Minuto da Sabedoria – Presença
Seja presente na vida das pessoas. A sua ausência deixará os outros demasiadamente tristes.
Minuto da Sabedoria – Plantar
Minuto da Sabedoria – Perdão
Minuto da sabedora – Tristeza
Minuto da Sabedoria – Hoje
Minuto da Sabedoria – Vigiai
Minuto da Sabedoria – Amor
Sem amor nada seriamos!
Minuto da Sabedoria – Fé
A fé move montanhas!
Minuto da Sabedoria – Bondade
Tenhamos um coração generoso.
Minuto da Sabedoria – Alegria
A alegria é fonte de vida, o combustível para a nossa caminhada.
Minuto da Sabedoria – Possibilidades
A nossa vida é um campo com muitas possibilidades, o brilho do olhar o nosso direcionador. Mas sem fé e persistência o nosso sonho irá esmorecer.
Minuto da Sabedoria – Preocupação
Algo que se tornou constante na vida de muitas pessoas, ainda mais em tempos de instabilidades e incertezas. Apreciem o Minuto da Sabedoria de hoje e reflitam. A cada dia basta o seu cuidado!
Paz e Bem!
Minuto da Sabedoria – Verdade
Aprecie sem moderação.
Minuto da Sabedoria: soberba

Minuto da Sabedoria – Ansiedade
Olá! Dando continuidade ao Minuto da Sabedoria hoje falaremos sobre a Ansiedade. Boa reflexão a vocês!
Minuto de Sabedoria – Caridade

Minuto da Sabedoria
Vamos começar o projeto “Minuto da Sabedoria”, com o intuito de cuidar da nossa alma. Esperamos que apreciem.
Paz e bem
Dia internacional de conscientização sobre a perda gestacional e a perda infantil: 15 de outubro


O que é mais difícil dizer?
1- Eu te amo
2 – Eu estava errado: me desculpe
3 – Preciso de ajuda
4- Eu admiro você
5- Não
Hoje é dia do nascituro: celebremos esse dia!
O nascituro é o ser já concebido mas que ainda está no ventre materno. O dia do Nascituro tem o objetivo de conscientizar as pessoas sobre os riscos que as crianças correm desde a sua concepção até o nascimento.
Vamos valorizar a vida? Instagram: @bodystalk, Youtube: Apoio aos Pais de Body Stalk https://studio.youtube.com/channel/UCJShxFp9CxOJwfcJ4oWtG3A
Relato de uma mãe sobre o seu filho no céu
Essa é a mamãe do Gabriel, que hoje é um filho no céu. Obrigada Alessandra Xavier pelo seu testemunho de amor. Veja esse Relato. Ela autorizou compartilhar.
“Gabriel hoje me visitou pelos olhinhos da irmãzinha Jéssica.
Entre conversas, sorrisos e aprendizados durante a tarde pude ver nos olhinhos de Jéssica, os olhinhos de Gabriel, me lembrei dos seus olhos lindos ainda com o brilho da vida que tinha acabado de triunfar.
Nasceu para a glória do Senhor, cercado de amor, presença de Deus e rodeado de anjos.
Deus em sua infinita bondade nos presenteou com um momento único, intenso e cheio do sobrenatural de Deus. Pude fechar seus olhinhos e deixar gravado em meu coração o brilho do olhar de quem viveu, foi amado, aguardado e muito esperado. Chegou no seu momento, no seu tempo, desafiou qualquer diagnóstico e qualquer palpite humano para seu percurso. Foi e sempre será o nosso milagre, o resultado de orações e súplicas a um Deus que tudo pode. Um Deus que nos carrega no colo e nos faz merecedores de sua graça.
Gabriel veio trazer vida, veio ensinar que a vida deve ser preservada, amada e defendida.
Gabriel veio para ser mensageiro, para ser a força de Deus, para ser gente, para ser anjo.
Somos agraciados porque no céu vive um anjo com o nosso sangue, com nossas características genéticas, nosso pedacinho formado no amor e entrega. Somos agraciados porque você Gabriel veio para ser luz e vida.
Orgulho de ser sua mãe!
Com amor, Alessandra Xavier.”

Inversão de valores
Triste ver a inversão de valores: coloca-se o aborto como única opção.
Não, o aborto não é a única opção.
Eu sou testemunha disso: seguir com a gestação com síndrome de Body Stalk não causou qualquer prejuízo a minha saúde. Eu agradeço a todos que me apoiaram e me incentivaram a manter a gestação, pois vocês me permitiram entender o que significar amar verdadeiramente. Se precisasse viver novamente, viveria sim! O Francisquinho viveu o tempo necessário para ser eterno em nossos corações Eu não conheço esse padre. Mas ele estará em minhas orações. E todos os que defendem a vida, tem o meu respeito e a minha admiração.
Paz e bem!
E o ipê floriu
No dia 05/09/2020, fomos no cemitério e qual foi nossa surpresa: o Ipê que plantamos floriu. Um mimo do céu para nós!


