeiro descolamento. Esse, por sinal, já não existia mais e o bebê apresentava-se bem colado na placenta, graças a Deus!

Cheguei a famosa décima segunda semana. Confesso que senti um alívio. Afinal, as probabilidades afirmam que os abortos espontâneos tendem acontecer até a 12ª semana. Marquei o ultrassom morfológico para o dia 01 de junho (completaria no dia 2/06/18, 13 semanas). Saí do trabalho e fui para o exame, juntamente com o André.

Era quase no fim de tarde, entramos na sala do exame. Estava ansiosa para que o André experimentasse a sensação que eu tive na 5ª semana e que ele pudesse ouvir o coração do nosso bebê. O exame começou e percebi que o médico que realizava o ultrassom estava um pouco silencioso. Não comentava nada. Aquilo me chamou a atenção. E perguntei se havia algo de errado. Ele começou a descrever uma série de má formação que meu filho possuía. Meu chão se abriu. Eu esperava ouvir qualquer coisa, menos que meu filho não tinha chance de viver. Infelizmente, esse médico não teve sabedoria em nos passar o diagnóstico. Mal nos mostrou os batimentos da criança; prendeu-se tanto nos problemas e chegou a nos aconselhar que buscássemos o meu médico ginecologista para poder tomar uma decisão. E insistia que fôssemos a um hospital. Nessa hora, eu já não processava mais nada.

André me ajudou a me trocar e pegamos o resultado do ultrassom. Saímos da clínica aos prantos. Sentamos em uma cafeteria. E liguei para a médica que Dr Ubatan havia deixado para eu entrar em contato durante a viagem dele. Ela nos acalmou, na medida do possível, e nos encaixou no primeiro horário da segunda-feira próxima. Tentem imaginar como foi a nossa noite. Não pregamos os olhos. Não entendíamos nada. Por que aquilo acontecia conosco? Sonhamos tanto com aquela gestação. Aceitaríamos o bebê com qualquer problema. Mas, nem isso tínhamos. As deformações que ele possuíam eram tantas, que impossibilitavam a vida.

Nessa noite e ao longo da madrugada, tive uma briga com Deus. Não era justo! Quando nos deparamos com algo sem explicação, temos a tendência de culpar alguém. E ali, eu tentava ver o que poderia ter feito de errado; por que Deus permitia tal situação em minha vida. Estava aos cacos. Quando acordei, fomos dar notícia a minha família e aos nossos padrinhos. Eles choraram conosco.

No sábado, eu costumava ir ao salão. André me acompanhou. Quando chegamos lá, eu pedi para ficar na parte superior, pois não estava bem. Ali, experimentei um carinho de todos que trabalhavam naquele dia. Inclusive, ouvi o relato da proprietária do salão Studio Z , Gleice, que nos acalentou com seu testemunho de fé em momentos de sofrimento. Nossa gratidão a todos do salão Studio Z. Foram o consolo de Deus em um momento de dor.

No final da tarde, entramos em contato com nossa psicóloga, Dra Judith, e perguntamos a ela se poderia nos atender. Explicamos rapidamente os fatos vividos até então. Ela, em uma atitude de bondade, nos atendeu em sua residência. Ouviu nossa dor, acolheu nosso choro. E de uma forma muito simples, disse que estávamos diante de um mistério. A Ciência não possuía qualquer explicação para justificar por que uma gestação letal acontece. A natureza tão sábia permite tal fato e não faz a seleção natural. Essa palavra nos marcou: mistério.

Dr Ubatan, que estava fora do país, nos ligou para saber como estávamos. Contamos a ele todo o acontecido. Sabiamente, ele pediu que nós não nos culpássemos. Dizia que os pais costumam a flagelar-se quando se deparam com uma situação como essa. E realmente, era assim que nós nos sentíamos. Tentamos fugir dessa armadilha do cérebro e do coração.

Ali, entendemos que não era o momento de questionamentos. Não iríamos encontrar qualquer razão ou alento que pudesse justificar a gestação do nosso filho sem a chance de vida fora do útero. Não era o momento de achar culpados. Era preciso viver. Mas como? E aqui começa o grande aprendizado: passamos a viver UM DIA DE CADA VEZ. Se fôssemos parar na impossibilidade da vida, não conseguiríamos viver um dia. Seria como antecipar um sofrimento. Isso não nos traria qualquer benefício. Éramos convidados a olhar para o presente, a saborear cada dia, desde o amanhecer até o anoitecer. Qual seria o dia mais importante? O hoje ! E o futuro estaria aos cuidados de Deus. Decidimos, naquele dia, a não comprar nada e deixar que, ao seu tempo, Deus nos mostrasse a sua vontade.

Confesso que não tínhamos ideia do que era viver um dia de cada vez. Mas assim se fez e, essa frase passou a fazer parte da nossa vida:

Continuamos com a história do Francisquinho: da 5ª semana até a 13ª semana: o início das dores diante da constatação de algumas más formações e a nossa reação.
Regra de vida aprendida com Francisquinho

Paz e bem!

Até ao próximo post da história do Francisquinho.

1 Dr Ubatan atualmente atende na Clínica Mater Dei: https://materdeigineco.wixsite.com/meusite

Bobagens que nos falam ao longo da gestação ou após a perda

Em uma das nossas conversas de whatapp, a Aline começa a narrar que havia descoberto a gravidez no Rio de Janeiro, em uma viagem a trabalho. Começou a sentir-se mal, havia uma suspeita pela menstruação estar atrasada; fez o Beta HCG e descobriu a gravidez. Como estava longe do esposo, guardou no coração, pois desejava fazer surpresa para ele.

Dessa forma, algumas pessoas do ambiente de trabalho souberam da sua gestação e passaram a acompanhar, sem muitos detalhes, semana a semana o que ela vivenciava. Compartilhou a situação da Síndrome de Body Stalk apenas com os familiares e amigos mais próximos. Infelizmente, houve a perda. E ela procedeu da mesma forma: sem entrar muito em detalhes com as pessoas que não eram próximas.

A perda não é fácil de ser encarada. E o luto não tem regra. Cada um reage de uma forma. Alguns tem necessidade de isolamento; outros preferem o trabalho. O importante é viver o luto. A Aline preferiu voltar a trabalhar. E aqui ela se deparou com uma situação bem comum aos que passam por uma situação difícil: as palavras desconcertantes.