Partilha da vivência do luto
“A dor compartilhada torna-se uma dor amenizada”
Partilha sobre o nascimento e morte do Francisquinho no You tube no dia 29/07/2020
Põe na agenda: 29/07/2020 às 21:00
Amanhã,29/7/2020, às 21h00, iremos partilhar AO VIVO a nossa experiência sobre o nascimento e morte do Francisquinho no You tube: Apoio aos pais de body stalk
https://www.youtube.com/channel/UCJShxFp9CxOJwfcJ4oWtG3A?view_as=subscriber
Essa partilha saiu do forno agora: sobre encontros e memórias
Mais uma partilha do Youtube sobre a montagem do quarto
Partilha no nosso canal no Youtube sobre nós, os médicos e os franciscanos
Partilha no Youtube sobre o choque do resultado
Mensagem pelo Dia das Mães
Um pouco da nossa história
Criamos um canal no You tube: Apoio aos pais de body stalk
Ana clamou e Deus a escutou
Hoje a liturgia da missa traz a Leitura do livro de Samuel.
Naqueles dias:
Ana levantou-se,
depois de ter comido e bebido em Silo.
Ora, o sacerdote Eli estava sentado em sua cadeira
à porta do templo do Senhor.
Ana, com o coração cheio de amargura,
orou ao Senhor, derramando copiosas lágrimas.
E fez a seguinte promessa, dizendo:
‘Senhor Todo-poderoso,
se olhares para a aflição de tua serva
e te lembrares de mim,
se não te esqueceres da tua escrava
e lhe deres um filho homem,
eu o oferecerei a ti
por todos os dias de sua vida,
e não passará navalha sobre a sua cabeça’.
Como ela se demorasse nas preces diante do Senhor,
Eli observava o movimento de seus lábios.
Ana, porém, apenas murmurava;
os seus lábios se moviam,
mas não se podia ouvir palavra alguma.
Eli julgou que ela estivesse embriagada,
por isso lhe disse:
‘Até quando estarás bêbada?
Vai tirar essa bebedeira!’
Ana, porém, respondeu:
‘Não é isso, meu senhor!
Sou apenas uma mulher muito infeliz;
não bebi vinho, nem outra coisa que possa embebedar,
mas desafoguei a minha alma na presença do Senhor.
Não julgues a tua serva como uma mulher perdida,
pois foi pelo excesso da minha dor
e da minha aflição que falei até agora’.
Eli então lhe disse:
‘Vai em paz,
e que o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste’.
Ela respondeu:
‘Que tua serva encontre graça diante dos teus olhos’.
E a mulher foi embora, comeu
e o seu semblante não era mais o mesmo.
Na manhã seguinte,
ela e seu marido levantaram-se muito cedo
e, depois de terem adorado o Senhor,
voltaram para sua casa em Ramá.
Elcana uniu-se a Ana, sua mulher,
e o Senhor lembrou-se dela.
Ana concebeu e,
no devido tempo, deu à luz um filho
e chamou-o Samuel,
porque – disse ela –
‘eu o pedi ao Senhor’.
1 Samuel 1,9-20
Essa leitura mexe muito comigo quando eu a leio. Ela me marcou antes mesmo do casamento. Inclusive, quando eu já estava na fase adulta, tinha a certeza de que a minha vocação era o matrimônio, mas parecia tudo dar errado, ela reapareceu na minha vida. É interessante como a Palavra do Senhor é atemporal. Em situações distintas, ela tem o poder de nos falar. Essa palavra traz uma certeza: Deus lembrou-se de Ana. Deus a escutou!
Hoje, ao partilhar com a Gilmara, minha madrinha, sobre a liturgia, fizemos memória de como essa liturgia permeou já a minha vida. E ela me fez recordar da música composta em 2010 com esta palavra:
Ao ouvir novamente essa música, meu ser foi sendo conduzido a orar por tantas “Anas” que choram diante de Deus hoje pelos filhos que enterraram, pelos filhos que ainda não chegaram, pelas lutas em seus matrimônios, em suas famílias, clamando por um milagre. Essa música é o grito de Ana, o grito de uma alma que chora diante de Deus. Convido você a rezar com essa música e deixar Deus agir na sua vida e permitir que a Palavra Dele se cumpra na sua vida.
Hoje, eu faço desta música minha oração por você que chora amargamente, com a certeza de que Deus enxugará suas lágrimas e fará a vontade do Pai na sua vida!
2º luto – novo recomeço
Demos a notícia da nova perda gestacional no dia 05.10.2019 : dia dedicado a memória de Santa Faustina. Essa santa teve sua vida marcada pela devoção a Divina Misericórdia. Para quem tiver interesse, vale a pena conhecer sua história – http://www.jesus-misericordioso.com/santa-irma-faustina-biografia.htm. Aqui, começa o nosso luto com a moção a ser vivenciada ao longo desse período: a misericórdia.
Um luto não é igual ao outro. Essa foi a primeira constatação que tivemos. São pessoas diferentes: o luto não será igual, porque os laços são diferentes. E assim foi a primeira decisão que tomamos: o luto desse filho não seria como o do Francisquinho. Embora tivessemos o referencial daquilo que vivemos de bom no luto do Francisquinho, Deus nos concedia outra oportunidade de vivenciar a experiência da perda. E toda perda tem algo a acrescentar: era preciso estar atento.
Nossa segunda decisão foi silenciar: não comentar sobre os pormenores de como aconteceu a perda de mais um filho. E como essa decisão nos fez bem: o silêncio tem a capacidade de acalmar as emoções afloradas. Como a dor é grande nesse momento e o raciocínio é incapaz de acompanhá-la, o silêncio nos permite saborear a dor sem aumentar o sofrimento. Não é um exercício fácil. Estamos tão acostumados ao barulho, a agitação das redes sociais, que se afastar pode exigir uma decisão firme. Porém, decidimos viver um momento mais reservado e foi uma experiência incrível!
No silêncio, rompeu-se a curiosidade de saber o motivo da perda. Isso não é mais importante. Os amigos que se aproximaram nos respeitaram e cuidaram de nós. Ah! Esse cuidado não tem preço. É incrível como o amor tem poder de ressurreição. Realmente, o amor tem nos curado em cada abraço, cada cafuné, cada ligação, cada gesto de amor. Recebi flores, recebi visitas, recebi oração. Gratidão, meus familiares e amigos.
Já tinha vivenciado na perda do Francisquinho alguns ensinamentos como esse de abrir a casa a visita e deixar-se ser cuidado. Mas, nesse luto vivemos um novo aprendizado: orientar as pessoas que nos visitam, porque elas como nós não sabem como agir ou o que fazer. E, de forma muito simples, dizíamos a quem nos procurava que nossa casa estava aberta, que gostaríamos de visita e a única ressalva era não comentar os motivos da perda. A verdade na caridade é o grande aprendizado. Isso tornou esse início de luto mais suave.
Sabíamos a importância de reconhecer esse filho. Embora tenha ficado entre nós de forma tão curta, ele precisa ser reconhecida na história da família. Por isso, como fizemos com o Francisquinho, rezamos e demos um nome: Maria da Conceição. Muitos podem não entender: como podem dar o nome se nem sabem o sexo? Aqui é um exercício de fé: há certezas que surgem em oração que não precisam de comprovação. E o mais importante é que essa filha tenha seu espaço na família e que os irmãos conheçam sua história.
Outra experiência foi aceitar as reações do organismo depois da perda gestacional. Eu tive algumas reações: vômito, diarreias, hemorroidas. O silêncio e a oração trouxeram uma paz a minha alma, que eu passei a ver cada reação como algo natural. E isso me ajudou a não aumentar a dor. Cada organismo reage de uma forma depois da perda. Não existe regra. Independente de como seu corpo se comportará, apenas acolha e espere. A serenidade é um fruto que pode ser colhido se soubermos viver bem esse momento.
No luto do Francisquinho, aprendemos o quanto uma viagem pode ser bom ao casal depois da perda. Nós já tínhamos programado (antes de tudo acontecer) participar de um retiro de casais em Lavrinhas/SP. Resolvemos manter essa viagem e incrementamos com um tempo de descanso em Pirenópolis. Sem dúvida, seguir essa moção nos fez muito bem! O retiro fez a gente olhar-se ainda mais como casal. Sei que o filho é importante e sempre será. No entanto, meu amor maior é meu cônjuge. E esse aprendizado ficou gravado no coração: Deus acima do André, André acima dos filhos.
Nesse retiro, fomos atendidos em oração. E, durante o atendimento, percebemos outro novo que Deus queria nos ensinar: o luto permite encontro de almas. Tivemos partilhas muito profundas, que nos ajudaram a estabelecer propósitos de vida. Após o retiro, passamos em Cachoeira Paulista. Ali, pudemos rever grandes amigos, que são muito caros ao nosso coração. Pudemos encontrar com o Pe Jonas e receber uma bênção. Que carinho do céu. Nada programado. Tudo foi acontecendo naturalmente. Avisamos as pessoas que iríamos passar ali, mas não sabíamos como iria acontecer. Deus e seus cuidados.



Continuamos nossa viagem e fomos para Pirenópolis. E os encontros com as pessoas continuaram. Conhecemos a Irmã Maria, que nos presenteou com uma relíquia de Santa Terezinha. Depois, encontramos uma vendedora e o assunto rendeu. Fomos visitar a Igreja Matriz e tivemos outra conversa muito boa com senhora Ana, que cuida da limpeza. Por fim, conhecemos um casal na pousada e mais conversa.

Sem dúvida, Deus estava nisso. Cada partilha continha uma orientação. E eu e o André aproveitamos e começamos a pensar nos propósitos para 2020: o que Deus quer de nós como família no próximo ano e como faremos para alcançar isso? Fizemos essa experiência nesse ano de 2019: anotamos propósitos, deixamos perto da nossa cama e , de tempos em tempos, avaliávamos como estavam nossos propósitos; e, se necessário, adaptávamos as metas. E que alegria perceber que fomos fiéis, na medida do possível, àquilo que nos dispusemos.

Temos aprendido nesse luto a não recusar um conselho que nos é oferecido. Se for de Deus, acontecerá. E se o que for falado não for de Deus, não acontecerá. E experenciamos, ao longo dessa viagem, o fruto desse aprendizado. Quantas coisas boas nos aconteceram porque soubemos ouvir àqueles que foram aparecendo no caminho.
E, por fim, esse é o grande reconhecimento desse luto: a misericórdia tem triunfado em meio a dor. Deus sempre tira algo de bom. Deus nos faz melhores. Não somos uma família perfeita. Não temos a pretensão de ser a melhor. Apenas queremos aprender, a cada dia, o que essa vida tem a nos ensinar. Confiamos nossa vida aos cuidados do Senhor. Que Ele continue a nos abençoar e nos guiar. ” A vida dos justos está nas mãos de Deus” (Sab 3,1).
Paz e bem. Até o próximo post, quando e como Deus quiser.
Carta aos familiares e amigos
Queridos familiares e amigos,
Na última sexta-feira, 4 de outubro de 2019, dia dedicado a São Francisco, recebemos a notícia de que a minha gravidez não teve continuidade. Eu vivi uma gestação um pouco conturbada. E, desde o início, fomos chamados a apresentar tudo o que vivêssemos diante do Senhor: que se fizesse a vontade Dele e não a nossa.
Como é duro viver o abandono. Não foi fácil. Mas, depois que você passa já por uma perda, você cresce um pouco em maturidade e compreende que você não tem controle de tudo. Dessa forma, o que fizemos foi colocar tudo em oração. E, realmente, a oração moveu o céu.
Saímos da missa e logo veio o resultado dos exames feitos, que mostravam o fim da gestação. Deus conhece nosso coração melhor que nós mesmos. Eu aprendi que nem tudo é para ser compreendido. E silenciei meu coração. E, no silêncio, tenho experimentado a paz.
Mandamos algumas mensagens no sábado com a notícia. Pedimos perdão às pessoas que não conseguimos enviar. E experimentamos uma onda de amor. Agradecemos as mensagens e as orações. Elas nos têm ajudado a cada dia. E esse é o nosso lema: um dia de cada vez.
O que vem ao meu coração e ao coração do André, quando estamos em oração, é partilhar a vida. E, por isso, decidimos não comentar nada em detalhes de como se deu a perda. Os detalhes não mudam nada mesmo. Se algo precisa ser partilhado, que seja a vida, o amor, as boas experiências. E é isso que queremos deixar nesta carta.
Queremos dizer a vocês que o amor de cada um tem nos curado. Em breve, no tempo de Deus, a cura vai chegar. Abrimos nossa casa às visitas, o nosso telefone às ligações e/ou a qualquer forma de amor, pois é o amor que cura e ensina.
E, novamente, muitíssimo obrigada pelas orações! Sem elas, nós não estaríamos bem. Obrigada por tudo. Deus os abençoe.
Paz e bem,
André, Mari e filhos no céu

E a primavera chegou
Ontem, dia 16.09.2019, Deus nos visitou e antecipou a Primavera em nossas vidas: fomos surpreendidos com a notícia da gravidez. Quero partilhar um pouco de como foi essa experiência.
No mês dedicado a Palavra de Deus, vejo se cumprir na minha vida e na do André a Palavra que Ele nos deu quando viajamos para a casa da Manoela e do Rodrigo: “Com Deus, todas as coisas são possíveis“, que está em Mateus 19,26. É muito interessante quando Deus nos visita por meio de suas palavras. São momentos marcantes.
Quando era criança, depois de uma oração do terço, eu abri a bíblia e tirei uma palavra: Isaías 49,1-6. Eu nunca me esqueci dessa Palavra, mesmo tirando ela tão jovem. E como ela rege minha vida. Em um tempo depois, outra Palavra entrou na minha vida: “Sei que a bondade do Senhor hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem. Espera no Senhor (Salmo 27). E agora, Mateus 19,26.
Partilhando com o André, sabíamos que Deus nos reservava algo muito especial. Era o momento do abandono e da confiança. Deus sabia a hora. Passados 9 meses da eternidade do Francisquinho, eis que surge uma nova vida em meu ventre. E nós cremos que nosso filho no céu intercedeu por nós!
No mês passado, a minha menstruação atrasou e eu pensei que estivesse grávida. Ao fazer o exame de sangue, constatamos que não estava. O coração ficou triste. Mas, logo fomos confortados com a Palavra de Deus e rezamos. Deus é Senhor soberano. Como essa frase fez aumentar ainda mais a certeza de que, no momento certo, a graça viria. E não tardou.
Passado um mês desse resultado, eu sonhei que estava grávida. Na madrugada do dia 16.09.2019, resolvi fazer o exame de urina e ali tive o primeiro resultado: grávida. Voltei para o quarto e partilhei com o André, que chorou com a notícia. Rezamos um terço em agradecimento e fomos dormir.
O dia amanheceu, o sorriso era largo em nossas faces. Fui trabalhar. André me encontrou na hora do almoço para me acompanhar até o laboratório, para que pudesse fazer o exame de sangue. Já havia a certeza no coração: havia uma vida. Fiz o exame e o resultado saiu à noite. Era só pra confirmar a gravidez.
Dei a notícia a minha mãe. E comecei a falar para os padrinhos e madrinhas. Foi surgindo em nossos corações uma alegria surreal: o céu estava em festa. A terra também. Era preciso espalhar essa boa notícia. E fomos tocados a publicar para todos a graça que nos havia sido concedida. Quem nos conhece, sabe que esse não é o nosso perfil. Mas, como aprendemos com o Francisquinho, era essa a moção para aquele dia. E assim foi feito. Publicamos e espalhamos a Boa notícia da bondade do Senhor para com a nossa família.
Alegrem-se conosco e nos coloquem em suas orações.

Paz e bem. Até o próximo post.
Deus e sua simplicidade
Eu viajei no último mês e vivi uma experiência maravilhosa de reencontrar uma amiga chamada Manuela, que não via há 8 anos. Foi um tempo de estar em família, de saborear a simplicidade, de perceber que a gente não precisa de muito para ser feliz. Como foi bom estar com a família dela e ter a certeza de que Deus já me deu uma família. Quando eu cheguei na casa da Manu, ela me presenteou com uma agenda. Na capa dizia: “”With God all things are possible” (Com Deus, todas as coisas são possíveis). Deus afirma novamente para mim que Ele está cuidando de tudo e hoje eu assumo, mais uma vez, essa verdade em minha vida.
Durante a viagem, tivemos a graça de encontrar uma Paróquia dedicada a São Francisco e lá pudemos participar de uma missa. Como não acreditamos em coincidências, sei que havia um propósito de Deus nisso. E foi um momento abençoado. Um carinho de Deus. Um carinho de Francisquinho aos seus pais. Ali, naquela paróquia, eu agradeci mais uma vez pela graça que Deus me deu em ter gerado o Francisquinho.
A viagem seguiu e voltamos para casa. Nesses últimos dias, tenho pensado muito no Francisquinho, em tudo o que vivemos com ele. Eu tenho percebido nos últimos tempos que, de uma forma sutil e delicada, Deus tem nos feito recordar do Francisquinho com uma saudade sem dor. O tempo põe em lugar todas as coisas. À medida que os dias têm transcorrido, a saudade do meu filho se solidifica em contemplação, e não mais em dor aguda.

Ao receber essa mensagem do Padre Lucas, eu percebi que o meu olhar precisa estar voltado para o céu. Francisquinho está no céu. E isso é uma graça! Eu sou uma mãe ditosa. Francisquinho foi um filho ditoso! O céu é o nosso lugar! Aos poucos, meu coração acolhe essa verdade e o espaço da dor vai diminuindo. É um convite a um exercício diário. Por hora, essa tem sido a minha luta.