Comentaram a ela, após a perda do filho pela Síndrome de Body Stalk: “Como você voltou tão rápido ao trabalho? Você ficou muito pouco tempo em casa. Conheço mulheres que tiveram problemas com gestação e entraram no INSS e você já voltou? Você não quer ficar grávida novamente? Por acaso, você não queria essa gestação?”

Pausa para um momento de reflexão: Sei que vivemos em um mundo extremamente agitado, em que pouco se reflete. Mas, vamos aproveitar a história partilhada para refletir sobre o assunto. Se você não sabe do assunto, não tem a mínima ideia do que a outra pessoa passou (pois ela não compartilhou com você), por que tecer qualquer comentário? Se a pessoa quisesse a sua opinião, teria partilhado com você a situação em que ela vivia.

Percebem como as pessoas estão um pouco sem noção ao fazer comentários em um momento de dor? Lembro-me que, assim que soube da Síndrome de Body Stalk do Francisquinho, minha psicóloga aconselhou-me a não comentar com muita gente. Ela já dizia que as pessoas não sabem reagir diante do que não é compreendido. Embora o ser humano ache que precise encontrar uma resposta para tudo, há momentos em que não existem respostas prontas. E quando se vive uma dor, não se tem fórmulas prontas. É preciso colher a cada dia a sabedoria para viver bem aquele momento. E, com certeza, não será com julgamentos ou afirmações, que nos desconstroem, que iremos melhorar.
Então, compartilhamos algo tão íntimo para alertar e também conscientizar sobre as falas não tão bem ditas a uma mãe que descobriu sobre uma má formação como a Body Stalk ou que perdeu um filho recentemente. Pense e reflita antes de falar. Fim da reflexão.

Voltando a nossa partilha, a Thamirys, ao ouvir o relato da Aline, comentou:” Engraçado, eu não estou curtindo muito sair de casa como antes. E sempre quando encontro alguém conhecido, fico desesperada, porque sei que a pessoa vai me perguntar algo sobre a perda da Olívia. E ainda me dói muito. E a dor não significa que eu não tenha desejado ficar com a Olívia”.

No velório do Francisquinho, uma pessoa chegou perto do meu esposo e, antes mesmo de nos cumprimentar, perguntou a ele qual tinha sido o motivo do falecimento da criança. Oi? Estávamos em frangalhos. Nessas horas, não há o que se falar. É dar o ombro e chorar junto. Meu esposo desconversou. Ali, não era hora para partilharmos sobre a Síndrome. Existe um tempo para cada coisa. E, com certeza, não é no velório que vamos partilhar sobre a Síndrome ou o motivo do falecimento de alguém. Esse tipo de curiosidade só faz mal.

Vocês acham que a Aline ficou como depois de ouvir aquele comentários? Será que alguém fica bem depois de ouvi-los? Ela se julgou “um monstro” por voltar ao trabalho. Chegou a pensar que era insensibilidade da parte dela querer retomar ao trabalho. Isso não é melindre. A Aline passou por uma perda recente. Descobriu, ao investigar após a perda, que esperava gêmeos. Ela está em luto. Pedimos a Deus que as pessoas compreendam o luto. Respeitem o momento da perda que o outro vive e, principalmente, não fale o que for DESNECESSÁRIO.

A Lusilene pediu a Aline que não se culpasse, pois cada um tem o seu tempo. Cada um tem o seu jeito de lidar com a situação. Comentou que ela mesma não tinha cabeça ainda para voltar a trabalhar. Ainda mais, no início, logo após a descoberta da Síndrome, não conseguia manter o foco no trabalho. Ressaltou que a volta ao trabalho pode ser a âncora para algumas pessoas, como no caso da Aline. Em um momento de luto materno, deve-se ir atrás do que provoca força pra gente, complementou a Lu. E reafirmou: “Se é melhor ir para a Igreja, vá. Se é melhor ficar com algum familiar, fique! Cada um tem o seu jeito para lidar com a situação”.

E sobre o assunto de não compartilhar com muitas pessoas sobre a Síndrome de Body Stalk, a Lu também disse que só repartiu essa informação com os familiares e com pessoas que eram mais próximas na fé. “Nesses momentos, a gente se aproxima mais de Deus”. E ainda assim, ouviu que ela não queria salvar a Camila. Que deveria ter se apegado mais a Deus para poder salvá-la de ter uma doença como essa. E que isso aconteceu com você porque ela não foi na Igreja. Então, a partir desses comentários, a Lusilene percebeu que, realmente, não deveria manter a situação da Camila com mais discrição. E hoje, passou a responder, com simplicidade, ao perguntá-la sobre a gestação, que está tudo bem.

Confesso que, quando eu ouvi o relato da Lu, meu coração doeu muito. Como as pessoas falam de Deus em vão! Quer dizer que uma enfermidade é sinal de que não estou em oração? Uma observação: há 2000 anos, quando as pessoas pensavam que as doenças eram culpa do pecado dos antepassados, Jesus já condenou esse pensamento. Então, ao ouvir que meu filho ou filha tem a Síndrome porque Deus quis, me faz compreender por que muitos ficam com raiva de Deus. A gente já questiona , naturalmente, a fé nas provações. Não precisamos de incentivo para desacreditar em Deus. Precisamos de pessoas que nos levem a seguir em frente, mesmo com a dor.

Simplesmente, quando encontrar alguém em um momento difícil, seja qual for, fale somente se for necessário. E antes de falar, coloque-se no lugar do outro e veja se você gostaria de ouvir aquilo, se realmente é necessário falar. Talvez, um gesto de carinho possa ser melhor que qualquer palavra. Ou , quem sabe, ficar em silêncio, já que não se sabe o que dizer, irá ajudar mais do que um comentário feito na hora errada, de forma errada.

Ufa! Tudo isso foi partilhado para nos enriquecer e também revelar o que algumas mães com Síndrome de Body stalk ouvem, tanto ao longo da gestação quanto depois da perda. Já perdoamos a quem nos dirigiu tais palavras. E também vimos que, muitas vezes, nós fomos insensíveis a momentos difíceis que outros viveram. Ao experimentar “na pele” o quanto esses comentários fazem mal, também reconhecemos os momentos que não soubemos como falar em situações de dores de outrem. E pedimos perdão.