Hoje recebi da Flávia essa imagem da Prece de São Francisco. Para que não crê, isso não significará nada. Para mim, significa TUDO. Deus está comigo! Deus luta as minhas lutas. Deus se compadece da minha perda. Deus sabe tudo de mim. E Ele sabe o quanto a lembrança do meu filho está eternizada no meu coração. A perda do meu filho tem se transformado em um doce registro de eternidade. Um dia, lá no céu, estaremos todos juntos!
Deus é bem simples. Fala em coisas simples. Até o próximo post.
Paz e bem!
Tempo de cura
“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu” (Eclesiastes 3,1). Com esse versículo, iniciou-se outro tempo em minha vida. Um tempo que começa a ser revelado, da maneira como Deus fala comigo e com o André: a cada dia.
No início do mês de julho, recebi alta do psiquiatra. Meu coração alegrou-se: agora, estou sem remédios. Que sensação boa! Eu não me envergonho de ter ido a um psiquiatra. Há horas que você precisa reconhecer que é tempo de pedir ajuda. E isso foi algo importantíssimo em todo o processo de perda. Não sei se voltarei a precisar de remédios. Mas, caso necessário, tomarei sem medo.
A cada semana, eu tiro uma Palavra da Bíblia, que orienta a minha semana. Essa foi a que tirei nesta segunda-feira (22/07/2019) e ela reflete muito o que tem sido esse momento da minha vida:

Semana passada, vivi algo que me remexeu completamente. Fui a uma costureira para fazer uns ajustes de roupas. Essa costureira me viu grávida e soube da perda do Francisquinho. Quando mostrava a ela os ajustes que desejava fazer, ela me surpreendeu com a solicitação de roupas de grávida para sua filha que agora se encontrava gestante.
Eu fiquei surpresa. No primeiro momento, não soube reagir. Até aquele momento, não havia sentido vontade de doar minhas roupas. E, simplesmente, desconversei. Saí dali e me veio um sentimento de raiva. Eu mal conhecia a pessoa. Eu me senti invadida. Quando veio a noite, os sentimentos começaram a diminuir. A poeira começou a se assentar. Fui revivendo aquele dia, em especial, aquele momento.
Depois, parei a reflexão do fato e fui ler o livro que conta a história de São Francisco de Assis (Irmão de Assis de Inácio Larranaga). Novamente, a providência divina veio orientar meus passos. O capítulo tratava sobre a prova de fogo de Francisco ao abraçar um leproso. Francisco mesmo começa seu Testamento assim: “…parecia-me sobremaneira amargo ver leprosos. E o próprio Senhor me conduziu entre eles, e fiz misericórdia com eles. E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo se me converteu em doçura de alma e de corpo; …” (Test 1-3).
Como Francisco era convidada a transformar a amargura em doçura. Conversei com o André, comentei sobre todo o meu dia e da decisão tomada: iria separar roupas da gestação do Francisquinho para a filha da costureira. Sem vontade alguma, seguia a intuição que vinha ao meu coração, depois da reflexão. E, assim se fez.
No dia seguinte, fui buscar as roupas que havia deixado para ajuste e ali entreguei as roupas. Os sentimentos me atormentavam. Eu não sentia vontade qualquer de fazer esse gesto, mas uma força interior me impulsionava a fazer. Em meio às lágrimas, entreguei a ela as roupas para serem doadas à sua filha e fui embora. Havia passado pela prova de fogo, a duras penas. Deus me introduzia em um tempo de cura mais profunda. E há certas curas que doem muito. Esse era o novo tempo que era convidada a viver.
No fim do dia, conversando com uma amiga que também está grávida, ela me comentou sobre um carrinho de bebê preto que ela e o esposo estavam procurando. Ali, Deus me visitou. Diferente da outra experiência, agora havia doçura em meu coração. Percebi que Deus estava me convidando a um desapego. Depois da prova de fogo, agora não sentia mais raiva. Sentia vontade de compartilhar algo que comprei para meu filho com alguém que iria poder usufruir com filho que chegará em breve. Conversei novamente com o André, e com a sua concordância, demos o carrinho do Francisquinho.
Eu percebo que esse novo tempo está associado a uma cura interior profunda. Deus realmente quer tirar toda a dor, que ainda existe e que está mascarada. Não é fácil. Dói. Porém, sei que se for dócil a esse caminho de cura, a Palavra que tirei hoje encontrará terreno fértil para frutificar. E eu quero experimentar o novo. Preciso fazer a minha parte. E eu me abro a cura. Cura-me, Senhor, mesmo que doa. Preciso fazer a sua vontade e não a minha. Rezem por nós!
Até o próximo post, quando e como Deus quiser.
Paz e bem!
De volta ao trabalho: recomeçar
Ao final da licença maternidade, havia chegado a hora de retornar as atividades. Eu sempre gostei de trabalhar. Confesso que até que, em muitos momentos da minha vida, houve um desequilíbrio nessa área. Eu trabalhava muito e não me importava com o desgaste da saúde. Só parava quando ficava doente. Ainda bem que a vida ensina. Hoje, com os aprendizados e com tudo o que vivi na gestação do Francisquinho, tenho buscado melhorar a relação trabalho e saúde.
Eu não sabia qual seria a minha reação ao voltar ao trabalho, ao retornar para o lugar onde saí para uma consulta e não voltei mais. Fiz um exercício mental de não ficar pensando em como seria o retorno. Um dia de cada vez agindo novamente. Precisava esperar chegar o dia e ver como meu corpo e minha cabeça reagiriam.
Fui muito bem acolhida por meus colegas de trabalho. Ao longo de todo esse afastamento, eles foram presença amiga. Em um mundo em que valemos pelo que produzimos, posso afirmar que vivi a exceção: fui cuidada, mesmo sem produzir nada. Gratidão a Deus, gratidão aos meus superiores, gratidão a todos que contribuíram para o meu retorno.
Fiquei 11 meses afastada. Minha cabeça voltou lentamente. Meu raciocínio estava bem devagar. Em vez de me culpar, era preciso aceitar a situação e aprender a lidar com ela. O que me surpreendeu foram os picos na emoção: de repente, eu tinha oscilações de choro. Às vezes, conseguia identificar o gatilho; outras vezes, não. Fui aconselhada pela Dra. Judith a voltar o psiquiatra. E Dr. Pedro achou melhor voltar com a medicação.
Confesso que não fiquei feliz. Quem é que gosta de tomar remédio. Porém, não havia outro caminho. Era preciso resignar-se, dobrar a cabeça e acolher. E assim o fiz. Dentro do meu coração, brotou uma intuição de que o local de trabalho precisava ser alterado. Eu não entendi o porquê me vinha isso, mas aprendi que as intuições não devem ser ignoradas.
Segui a intuição: se fosse realmente o melhor, tudo fluiria. Partilhei com a responsável do meu setor. E, providencialmente, fui transferida para um novo setor. Não era fácil deixar as pessoas com quem eu havia criado laços, mas hoje eu precisava me lançar o novo. E , assim se fez. Tudo novo. Pessoas novas, trabalho diferente. E passei a perceber que os picos de emoção começaram a diminuir. Embora ainda o sono não estivesse pleno, já percebia uma melhora também.
Após quase 2 meses no novo ambiente, já colho quão acertada foi a intuição. Tenho melhorado: o raciocínio tem voltado, o sono está mais estabilizado, as emoções mais controladas. Dra. Judith me disse que começo a sair do luto. Olho para esse tempo e percebo quão importante é assumir a verdade e não ter medo de dar um passo atrás. Às vezes, precisamos perder para ganhar. Não sei quanto tempo ficarei ali. E não me prendo a isso. Preciso viver bem o dia de hoje. E hoje é tempo de aprender coisas novas.
Continuo contando com a oração de vocês. Obrigada por toda ajuda nesse tempo! Se cheguei até aqui, não vim sozinha! Cada um me ajudou e muito. Que Deus continue me abençoando, abençoando minha família e a família de todos. Não sei o que o futuro me reserva: estou aberta, porque sei que o melhor está reservado para aqueles que amam a Deus. Minha vida e a da minha família pertencem ao Senhor.
E o futuro do blog? Deus foi conduzindo até aqui. Não sei o que acontecerá. Hoje, essa partilha é a minha realidade atual. Vamos deixar Deus mostrar o que virá. Surgindo novidades, partilharei. Espero que você também possa viver um dia de cada vez, colocando a sua confiança em Deus e deixando Ele cuidar daquilo que Ele lhe prometeu. Deus é fiel!
Um ótimo dia! Paz e bem!
E até o próximo post, quando e como Deus quiser!
Luto, viagem e café
Pode soar como surpresa, mas a mulher gestante que dá a luz e o filho vem a falecer tem o direito a licença maternidade. Quis ressaltar esse fato, tendo em vista que muitas pessoas se surpreenderam que eu tivesse direito aos 4 meses de licença. Assim como qualquer mulher que teve um filho, o meu corpo estava com os hormônios em alteração também.
Passei por todos os estágios do resguardo e da recuperação da cesárea. Lembro-me do valioso conselho de Dona Josefina, ao me encontrar, que eu clamasse pelo Espírito Santo, para que tivesse a sabedoria de como viver esse tempo. E assim, eu tentei fazer ao longo desse tempo. Não sabia quanto tempo duraria meu luto. Mas, sabia que não podia entregar minha alma a tristeza.
Havia momentos que era muito duro. Uma dor invadia meu coração. Eu não “fingia” que nada acontecia. Abraçava o André e expressava a verdade da minha dor. Continuava o acompanhamento com a psicóloga. Tinha noção de quão importante era esse acompanhamento. Aqui, abro espaço para mais um agradecimento especial a Dra Judith, minha psicóloga, que se dispôs a ir na minha casa, logo após a cesárea, já que eu não poderia descer as escadas do meu bloco. Ainda existem pessoas boas e Dra Judith é um exemplo dessas pessoas.
Outro conselho preciso nesse tempo foi o do Dr Ubatan. Ele nos sugeriu uma viagem. Parece loucura você ir a uma viagem, logo após uma cesárea. Mas, seguimos o que foi intensificado na gestação e com tudo o que aprendemos na vivência de “um dia de cada vez”: se isso fosse da vontade de Deus, daria certo. Se não, simplesmente, daria errado. Simples assim. E a viagem deu certo e fomos para Baependi e as cidades históricas de Minas (Tiradentes e Ouro Preto).
É claro que tomamos todos os cuidados: programamos paradas ao longo de todo o trecho da rodovia. Quando me cansava, fazíamos paradas a mais. Fazia muito tempo que eu não viajava de carro. E essa foi a primeira viagem entre mim e o André. Confesso que lembrei um pouco da minha infância: passei nas Americanas e comprei vários tipos de guloseimas, entre elas, umas balinhas chamadas de “bolete”.
Não vou dizer que não foi cansativo. Mas, foi um tempo para distrair, ouvir músicas, contemplar a natureza na estrada. Como o Estado de Minas é interessante. E, sem dúvida, é um dos lugares onde se pode experimentar bons cafés. Quando paramos em Patos de Minas, algo engraçado aconteceu: decidimos levar um pó de café em cada lugar que parássemos. Fomos lanchar em uma padaria, escolhemos o café para levar. Quando o André foi olhar a validade, adivinha qual era o local de fabricação? Taguatinga (uma cidade satélite próxima a Brasília). Você precisa, nessas horas, rir de si mesmo. Você sai para viajar, decida trazer uma lembrança e o que escolhe é do seu próprio estado. Rindo disso.
Alguém pode perguntar o que fomos fazer em Baependi. Baependi é a terra de Nhá Chica. E ela é madrinha do Francisquinho. Fomos lá agradecer por toda graça que tivemos na gestação. Lá, ficamos hospedados em uma pousada fora da cidade. Que lugar que me fez contemplar a simplicidade do amor de Deus. Puder rever um casal que amamos muito: Fábio e Gilmara. Foram dias especiais. Pudemos conhecer a casa de Nhá Chica, perceber como ela buscou fazer em tudo a vontade de Deus. A casa dela era muito simples, mas sempre tinha um prato para acolher a quem precisasse de comida. Sua história de vida é edificante. Fica a dica para quem quiser conhecer mais sobre sua história: https://www.nhachica.org.br/sobre-a-nha-chica-historia.php.
Seguimos viagem para Tiradentes. Oh, lugar abençoado. Quero voltar lá, com certeza! Foi um reviver da história do Brasil no que tange à Inconfidência Mineira. Além disso, a culinária é maravilhosa e as pousadas, muito aconchegantes. A arquitetura da Igreja de Santo Antônio também me encantou. Gostaria de ter ficado mais, porém, precisávamos seguir em direção a Ouro Preto. Aqui, participamos de uma missa linda de Natal e em latim. Como não lembrar do Francisquinho: ele amava quando colocava músicas em latim.
Voltamos para a Brasília com o coração agradecido pelo conselho do Dr Ubatan. Há momentos em que não se deve usar a lógica, mas o coração. Como nos fez bem essa viagem. Deus sabia que precisávamos espairecer. Havia sido 9 meses de muita tensão e sofrimento. Agora, era o tempo o oportuno para que eu e o André fôssemos refeitos. E essa viagem representava o início dessa reconstrução.
Até o próximo post.
Paz e bem!
Início do luto
Após o sepultamento do Francisquinho, voltamos para casa. E ali, eu e o André, na dinâmica de “um dia de cada vez”, passamos a viver o luto. Nesse tempo intenso da gestação, a gente se aproximou ainda mais como casal. Percebemos que o Francisquinho era fruto do amor entre nós. E seria esse amor, dado por Deus, a nos confortar em meio ao luto.
Seguimos o conselho do Dr Ubatan, abrimos nossa casa às visitas dos amigos. E algo me chamou a atenção: eu havia recebido da Erine uma orquídea no hospital. E a trouxe para casa. No dia da missa de 7º dia, eu fui ao salão para dar um trato no visual. Ali, as pessoas que trabalhavam no salão e acompanharam toda a minha gestação me presentearam com outra orquídea. Chegando para a missa, eu recebi flores também. Ao voltar para casa, colocamos as flores em vários cômodos da casa. Havia flores na sala, no quarto que seria do Francisquinho, no oratório. Não era à toa essas flores: elas deixaram a minha casa mais acolhedora. Foi a forma de Deus me acolher em casa logo após a perda. Deus, realmente, ama nos detalhes.

Esses primeiros dias não foram fáceis. Houve muito choro, muita dor. Eu não queria muito falar sobre o assunto. Estava bem mais silenciosa. Havia comentado com o André que gostaria de não comentar sobre a Síndrome. Sabia que, no momento oportuno, iríamos partilhar essa história com as pessoas. Mas, o meu desejo era ficar quieta.
Porém, Deus tinha outros planos. Essa era a minha vontade. 4 dias após o falecimento do Francisquinho, recebi uma mensagem no e-mail: uma nova mensagem no grupo de mães que possuíam filhos com a Síndrome de Body Stalk. Ao abrir a mensagem, era o desabafo de uma mãe que havia descoberto a Síndrome. Ela pedia ajuda. Ali, eu e o André percebemos que Deus nos levava a partilhar nossa história como forma de ajudar a outros que também passavam por essa situação.
Há algo que não posso deixar de dividir com vocês: na homilia da missa de 7º dia, o celebrante foi o Padre Lucas. Ele nos acompanhou em todo processo. A sua homilia foi reconfortante. E houve algo que nos marcou profundamente: ele disse que a vida do Francisquinho, embora tivesse sido tão curta, havia sido transformadora. E não tinha apenas nos atingido, mas tocado o coração de muitos. Francisquinho era como um poema: uma pequena poesia, de poucas palavras, mas de profunda riqueza.
Essas palavras nos marcaram e nos conduziram no início do luto: um tempo difícil para assumir a perda, para permitir as curas necessárias e para continuar a viver um dia por vez.
Dia da despedida
Chegou o domingo, dia 02/12/2018, dia do sepultamento do Francisquinho. O velório começou às 9h e o enterro estava marcado às 11h. Minha prima Amélia conseguiu um sacerdote para estar conosco durante o velório e fazer as exéquias (cortejo fúnebre que segue o corpo do defunto até o túmulo) do Francisquinho: A Igreja, como mãe, acompanha o cristão no termo da sua caminhada para entregá-lo ‘nas mãos do Pai’.
Havia passado apenas 2 dias da cesárea. Chegamos na capela nº 9 do Cemitério Campo da Esperança. Logo em seguida, o corpo do Francisquinho chegou. Tão pequeno, tão singelo, ali estava o corpo do meu filho. Eu e o André ficamos sentados, próximos a urna. Aos poucos, começaram a chegar os familiares e amigos.
O velório foi permeado por orações. Embora nosso coração estivesse aos pedaços, havia uma paz inquietante: era a certeza do céu. Francisquinho já estava na eternidade. Diante de nós, apresentava-se o milagre de 9 meses de um criança a qual disseram que não sobreviveria. E sobreviveu!!! Não importava o tempo, importava o fato: Francisquinho havia nascido! Deus nos deu a graça de estar com ele e, agora, éramos convidados a nos despedirmos. Mas, não era um adeus, pois havia o consolo da fé: um dia, todos ressurgiremos!
Recordo-me de partilharmos sobre a música Benedicta tibi Dominus, favorita do Francisquinho, que está no post “O bebê com body stalk, uma intuição e a música”(https://wp.me/paGs1a-1b). A cada abraço, Deus nos confortava por meio das pessoas. Foi lindo perceber como uma criança foi capaz de espalhar o amor por tantos que ouviram falar dele ou tiveram a graça de estar perto dele. Nesse dia, tivemos a graça de conhecer a Alessandra, amiga da Mavi, que nos escreveu uma carta lindíssima, a qual guardamos com muito amor.
Quando chegou a hora de levá-lo para o sepultamento, o caixão foi fechado e eu e o André choramos. A despedida nunca é fácil. Eu sabia que não havia mais vida ali. Mas o coração tem um tempo diferente da razão. O Fabrício Adriano, gentilmente, nos conduziu até o local do enterro.
Minha prima pediu para dizer algumas palavras e nos contou a história da prisão de São Francisco:
” Aconteceu que seu pai o deixou preso no calabouço. Sua Mãe, que ficou sozinha com ele em casa, e não aprovava o procedimento do marido, dirigiu-se ao filho com palavras ternas. Mas, vendo que não conseguia fazê-lo mudar de opinião, sentiu seu coração materno se enternecer e, soltando as cadeias, deixou-o sair, e pronunciou as palavras: ‘Voa, passarinho, voa”.”
E nos convidou a dizer: voa, Francisquinho, voa. Mais lágrimas. Era preciso deixar ir. Filhos não são nossos. Cantamos a música Senhor, fazei de mim um instrumento de sua paz, enquanto a urna era depositada na terra.
Levamos apenas duas rosas: uma minha e outra do André. Eu não gosto muito daqueles arranjos que se colocam nesta ocasião. A Mavi e a Alessandra colocaram outras duas. E essas 4 flores foram enterradas junto ao caixão.