A vida é feito de aprendizados. Estamos aprendendo a cada dia. Não temos medo de errar. Temos medo é de não mudar!

O bebê com body stalk, uma intuição e a música

Após o falecimento do Francisquinho, Deus colocou no meu caminho jóias preciosas: mães que passaram ou têm passado pelo que vivi com a questão da Síndrome de Body Stalk.

A Thamirys, eu conheci no dia 5/12/2018, em um aplicativo para acompanhar a gestação (Baby center). Logo depois, no fim de dezembro, conhecemos a Aline. Nesse momento, decidimos em ter um grupo de whatapp para podermos partilhar um pouco mais da Síndrome.
Em janeiro desse ano (2019), tivemos a graça de conhecer a Lusilene e a Gláucia.

É tão bonito ver como Deus reúne pessoas diferentes, com histórias diferentes, culturas diferentes, religiões diferentes, que partilham da mesma dor e se unem para compartilhar suas lágrimas, seus desafios, suas descobertas. Cada uma está em um momento: algumas já perderam seus anjinhos e estão em luto; outras estão com eles no ventre.

Desde que nos conhecemos, tem sido um tempo de aprendizado. Existem poucos relatos sobre a Síndrome de Body Stalk. Então, vamos descobrindo realidades que a medicina ainda não souber descrever. Muito além do que se restringir a uma má formação, essa síndrome esconde uma ligação intensa que existe entre a mãe e o filho(a).

Um belo dia, conversando com a Thamirys, percebemos como nossos anjinhos Francisquinho e Olívia tinham algo em comum: embora tivessem a limitação do cordão umbilical curto, eles se mexiam tanto. Francisquinho tinha uma forma tão carinhosa de me acordar às 6h da manhã. Mexia seu pezinho delicadamente no pé da minha barriga. Ali, eu sentia que precisava comer algo. Era como se ele me dissesse: “mamãe, quero comer”. Quando alguém tocava na minha barriga, Francisquinho também mexia. Meu filho, com certeza, era uma pessoa extrovertida. Gostava de dizer “oi” para todos que vinham falar com ele.

Certa vez, uma colega de serviço, que não sabia da Síndrome, ficou impressionada com os movimentos dele. Comentou com os outros colegas de trabalho: “Francisquinho mexe muito”. Quero ressaltar que essa constatação eu não li em nenhum lugar. Foi a experiência da gestação que me proporcionou essa descoberta. E só me atentei a isso, ao partilhar com a Thamirys, que passava pela mesma situação.

Outro fato que sempre me chamou a atenção foi a música. Já tinha lido sobre o quanto a música faz bem às crianças na gestação. O que quero narrar é que uma mãe deve seguir o instinto do seu coração. Eu , em toda minha vida, não havia escutado músicas em latim. Em um dado momento da gestação, veio ao meu coração: ponha músicas para Francisquinho ouvir. Então, entrei no youtube para escolher algumas. Passeando entre músicas clássicas, canto gregoriano, deparei-me com as músicas em latim. E vi o quanto aquele som despertou uma sensação de bem-estar. Selecionei algumas e pedi ao meu esposo que transformasse em formato mp3. André, atencioso, atendeu meu pedido e compartilhou as músicas em uma pasta intitulada “Francisquinho´s music”.

A partir daquele dia, depois que comecei a ouvir as tais músicas em latim, percebi que Francisquinho ficava quietinho. Era como se aquele som provocasse nele uma sensação tão boa, que ele tinha que ficar parado para curtir o momento. E ficávamos ali, mãe e filho, ouvindo músicas em latim.

Dentre essas músicas, uma me deixava tão feliz, que eu partilhei com o André. Passamos então a ouvi-la os 3 em família. Essa música tem como título “Benedicat tibi dominus“. Uma tarde, André mandou para mim a história da música, que compartilho com vocês abaixo:

Meu filho chamava-se Francisco. Eu me identifiquei com uma música feita por São Francisco para um de seus frades: Frei Leão. Amo essas providências divinas. Percebem como é importante seguir o coração? Eu jamais conheceria essa história se não tivesse seguido a intuição. Da mesma forma, o André foi dócil ao que veio em seu coração e foi procurar quem havia composto essa música.

Voltando a importância de partilhar o que vivemos, eu me dei conta que as crianças com essa Síndrome gostam MUITO de música. Não tenho nada científico que comprove o que eu digo (hehe), mas tenho a experiência do que vivi com o Francisquinho. Tenho a partilha da Thamirys com a Olívia. E, sinceramente, a vida para mim ensina tanto quanto um livro. Até porque livros foram escritos após a vivência de fatos, não é mesmo?

Quem sabe, um dia, alguém prova o que Thamirys e eu vivenciamos quanto à música. Por hoje, é isso que vem no coração para contar a vocês. Paz e bem!

Fonte:Youtube – Maravilhosa execução do Coral de Crianças de “Benedicat tibi Dominus – Bênção para Irmão Leão”. Natal 2008

Partilha de um casal com filho anencéfalo

Paulo e Márcia Tominaga, casados, dividem a experiência com o segundo filho, Felipe, nascido com anencefalia. O diagnóstico, a reação da família, a falta de informação, o despreparo dos casais, a postura das médicos e afins, são tratados nesse vídeo compartilhado no Youtube no ano de 2012.

Vale a pena assistir

Fonte: Além da notícia Brasília: https://www.youtube.com/watch?v=5NgRlrODY6A&feature=youtu.be

Compartilhamos experiências com o intuito de acrescentar a discussão sobre como lidar com a má formação de um filho. Quando se ouve alguém que passou por uma situação tão difícil, podemos tirar o que pode ser bom para quem passa pela experiência com a Síndrome de Body Stalk. 
Colocamos abaixo alguns trechos da entrevista, que podem nos ajudar na reflexão de como lidar quanto a um assunto tão delicado. Mas, aconselhamos que se ouça o vídeo na íntegra. É muito enriquecedor!

#refletindo

“Quando temos uma situação em que temos uma criança que não corresponde a expectativa que as outras pessoas possuem, pode gerar um sentimento que os pais cometeram algum erro. De uma certa forma, eles não cumpriram bem sua missão, seu papel. E não é verdade. Cada um de nós está aberto a receber os filhos na condição que vier. <….> “

“O principal apoio que uma família precisa em uma circunstância como essa é que os filhos sejam respeitados. Que haja carinho, que haja apoio. E não um apoio frio, mas um apoio caloroso. Que as pessoas compreendam que não vão fingir que não há problema. Não é esse o caso. Mas que vão reconhecer que, com os problemas, os filhos são amados da forma que são“.