Quando acabou o sepultamento, a Erine me abraçou e me disse: “Você percebeu o nome do rapaz que enterrou o Francisquinho? E eu não havia reparado. Ela disse: Francisco de Assis. Mais uma providência! Deus em todos os momentos mostrou que governava toda a situação: e na despedida não seria diferente.
Voltamos para a casa, com os braços vazios, olhares lacrimosos: começava o luto. Dona Josefina, ao nos ver, foi nos receber com um abraço caloroso e uma exortação: “Filha, não entregue sua alma a tristeza. Você está em luto sim. Mas também está de resguardo. Cuide de você e clame o Espírito Santo. Não entregue sua alma a tristeza, repetiu.
Encerrávamos, nesse dia, com o sepultamento do Francisquinho, mais um capítulo do livro das nossas vidas. E precisávamos recomeçar por meio do luto. Não sabíamos o que nos esperava. Dr Ubatan já nos havia alertado que a nossa casa tivesse aberta para acolher o amor dos amigos. E, assim nós fizemos: abrimos as portas de casa para suportar a dor. Bendita dor.
Paz e bem!
Não tenha medo de pedir ajuda
Atravessar o luto é uma tarefa que pode ser mais longa e difícil para algumas pessoas. Casos de suicídio e de surgimento de doenças psicológicas não são incomuns. Em um estudo comparativo, cientistas dinamarqueses descobriram que a psicoterapia pode reduzir a chance de essas complicações ocorrerem.
A análise foi feita com base em registros de dados de saúde de mais de 5 milhões de indivíduos, recolhidos durante 1996 e 2013. Os pesquisadores deram foco especial a 207 mil pessoas que experimentaram problemas psicológicos durante o período de luto. Em uma filtragem ainda maior, separaram 4.584 pacientes que, entre seis meses e dois anos após a morte de alguém próximo, houve caso de suicídio, automutilação ou internação em uma enfermaria psiquiátrica.
Por meio de análises comparativas, os pesquisadores concluíram que, nesse grupo, o risco de ocorrência dessas complicações foi de 9,1% quando a pessoas que foram medicadas para enfrentar o luto. No caso dos apoiados pela psicoterapia, a taxa caiu para 3,2%. “O estudo mostra que os pacientes cujos clínicos gerais costumam usar a terapia da fala têm um menor risco de suicídio e de outros distúrbios psicológicos”, ressalta Morten Fenger-Grøn, pesquisador da Universidade de Aarhus e um dos autores do estudo, publicado, em setembro, na revista especializada Clinical Epidemiology.
Os cientistas ressaltam que a pesquisa não defende o fim do uso de medicamentos, mas mostra que conversas com especialistas podem contribuir consideravelmente para a saúde de pessoas que passam pelo luto, e que, quanto mais cedo essa intervenção for feita, mais positivos podem ser os resultados.
“Nosso estudo documenta a importância de os médicos terem outros meios de ajuda, além de prescrições. Sugerem que a intervenção precoce pode prevenir sérios eventos psiquiátricos. Infelizmente, o estudo não pode nos informar a forma mais efetiva de terapia ou se os clínicos gerais estão bem preparados para a tarefa, mas parece que ter tempo para conversar com o paciente funciona”, complementa Fenger-Grøn.
Ajuda institucionalizada
Para o psicólogo clínico Carlos Alexandre Araújo Benicio, o estudo dinamarquês mostra o quanto a psicoterapia pode ser positiva para pessoas que atravessam o luto. “Ela mostra como as terapias de fala contribuem para reduzir um sofrimento emocional que poderia seria prolongado e, consequentemente, ajudam a diminuir pensamentos (ideações) e ações (comportamentos) que conduzem ao ato suicida, uma vez que pessoas enlutadas apresentam risco particularmente alto de comportamento suicida e de doença psiquiátrica”, explica.
Segundo o especialista, os dados chamam a atenção para a necessidade de se garantir que os serviços de saúde promovam espaços de fala e de expressão da subjetividade, como também de ajudar as pessoas em sofrimento a desenvolver redes de apoio. “A promoção dessas ações pode ser uma abordagem frutífera para minimizar processos vivenciais negativos. Para se evitar o agravamento de alguns transtorno mentais, é importante que se dê ênfase aos aspectos de caráter preventivo e à utilização de estratégias de intervenção precoce em saúde mental”, diz.
Carlos Alexandre Araújo Benicio chama a atenção ainda para a importância de abordagens além das esferas mais íntimas. “Faz-se fundamental ainda a sensibilização das esferas governamentais com vistas à necessária destinação de recursos orçamentários às políticas públicas de atenção primária em saúde”, defende. (VS)
9,1% Risco de ocorrência de suicídio ou internamento psiquiátrico em pessoas que são medicadas para enfrentar o luto
3,2% Risco de ocorrência de suicídio ou internamento psiquiátrico em pessoas que recorrem à psicoterapia para enfrentar o luto
Dia de Santo André
Não acredito em coincidências. Dr Ubatan nos orientou a marcarmos a cesárea quando Francisquinho completasse 38 semanas, pois eu não poderia entrar em trabalho de parto. Isso dava na última semana de novembro. Ele havia ligado na Maternidade e perguntado qual seria o melhor dia para uma cesárea na última semana de novembro . E eles sugeriram na quinta ou na sexta-feira. Eu fui olhar no calendário litúrgico o que a Igreja celebrava nesses dias. E para minha surpresa e do André, era comemorado, na sexta-feira, o dia de Santo André. Uma providência tamanha, não é mesmo?
Dessa forma, no dia 21/11/2018, marcamos a data: Francisquinho iria nascer no dia 30/11/2018, dia de Santo André, às 08h00. Eu lembro que comentei, na época, com o André: “A gente carrega a criança por 9 meses e eles querem agradar o pai”. Um breve comentário de descontração. É claro que estava feliz! André foi um grande companheiro nessa jornada. Vi ali um carinho do céu ao permitir que o nosso filho nascesse no dia de um santo com o mesmo nome do meu esposo.
Não sei se vocês sabem, mas essa providência é chamada de aniversário onomástico: no dia de um santo e todas as pessoas que tem o mesmo nome do santo comemoram como se fosse o aniversário. Francisquinho nasceu no aniversário onomástico do André. Deus sempre nos surpreendendo!
” Deus chama a cada um por seu nome. O nome de todo homem é sagrado. O nome é o ícone da pessoa. Exige respeito, em sinal da dignidade de quem o leva.“
Lembro que no dia anterior a cesárea, a nossa oração da noite foi sobre aceitar a vontade de Deus. Havia muita gratidão por ter chegado até ali. Quantos casais na mesma situação não chegaram a esse momento. De alguma forma, eu iria ver o meu filho. Não sabia se o veria vivo. Mas, eu o veria! E isso já era motivo de alegria. Dois dias antes, a Giovanna, minha madrinha de casamento, veio me visitar e trouxe presentinhos para o Francisquinho: uma toalha e um conjunto de tricô que a vó dela, Selma, havia feito para ele. Gente, que delicadeza receber esses mimos às portas do nascimento do Francisquinho. E detalhe: dia 28/11 era o aniversário da minha vó paterna. Coincidência? Mais uma providência divina!!! E junto com o presentinho, a Selma enviou um terço da Nossa Senhora de Guadalupe: nesse dia, descobri que ela é protetora dos nascituros. Novamente, ela se fazia presente. Outrora, havia nos visitado por meio do terço que a Maria, filha da Flávia, nos havia dado e da Marília, quando me deu uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.

Chegamos na maternidade às 06h00, hora do Angelus¹. A maternidade estava cheia. Chegou no momento de sermos atendidos e a recepcionista disse que havia a possibilidade não conseguir ir para um quarto. Meu plano era enfermaria e eu havia solicitado um upgrade para o quarto. Fomos para o procedimento cirúrgico sem saber onde eu iria ficar. Não reclamamos. Apenas acolhemos com um “ok”.
Ficamos na espera de irmos para o centro cirúrgico 1 hora. Não entendíamos o motivo do atraso. Dr Ubatan já havia chegado. Depois dessa hora, a enfermeira nos explicou a situação: naquela madrugada, muitas crianças tinham ido para UTI neonatal e não havia leito para o Francisquinho. Eles precisaram avaliar a situação, ver se haveria alguma alta, para saber se seria possível a cesárea. Não poderia haver o nascimento sem a possibilidade de ter um lugar para o Francisquinho ficar.
E, graças a Deus e a equipe da maternidade, deu tudo certo. Entrei na sala de cirurgia às 9h00 com o André. Ele ficou ao meu lado. Levamos as músicas que ouvimos durante toda a gestação. Francisquinho nasceu 9h17. Segundo Dr Ubatan, foi uma das cesáreas mais tranquilas que ele já fez em 35 anos de médico obstetra. Eu me surpreendi com a rapidez. Quando percebi, Francisquinho foi colocado no meu colo: ele nasceu vivo! Ali, vivi meu momento de eternidade na maternidade. Olhei para o céu e agradeci a Deus.

O André foi com as enfermeiras para os procedimentos pós cesárea com o Francisquinho e eu fiquei ali. Passados 23 minutos, o André me trouxe a notícia que nenhuma mãe quer ouvir: Francisquinho não estava mais conosco. Eu soltei um urro. Isso mesmo: um grito tão forte que nem eu mesma me reconheci. Saí dali para a sala de repouso, enquanto aguardava a anestesia passar.
A Mavi, minha madrinha de casamento, ficou comigo, enquanto o André foi resolver com o Antônio Luiz (esposo da Mavi) os procedimentos para o sepultamento do Francisquinho. Dr Ubatan teve a sensibilidade de pedir a maternidade que me colocasse em um quarto afastado, para eu não ouvir muito o choro dos outros bebês. Vocês se lembram que eu dei entrada na maternidade sem saber se iria para um quarto. Então, muito melhor do que eu esperava, fui colocada em um quarto excelente e recebi todo o cuidado nesse momento de dor. Gratidão a todos que me trataram com tanto amor e carinho.
Em um mesmo dia, experimentei o júbilo e a dor, a alegria e a tristeza. A Mavi comunicou as pessoas do acontecido. E assim tornamos público a história do Francisquinho. Nesse momento, os amigos foram os braços de Deus e cuidaram de nós. Minha mãe, minha madrinha Tia Gaída, Mavi, Erine e Bárbara foram anjos que estiveram comigo enquanto o André resolvia as coisas para o velório. Minha gratidão!
Não foi à toa que o Francisquinho nasceu no dia de Santo André: ele era uma cópia do pai.