“Começaram a falar que o bebê anencéfalo é um monstro. Não é um monstro; é um ser humano, é um filho! <…> Não vou dizer que a mulher não sofra muito. Cada uma tem um sofrimento, cada uma tem o seu apoio, cada uma tem a sua bagagem psicológica. Realmente, quanto a este aspecto, cada qual tem a sua experiência”.

“‘Às mulheres que desejam manter as suas gestações, parecem que há uma pressão para que elas façam o aborto. Eu mesma, quando estava grávida do Felipe, com 8 semanas de gestação, ouvi de uma médica por que eu ainda estava grávida, quando ela soube que eu carregava no meu ventre um bebê anencéfalo”.

Mãe se recusa a abortar bebê com anomalia e filho nasce perfeito

Após a aprovação da lei que permite o aborto até o nascimento em Nova York, mães de diversas partes dos Estados Unidos passaram a compartilhar suas histórias de vida a fim de incentivar outras mulheres a não abortarem.

Uma delas é Kate Mckinney, que já era mãe de três filhas até engravidar novamente em março de 2018. Ela e seu marido, Bobby, estavam animados em ver a família aumentar, mas enfrentaram um grande desafio após o exame para descobrir o sexo do bebê.

“Naquele dia, não só descobrimos que iríamos ter um menino, mas também descobrimos que nosso bebê tinha uma anomalia, e precisávamos consultar um especialista imediatamente”, disse Kate no sábado (2), em uma publicação no Facebook.

“A única informação que tivemos foi que havia algum fluido na parte de trás do pescoço dele que poderia ser várias coisas diferentes, mas nenhuma delas era boa. Nós deixamos o médico naquele dia bastante arrasados”, acrescentou.

Com 18 semanas de gestação, Kate consultou um médico especialista e soube que o fluido na parte de trás do pescoço era tão grande que o bebê não sobreviveria. “Não havia nenhuma chance. Ele tinha um higroma cístico. Isso significa que ele poderia ter trissomia, um defeito estrutural ou seus órgãos poderiam não se desenvolver adequadamente”.

Diante do diagnóstico, o médico tentou convencer Kate a abortar. Sua reação foi se derramar em lágrimas, mas sua decisão estava tomada. “Eu disse a ele que não havia como abortar. Ele me falou sobre os riscos de continuar com a gravidez e o que aconteceria durante uma morte fetal. Ele ainda estava tentando me convencer a abortar”, ela lembra.

Quando Kate foi encaminhada para fazer um exame de sangue, a fim de descobrir a causa do fluido, uma enfermeira trouxe uma palavra de fé. “Ela gentilmente colocou a mão no meu braço, olhou nos olhos e disse: ‘Apenas tenha fé. Nada é impossível para Deus’. Em um consultório médico, onde parecia que eles estavam distribuindo pirulitos com abortos, essa mulher era um anjo. Eu sei que Deus a colocou lá naquele dia para me dizer isso. Eu precisava ouvir isso. O nome dela era Whitney, e nunca mais a vi naquele consultório médico nas mais de 20 vezes que estive lá. Ela foi meu anjo naquele dia”.

Teste de fé

A cada semana, Kate ia ao consultório e lidava com a insistência dos médicos no aborto. “Nós oramos muito. Eu pedi a Deus por um milagre na noite anterior à minha consulta de 26 semanas”, ela conta.

Na consulta, o técnico de ultra-som não mediu o tamanho do higroma cístico e Kate temeu receber uma má notícia. No entanto, uma médica que a atendeu pela primeira vez, disse de maneira doce e suave: não há mais nada para medir.

O parto de Kate aconteceu em 5 de novembro do ano passado. Seu filho nasceu em perfeito estado. “Os médicos ficaram chocados. Tanto que eles fizeram o máximo de exames possíveis tentando descobrir algo que poderia estar errado com ele. Todos deram negativo”, celebra a mãe.

O único problema que o bebê tem é um pequeno sopro cardíaco, algo comum e que se ajusta sozinho. “Isso é tudo. O bebê que tinha 0% de chance de sobrevivência está aqui e é saudável”, destacou.


O parto de Kate Mckinney aconteceu em 5 de novembro de 2018 e seu filho nasceu em perfeito estado. (Foto: Reprodução/Facebook)

“Acredito firmemente que minha fé foi testada durante esta gravidez. Deus queria ver se eu faria o impensável e concluiria Seu plano. Ele queria ver se eu creria Nele para curar nosso bebê. Rapaz, estou feliz por ter feito isso”, disse Kate.

Eu escolho a vida. Ontem, hoje e amanhã. Vou orar por Nova York e pelos líderes que tomaram essa decisão. Como eu sei muito bem, nada é impossível para Deus”, ela completou.

Fonte: https://guiame.com.br/gospel/noticias/mae-se-recusa-abortar-bebe-com-anomalia-e-filho-nasce-perfeito-nos-oramos-muito.html

O sonho da maternidade

Eu me chamo Mariana, natural de Brasília, casada. Sempre gostei de crianças. É interessante perceber como a maternidade é algo latente na personalidade da mulher. E não trato apenas da parte biológica, mas também da espiritual. A mulher tem um coração voltado para o outro.

Quando comecei a ficar adolescente, passei a me questionar qual seria meu estado de vida: vida consagrada a Deus em algum instituto religioso ou vida casada. Infelizmente, a figura masculina era algo (negativamente) marcada em minha história, pois meu pai possuía vícios com a bebida e o cigarro. Dessa forma, eu possuía uma imagem negativa quanto aos homens casados.

Fui perceber isso quando me abri a procurar ajuda psicológica. Infelizmente, há muito preconceito e eu era uma dessas pessoas que achavam que psicólogo era coisa de gente problemática. Ao mergulhar na minha história, fui percebendo que havia muitos pontos a serem reconciliados e curados.

Nesse caminho em direção à minha cura afetiva, a vocação ao matrimônio foi ficando mais clara para mim. Uma vez, um padre me disse: “Quando Deus nos chama a uma vocação, Ele dá sinais claros da sua vontade a nosso respeito“. E eu fui percebendo que essa era a minha vocação: queria ter alguém para dividir a vida, ter filhos, ser família.

Mas meu caminho passou por muitas tribulações até o dia do meu casamento. Minha vida afetiva foi muito provada. Eu me interessava por rapazes e eles por mim, porém, a história não se desenvolvia. Havia algo errado. E eu ficava questionando a Deus o que poderia ser.

Havia uma certeza no meu coração: se o matrimônio era minha vocação, eu precisava me preparar para isso, buscar a cura e por em oração. Precisava fazer a minha parte, porque sabia que Deus sempre faz a parte Dele.

Não é fácil o caminho da espera. Somos tentados a deixar para trás nossas convicções e as certezas que Deus põe em nosso coração, quando o tempo vai passando e as promessas do Senhor demoram a se cumprir. Mas, por graça divina, eu me mantive firme nas certezas que trazia: eu queria me casar com um homem de coração bom e temente a Deus. Havia outras características, mas Deus foi me mostrando que eu precisava me prender ao essencial.

Da adolescência a vida adulta, de uma experiência missionária por 10 anos, do retorno para minha cidade natal, Deus foi me formando como mulher, pois para encontrar um homem bom eu precisava ser boa. Santo Pe. Pio de Pietrelcina costumava dizer: “A bondade atrai as pessoas“.

Em novembro de 2014, comecei a conversar com um rapaz do Sul, André, pela internet. Conversamos por 1 mês online e nos encontramos no dia 08 de dezembro daquele ano: dia da Imaculada, o dia da Família, e o dia da Justiça!

Começamos a namorar e noivamos um ano depois: 08/12/2015. E nos casamos em 20/05/2017. Já em nosso namoro conversávamos sobre filhos. Algo que sempre existiu em meu coração foi ter uma família com, pelo menos, 2 filhos. Eu sabia que a minha idade já dificultaria a gestação, pois havia me casado com 38 anos.

Então, eu e o André, depois do matrimônio, decidimos nos abrir a gerar uma vida. Entretanto, o tempo foi passando e eu não engravidava. E comecei a ficar angustiada. Nós procuramos um médico especialista em reprodução humana, que nos solicitou uma série de exames. Isso era final de 2017.

E justamente em dezembro de 2017, em Salvador, quando fui para um casamento de uma amiga muito querida, eu tive um sonho, em que Deus me falava que meu filho se chamaria Francisco. Partilhei com o André e guardamos no coração. Nessa época, uma amiga do trabalho, Erine, partilhou a notícia da gravidez dela. E isso trouxe muita alegria no meu coração.

Passou Janeiro, e outra amiga de trabalho, Akemi, também partilhou sua gravidez! Quantas bênçãos estavam acontecendo ao meu redor. Sabia que seria atingida também pela graça da maternidade. Um dia, em fevereiro, passei o final de semana em oração. E Deus me falou para confiar Nele. Senti que era tempo de parar os exames e tranquilizar meu coração.

No dia 6/04/18, eu me senti muito enjoada, com muito sono e senti uma grande vontade de comer frango à passarinho. Essas sensações me chamaram a atenção. A minha menstruação estava atrasada 1 dia e, em vez da borra de café, houve apenas uma gota de sangue. Opa, pensei, posso estar grávida. Meu esposo chegou de viagem nesse dia.

No dia seguinte, André me levou café na cama. Um gesto de carinho para começar bem o dia. Comentei com ele que precisava fazer um exame de sangue para ver como estava minha tireoide. Queria fazer o Beta HCG, mas se contasse para ele, perderia a surpresa.

Fizemos em um laboratório que dá o resultado em 1 hora. Como estávamos perto de um shopping, comprei um mordedor para criança sem o André ver. Era um sábado e minha mãe e meu irmão viriam almoçar conosco. Por isso, voltamos para casa para preparar o almoço.

Quando André estava assando a carne e eu fazendo o arroz, acessei ao computador e para constatei que estava grávida. Chamei o André no quarto e dei a ele o presentinho do mordedor. Ele pegou e ficou olhando para o mordedor, com olhar de surpresa. E eu falei para ele que estava grávida!!! Demos a notícia a minha mãe, meu irmão. Depois aos nossos padrinhos de casamento e amigos mais próximos.

No domingo, fomos a missa. Era Festa da Misericórdia. E não poderia ser diferente: essa gestação era sinal da misericórdia de Deus na minha vida. Concretizava-se o sonho da maternidade biológica na minha vida.

Mensagem do Papa Francisco no 27º Dia Mundial do Enfermo

Queridos irmãos e irmãs!

«Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8): estas são palavras pronunciadas por Jesus, quando enviou os apóstolos a espalhar o Evangelho, para que, através de gestos de amor gratuito, se propagasse o seu Reino.

Por ocasião do XXVII Dia Mundial do Doente, que será celebrado de modo solene em Calcutá, na Índia, a 11 de fevereiro de 2019, a Igreja – Mãe de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos doentes – lembra que o caminho mais credível de evangelização são gestos de dom gratuito como os do Bom Samaritano. O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos é «querido».

A vida é dom de Deus, pois – como adverte São Paulo – «que tens tu que não tenhas recebido?» (1 Cor 4, 7). E, precisamente porque é dom, a existência não pode ser considerada como mera possessão ou propriedade privada, sobretudo à vista das conquistas da medicina e da biotecnologia, que poderiam induzir o homem a ceder à tentação de manipular a «árvore da vida» (cf. Gn 3, 24).

Contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-me afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas. Como pressuposto do dom, temos o diálogo, que abre espaços relacionais de crescimento e progresso humano capazes de romper os esquemas consolidados de exercício do poder na sociedade. O dar não se identifica com o ato de oferecer um presente, porque só se pode dizer tal se for um dar-se a si mesmo: não se pode reduzir a mera transferência duma propriedade ou dalgum objeto. Distingue-se de presentear, precisamente porque inclui o dom de si mesmo e supõe o desejo de estabelecer um vínculo. Assim, antes de mais nada, o dom é um reconhecimento recíproco, que constitui o caráter indispensável do vínculo social. No dom, há o reflexo do amor de Deus, que culmina na encarnação do Filho Jesus e na efusão do Espírito Santo.

Todo o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. Também esta é uma condição que carateriza o nosso ser de «criaturas». O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável à existência.

Esta consciência impele-nos a uma práxis responsável e responsabilizadora, tendo em vista um bem que é indivisivelmente pessoal e comum. Apenas quando o homem se concebe, não como um mundo fechado em si mesmo, mas como alguém que, por sua natureza, está ligado a todos os outros, originariamente sentidos como «irmãos», é possível uma práxis social solidária, orientada para o bem comum. Não devemos ter medo de nos reconhecermos necessitados e incapazes de nos darmos tudo aquilo de que teríamos necessidade, porque não conseguimos, sozinhos e apenas com as nossas forças, vencer todos os limites. Não temamos este reconhecimento, porque o próprio Deus, em Jesus, Se rebaixou (cf. Flp 2, 8), e rebaixa, até nós e até às nossas pobrezas para nos ajudar e dar aqueles bens que, sozinhos, nunca poderíamos ter.

Aproveitando a circunstância desta celebração solene na Índia, quero lembrar, com alegria e admiração, a figura da Santa Madre Teresa de Calcutá, um modelo de caridade que tornou visível o amor de Deus pelos pobres e os doentes. Como dizia na sua canonização, «Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. (…) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes (…) da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a “luz” que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento. A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres» (Homilia, 4/IX/2016).

A Santa Madre Teresa ajuda-nos a compreender que o único critério de ação deve ser o amor gratuito para com todos, sem distinção de língua, cultura, etnia ou religião. O seu exemplo continua a guiar-nos na abertura de horizontes de alegria e esperança para a humanidade necessitada de compreensão e ternura, especialmente para as pessoas que sofrem.

A gratuidade humana é o fermento da ação dos voluntários, que têm tanta importância no setor socio-sanitário e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano. Agradeço e encorajo todas as associações de voluntariado que se ocupam do transporte e assistência dos doentes, aquelas que providenciam nas doações de sangue, tecidos e órgãos. Um campo especial onde a vossa presença expressa a solicitude da Igreja é o da tutela dos direitos dos doentes, sobretudo de quantos se veem afetados por patologias que exigem cuidados especiais, sem esquecer o campo da sensibilização e da prevenção. Revestem-se de importância fundamental os vossos serviços de voluntariado nas estruturas sanitárias e no domicílio, que vão da assistência sanitária ao apoio espiritual. Deles beneficiam tantas pessoas doentes, sós, idosas, com fragilidades psíquicas e motoras. Exorto-vos a continuar a ser sinal da presença da Igreja no mundo secularizado. O voluntário é um amigo desinteressado, a quem se pode confidenciar pensamentos e emoções; através da escuta, ele cria as condições para que o doente deixe de ser objeto passivo de cuidados para se tornar sujeito ativo e protagonista duma relação de reciprocidade, capaz de recuperar a esperança, mais disposto a aceitar as terapias. O voluntariado comunica valores, comportamentos e estilos de vida que, no centro, têm o fermento da doação. Deste modo realiza-se também a humanização dos tratamentos.

A dimensão da gratuidade deveria animar sobretudo as estruturas sanitárias católicas, porque é a lógica evangélica que qualifica a sua ação, quer nas zonas mais desenvolvidas quer nas mais carentes do mundo. As estruturas católicas são chamadas a expressar o sentido do dom, da gratuidade e da solidariedade, como resposta à lógica do lucro a todo o custo, do dar para receber, da exploração que não respeita as pessoas.

Exorto-vos a todos, nos vários níveis, a promover a cultura da gratuidade e do dom, indispensável para superar a cultura do lucro e do descarte. As instituições sanitárias católicas não deveriam cair no estilo empresarial, mas salvaguardar mais o cuidado da pessoa que o lucro. Sabemos que a saúde é relacional, depende da interação com os outros e precisa de confiança, amizade e solidariedade; é um bem que só se pode gozar «plenamente», se for partilhado. A alegria do dom gratuito é o indicador de saúde do cristão.

A todos vos confio a Maria. Que Ela nos ajude a partilhar os dons recebidos com o espírito do diálogo e mútuo acolhimento, a viver como irmãos e irmãs cada um atento às necessidades dos outros, a saber dar com coração generoso, a aprender a alegria do serviço desinteressado. Com afeto, asseguro a todos a minha proximidade na oração e envio-vos de coração a Bênção Apostólica.

Fonte:https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/mensagem-papa-francisco-para-o-dia-mundial-enfermo-2019/

Pedimos ao Senhor que, neste dia dedicado aos enfermos, olhai por todas as crianças com a Síndrome de Body Stalk e demais enfermidades. Tende compaixão das famílias que passam por esse tipo de situação.

Mãe que perdeu bebê com 13 semanas se impressiona com humanidade do nascituro

Jessica Smith sempre se considerou uma pró-vida convicta. Mas, com 29 anos e 4 filhos, essa mãe de família estava totalmente despreparada para o choque que seria ver o corpo do seu quinto filho, morto por aborto espontâneo.

Perguntada pelo médico se queria ver o bebê, ela imaginava presenciar apenas alguns resíduos. “Àquela altura da gravidez, eu esperava que me fossem entregues apenas alguns amontoados de tecidos. Mas, ao contrário, deram-me um bebezinho perfeitamente formado”, ela relata, em entrevista exclusiva ao LifeSiteNews.com. “Ele meio que nos deixou chocados. As enfermeiras só sabiam dizer: Ele é tão perfeito, ele é tão perfeito.”

Foi em abril que Jessica e o seu marido, Ray, descobriram que estavam esperando outro filho. Entusiasmado, o casal logo começou a fazer planos para acomodar o novo membro da família. Dessa vez, eles teriam que comprar aquela van grande que já estavam adiando o quanto podiam. 

Mas, no meio de julho, Jessica sofreu uma hemorragia. “Acordei sentindo muita dor e havia uma piscina de sangue em minha volta, na cama. Sabia que, provavelmente, aquele não era um bom sinal”, diz Jessica, que começou a temer por um segundo aborto espontâneo.

Como seu marido tinha passado a noite perto do trabalho, a cerca de uma hora de casa, a mãe de Jessica foi ao seu encontro, de carro, para levá-la ao hospital. O filho mais velho do casal foi deixado na casa de um amigo, enquanto as duas mais novas acompanharam a mãe e a avó ao hospital.

Na chegada, o médico confirmou o maior medo de Jessica:

“Levaram-me para uma sala de ultrassom para checarem a criança. Quando vi a tela preta vazia, sabia o que aquilo significava. Àquele ponto, eu tinha a impressão de que meu bebê provavelmente já tinha saído com a hemorragia. Imaginei que não tivesse notado, simplesmente, que ele tinha caído pelo ralo, algo do tipo. Só de pensar nisso o meu coração já se desfez.”

Quando o médico disse a Jessica que ela precisava fazer o parto do seu filho, a princípio ela não entendeu o que aquilo significava. “O médico explicou que o bebê tinha ficado no meio do caminho e ainda não estava totalmente fora”, ela conta.

Ainda dentro da seção de ultrassom, o médico ajudou Jessica a ter a criança. Era um menino, e a mãe ficou surpresa ao descobrir que era possível saber o sexo do bebê, mesmo com tão pouco tempo de vida.

Com o filho nas mãos, Jessica afirmou que, mesmo em meio ao seu sofrimento, era uma alegria poder contemplar de perto aquele bebezinho. Ele tinha os dedos das mãos e dos pés perfeitamente formados. Mesmo que muito pequenos, era possível distinguir bem os ouvidos, o nariz e a boca. Nessa fase, o seu fígado e rins estariam em pleno funcionamento, e os sistemas do seu corpo estariam completamente formados, precisando apenas da segurança do ventre materno para que se desenvolvessem até atingirem a própria independência. 

“Eu não estava esperando ver um bebê assim. Sempre acompanho as minhas gestações com aqueles aplicativos de bebê no celular, mas nem eles conseguiram indicar quão perfeitamente humano meu filho parecia. Sempre fui pró-vida, mas nem eu imaginava como um feto de 13 semanas poderia ser”, ela diz.

Depois, com a chegada do pai, a família deu ao bebê o nome de Noah Israel, os dois personagens do livro do Gênesis. ( Noah é “Noé” em inglês.)

As duas filhas mais novas do casal, então, foram chamadas para dentro da sala, para dizer ‘olá’ e se despedirem de seu irmãozinho:

“Quando minha menina de dois anos, Maycee, viu Noah deitado ali, ela não disse: ‘Ó, mamãe, é um punhado de células’. Não, ela disse: ‘Olha, mamãe, é um bebê’. E eu disse: ‘Eu sei, meu anjo, eu sei.’

A família viveu junta o luto pela perda de Noah. Se tivesse completado o tempo da gestação, ele teria nascido no mês passado, no dia 13 de janeiro. Mesmo com o pouco tempo de vida, porém, Jessica acredita que a vida de Noah não foi em vão – tinha um sentido e um propósito.

“Noah me mostrou quão ‘humanos’ esses pequeninos realmente são”, ela conclui.“Quando você olha para ele e vê quão perfeitamente humano ele era, como alguém pode dizer que o aborto é uma boa decisão? Está na hora de remover o véu e abrir as cortinas, a fim de que as pessoas sejam capazes de enxergar a humanidade do nascituro e como o aborto realmente destrói uma vida humana.”

Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/mae-que-perdeu-bebe-com-13-semanas-se-impressiona-com-humanidade-do-nascituro

Camila, meu raio de sol

Meu nome é Lusilene, tenho 34 anos, casada, mãe da Laura de 4 anos e da Camila; no momento, em uma gestação de 20 semanas. A Laura veio de uma gestação perfeita, nasceu perfeita e cheia de saúde. Planejamos ter outro filho quando ela estivesse com 4/5 anos. E assim foi feito.

Eu usava DIU de cobre. Então, conversei com a ginecologista e o retirei em Setembro de 2018. Em outubro, descobri que estava grávida. Iniciei o pré-natal e comecei a fazer todos os exames necessários.

Logo no início, tive um sangramento. Fiz um ultrassom e estava tudo bem. Fiz repouso e segui minha vida normalmente. Retornei na consulta com o resultado dos exames de sangue e permanecia tudo bem.

A médica pediu a morfológica de primeiro trimestre. Fui fazer no Centro Paulista de Medicina Fetal. A demora durante o exame me deixou apreensiva. E descobri que meu bebê tinha uma síndrome rara chamada Síndrome de Body Stalk.

E assim começou a difícil e árdua batalha pra encontrar médicos que me dessem alguma esperança. Em cada um que passava, tudo só piorava. Fui encaminhada a um geneticista, que nos orientou a fazer alguns exames como o cariótipo e nos alertou dos riscos desse exame. Se não desse nada no cariótipo, faria outros tipos de exames de mapeamento genético.

Meu esposo questionou ao geneticista sobre a imagem, porque nos ultrassons anteriores não dava para ver bem. E o geneticista disse que faria também novamente outro ultrassom. E assim foi feito outro ultrassom, com o médico geneticista confirmando o sexo e também a Síndrome de Body Stalk. Um detalhe: nesse exame, a Camila ficou quietinha, bem diferente dos outros dois ultrassons. Era como se ela me dissesse: “mamãe, vou mostrar cada detalhe para você e o papai”. Ela é bem agitada e esse foi o único ultrassom que eu fiz em que ela ficou quietinha, esticadinha, para a gente ver tudo.

Após a constatação da Síndrome, o geneticista riscou todos os exames que ele mesmo havia aconselhado a fazer. Confirmou realmente o Body Stalk e afirmou que qualquer exame a mais seria muito invasivo e só me traria mais sofrimento. E afirmou como profissional que a Síndrome de Body Stalk não é genética e sim de má formação.  Vejo que o fato de ter a minha primeira gestação sem qualquer problema também evidencia isso. Também disse que se quisesse ter outros filhos, que não me preocupasse em fazer exames genéticos, porque não seria isso o determinante para ter a gestação normal.

Bem, estamos aqui, nem sempre tão firmes, nem sempre tão fortes, mas vivendo um dia de cada vez, e como se nenhum perigo nos rondasse. Deus é por nós, quem será contra nós?

Deus abençoe a cada pessoa que venha a ler este relato.

Lusilene
Mãe da Laura e da Camila 

Olívia: minha pequena

Bom,eu me chamo Thamiris Pereira. Passei por essa experiência com minha filhinha. Agora minha menina está na céu. Ela chamava-se Olívia.

Minha gravidez já não estava tão bem desde o começo:   eu passava mal com estresse e outras situações, o que tornou minha gestação mais difícil. Quando eu achava  que estava acabando meu enjoo, perto do quarto mês, o mal-estar piorou. Fiz ultrassom e descobri que minha filha estava com uma má formação. Porém, não sabiam o que era exatamente.

A partir daí, veio a preocupação e o desejo de querer saber o que realmente minha pequena tinha. Comecei a ficar angustiada e quando fui fazer novamente outro ultrassom, com 22 semanas, descobri que Olívia possuía a Síndrome de Body Stalk.

Todos os sonhos que eu estava na minha cabeça, simplesmente, desapareceram. Fiquei muito mal; meu mundo desabou, minha vida virou de cabeça para baixo; mesmo não querendo chorar, senti um vazio muito grande.

Com o passar do tempo, meu psicológico piorou: queria aceitar, mas ficava mal lutando para a angústia não voltar.

Interessante: embora houvesse a angústia por causa da Síndrome que Olívia possuía, meu amor por ela aumentava. Cada movimento era lindo e maravilhoso para mim.

Durante 2 semanas, percebi que os movimentos de Olívia estavam diminuindo. Isso me deixou muito para baixo. Sabia que algo não estava certo. E quando completou 24 semanas, o médico diagnosticou que Olívia não estava mais viva.

Fui encaminhada ao hospital para ser feito o parto normal induzido. Fiquei lá 4 dias, pois meu corpo não estava reagindo muito bem. Comecei a rezar, para que o corpinho da minha princesa saísse, porque sabia que, embora não estivesse mais comigo viva, estava no céu.

Agradeço muito a Deus por essa experiência: pensei que não sairia dessa situação, mas aos poucos, estou voltando ao meu normal. Não é fácil passar por isso quando se tem 21 anos. É uma experiência e tanto, mas fico com os momentos felizes e especiais com a Olívia. Sei que foi bem complicado, mas não havia risco para mim e sempre quis levar a gravidez até o fim.

Não me arrependo de nada: foi uma grande experiência. Estou feliz que minha pequena esteja com papai do céu.

Thamiris mora em Caçapava, São Paulo, tem um filho de 4 anos, que se chama Thiago, e Olívia foi a segunda gestação. Agora, Thiago e Olívia são seus filhos, para sempre!

“Onde há vida, há esperança”

Segundo o ACI Digital (04/02/2019), o Papa Francisco voltou a se posicionar contra o aborto no último sábado, 2 de fevereiro de 2019, e assegurou que “apagar voluntariamente a vida no seu desabrochar é, em todos os casos, uma traição à nossa vocação, além do pacto que liga reciprocamente as gerações, pacto que permite olhar adiante com esperança.

Durante uma audiência no Vaticano com o Movimento pela Vida, o Santo Padre enfatizou que “onde há vida, há esperança. Mas se a própria vida é violada quando surge, o que resta já não é o recebimento agradecido e maravilhado do presente, mas um cálculo frio do que temos e do que podemos dispor”.

No entanto, afirmou que “aqueles concebidos são filhos de toda a sociedade, e seu assassinato em grande número, com a aprovação dos Estados, constitui um grave problema que prejudica na base a construção da justiça, comprometendo a solução adequada de qualquer outra questão humana e social”.

Então, também a vida é reduzida a um bem de consumo, para usar e jogar fora, para nós e para os outros. Quão dramática é essa visão, infelizmente difundida e enraizada, também apresentada como um direito humano, e quanto sofrimento isso causa aos mais débeis de nossos irmãos!

O Papa recordou que “cuidar da vida exige que se faça isso durante toda a vida e até o fim. Também, exige-se que se coloque toda a atenção às condições de vida. A saúde, a educação, as oportunidades de trabalho, e assim por diante; por fim, tudo o que permite a uma pessoa viver de modo digno”.

Estas afirmações do Papa foram feitas na véspera da celebração do Dia da Vida, na Itália, uma “oportunidade de dirigir um chamado a todos os políticos, para que, independente das convicções de fé de cada um, coloquem como prioridade do bem comum a defesa da vida dos que estão para nascer e fazer parte da sociedade, à qual devem trazer novidade, futuro e esperança”.

Francisco concluiu seu discurso pedindo que o Dia da Vida, que foi comemorado no domingo, 3 de fevereiro, “traga um sopro de ar fresco, permita que todos reflitam e se envolvam generosamente, começando com as famílias e pessoas que têm papéis de responsabilidade a serviço da vida”.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticias/papa-sobre-aborto-e-um-assassinato-que-nao-se-pode-apresentar-como-direito-humano-60680

Conhecendo um pouco da Síndrome

A anomalia conhecida como Body Stalk é uma malformação fetal grave, ocorrendo em média em uma a cada quinze mil gestações. O feto apresenta:
*ausência do cordão umbilical ou encurtamento do cordão umbilical,
* defeito na parede abdominal com órgãos abdominais fora desta cavidade e diretamente ligados à placenta,
* e defeito grave na coluna vertebral.

Infelizmente, ainda não há conduta médica terapêutica capaz de reverter esta condição durante ou após o parto. O conjunto das más formações que o feto possui é incompatível com a sobrevida extrauterina.

Não há muita literatura sobre o assunto, infelizmente. E a Ciência não é determinante quanto ao tempo que a criança possa manter-se viva na barriga da mãe ou fora dela.

O que já se sabe é que essa Síndrome não é genética. Uma excelente notícia: mães que engravidaram novamente tiveram filhos saudáveis. Não há indicação para realizar amniocentese, pois quase todos os casos são cariotipicamente normais.

Infelizmente, na maioria dos casos, alguns médicos recomendam o aborto como única forma de lidar com essa situação. Porém, aqui iremos compartilhar nossa trajetória, mostrando que é possível viver a gestação e fazer dessa experiência um grande aprendizado.

Paz e bem!
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Inspiração

A gente nunca pensa em receber uma notícia ruim em meio a uma gestação, o que é perfeitamente normal, tendo em vista que o coração humano é voltado para a esperança.

Porém, muitas mulheres grávidas se deparam todos os dias com uma notícia que pode soar desagradável aos ouvidos: seu filho tem mal formação. E aqui, neste blog, iremos compartilhar nossa trajetória com a Síndrome de Body Stalk, pois a dor dividida torna-se suportável e mostra uma opção de caminho a seguir.

Estamos no instagran: @bodystalk e no facebook: @bodystalk. Acompanhe-nos por lá!

Paz e bem