Francisquinho 
André
Fiquei no hospital apenas 1 dia. Embora houvesse passado por uma cesárea, Dr Ubatan achou mais prudente eu sair logo dali, para não afetar muito mais o meu emocional. Além do mais, eu iria passar por um sepultamento. Precisaria estar de pé. Era o auge das dores de toda essa jornada.
Na tarde do dia 30, o André me ligou para ver como estava e para ver como eu queria que o Francisquinho fosse enterrado. Eu havia pedido para a mãe da Erine fazer uma roupinha de São Francisco para ele. Confesso que não pensei que usaria para essa situação. Mas veio ao meu coração que era esse traje o melhor a ele usar nesse momento. Junto ela deu um tau². E eu havia pedido para fazer o cordão de são Francisco, que ficou pronto dia 28/11 e foi feito pelas irmãs franciscanas. Seria assim que ele seria enterrado.
Vamos dar uma pausa. Esse dia foi muito intenso.
Paz e bem!
Até o próximo post.
1- Angelus: A Hora do Angelus (ou Toque das Ave-Marias, Hora das Ave-Marias), que corresponde às 6h00, 12h00 ou 18h00, relembra aos católicos, mediante meditação e orações, o momento da Anunciação – feita pelo anjo Gabriel à Virgem Maria – da concepção de Jesus Cristo
2 – Tau: O Tau é a última letra do alfabeto hebraico e é sinal concreto de uma devoção cristã, mas sobretudo um sinal de vida no seguimento do Cristo pobre e crucificado.
A dois passos do Paraíso
Chegávamos a 34ª semana. Um milagre! Quando soube do diagnóstico da Síndrome de Body Stalk, jamais imaginávamos chegar tão longe: da 13ª semana para 34ª semana. Dia após dia, Francisquinho buscou a vida, apesar de todo o desenvolvimento da enfermidade.
E em mais uma consulta com Dr Ubatan, ele nos aconselhou a buscar um cirurgião pediátrico. Era necessário agora se preparar para o parto. E havia três possibilidades quanto à vida do nosso filho: ele nasceria morto, ele nasceria e iria para UTI ou o milagre completo, por meio da cura da Síndrome, sem qualquer sequela.
Seguimos as orientações do Dr Ubatan e nos dirigimos a Maternidade Brasília, onde fomos atendidos pela equipe neonatal. Eles nos explicaram quais seriam os procedimentos necessários para se preparar para uma cirurgia no Francisquinho, caso fosse necessário. Inclusive, eles pediram que houvesse um parecer de um especialista em cardiologia fetal.
Procuramos este especialista. Foi um dos exames mais tranquilos que já fiz. Eu havia aprendido a conhecer um pouco da linguagem do Francisquinho. A Síndrome não havia atingido o coração dele em nenhum momento da gestação.Desde a primeira vez que eu ouvi o som dos batimentos, tive uma experiência muito forte com meu filho. Eu ouvi o som do coração pela primeira vez na 5ª semana. E isso me fez perceber, logo de início, de que o coração do meu filho era um coração forte. Não era à toa que havia chegado tão longe.
Ah, como é bom relembrar os momentos em que pudemos ouvir o coração dele! Isso para nós era um grande sinal da vida do Francisquinho. Cada batida era como uma fala: “Estou aqui”; era como uma nota em uma partitura, dando o compasso para a melodia adequada. De alguma forma, essa maneira de lidar com a Síndrome nos fazia valorizar muito mais as coisas boas do que as deformações provocadas pela enfermidade.
E o Francisquinho saboreava essa alegria! A gente se alegra quando vê alguém que amamos bem. Eu me alegrava com o Franciquinho. André se alegrava também. E ele sentia o nosso amor. E, como um círculo de amor, nossos corações batiam na mesma sintonia. Nós nos amávamos e sabíamos disso! Por isso, ir para mais um médico ( e ainda mais um de coração) não me trouxe qualquer sofrimento. Eu sabia que o coração dele estava em ótimas condições. Seria apenas mais um passo a ser dado nessa trajetória.
Levamos além desse exame, outros solicitados pela equipe neonatal. E agora era só aguardar o nascimento. Na 37ª semana, Dr Ubatan nos atendeu, nos ouviu e, com a sabedoria costumeira, nos repassou como seriam os procedimentos durante a cesárea. Nesse dia, ele me preparou para o corte que seria feito (um pouco maior), o que deixaria uma marca diferente de outras cesáreas. Isso não me deixou triste. Eu veria naquela cicatriz um registro de amor. Já havia chegado tão longe com o Francisquinho, não seria um corte que me deixaria triste. O mais duro foi ouvir que havia uma chance de meu útero não se recuperar e precisar ser retirado. Isso sim me doeu! Mas, o que eu poderia fazer? Se fosse necessário perder o útero para ir até o fim na gestação, eu iria. Não estava sozinha: Deus, meu esposo, família e amigos estavam comigo!
Realmente, estávamos a dois passos do Paraíso. E , em tudo, Deus nos conduzia: um dia de cada vez. Agora, na expectativa do nascimento. Até o próximo post.
Paz e bem!
Um click e o amor registrado
Nada foi fácil nessa caminhada da espera pelo Francisquinho. É engraçado como para se ter algo bom precisamos nos esforçar. Eu e o André não tínhamos dúvida que o nosso filho era algo muito bom. Mas, não imaginávamos que a caminhada seria tão árdua.

A boa notícia é que Deus sempre providencia o necessário. Melhor, o Senhor vai além do que consideramos ser bom e nos dá aquilo que é preciso para viver bem cada coisa. Fico encantada em ver como Deus agiu quando nos decidimos a fazer as fotos da gestação do Francisquinho.
Uma amiga, a Akemi, tem uma irmã fotógrafa – a kelen. Eu já havia visto o trabalho dela anteriormente e já a seguia em uma mídia social. Porém, como ela reside em outro estado, não tinha tido oportunidade de fazer qualquer trabalho com ela. Por providência divina, quando decidimos fazer as fotos, a kelen veio visitar a Akemi em Brasília.

Eu e o André percebemos que não poderíamos desperdiçar essa graça. E entramos em contato com a kelen para ver se havia possibilidade dela fazer o registro da gravidez. Como foi algo inesperado, ela não havia trazido o material completo que utiliza para esse tipo de trabalho. Mas, eu não vi nisso um obstáculo. Sabia que o trabalho dela ficaria muito bom. Marcamos a data: 19/11/2018.

No dia combinado, à tarde, o tempo em Brasília fechou e choveu muito. Eu liguei para a kelen e perguntei se seria possível ela vir. E ela se dispôs, mesmo com toda a chuva que caía. Tivemos que fazer as fotos dentro de casa. Deus escolheu nossa casa: ali, onde vivíamos nosso rema – um dia de cada vez, onde fazíamos nossas refeições, onde nos uníamos em orações, onde recebíamos os amigos. Deus quis que, na simplicidade do nosso lar, registrássemos o milagre que eu trazia em meu ventre.

E não poderia ter sido de outra forma: precisava ser ao estilo franciscano mesmo. Era Francisco que eu trazia dentro de mim. Ele já havia nos ensinado o valor das coisas mais simples. Tiramos fotos a tarde inteira. Depois, eu e o André sentimos em partilhar a experiência do Francisquinho com a kelen. Como eu já disse em outros posts, a gente partilhava quando sentia no coração que era o momento de dividir a nossa história com a pessoa. Simples assim. Sem muito racionalizar.

Terminamos de conversar, a kelen foi embora, mas aquele momento ficou registrado em nossos corações. Gratidão a Deus pelo dom que Deus lhe concedeu, kelen. Você foi além do click. Você nos fez perceber que o Francisquinho era uma história de fé e amor. O nosso muito obrigada por esse lindo registro em nossa história.
Um click, um registro e muito amor. Até o próximo post.
Paz e bem
O profeta e a criança
E lá vamos nós em mais um momento vivido na gestação do Francisquinho. No dia 21/09/2018, fui acompanhar minha mãe em uma consulta ao dermatologista. Parecia que seria um dia comum. Mas, só parecia. Deus já me reservava algo muito especial.
Há umas duas semanas atrás do dia 21/09, uma pessoa da comunidade Canção Nova, que eu havia conhecido e residido com ela no período em que fui missionária chamada Margleis, entrou em contato comigo. Ela soube que passava por uma gestação difícil. E como tínhamos um laço de amizade, quis saber o que se passava. Naquele momento, eu pedi orações a ela e disse que a gestação era de risco. Porém, não me aprofundei no assunto.
Foi, então, que naquele dia em que estava com a mamãe na sala de espera do consultório da dermatologista, recebi essa mensagem do Monsenhor Jonas, fundador da Comunidade Canção Nova:
“Mariana, aqui você era chamada de Marianinha, e eu estou mandando esse áudio para dizer que estamos unidos a você, a este bebê que você está gerando. A mão de Deus está apoiando essa criança. E nós aqui da Canção Nova nos unimos a você, pedindo até mesmo, se preciso, um milagre, para que a sua criança venha com toda a saúde. Confie em Deus. Entregue-se a Deus. Ele está ouvindo a sua oração, especialmente, Nossa Senhora. Ela olha para você. E ela que foi mãe sabe o que uma mãe passa nessa situação. Confie-se à Nossa Senhora. Deus abençoe você, seu marido e o bebê que você está gestando. Sob vocês a bênção do Deus todo poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo, Amém”.
Eu não consegui ouvir tudo no primeiro momento. Desabei em prantos. Ouvir a voz do Monsenhor Jonas foi como ouvir a voz de Deus Pai. Monsenhor Jonas fez parte da minha vida e da minha história. Muito do que eu sou hoje devo ao tempo em que fui missionária dentro da Canção Nova. E para mim, sua voz sempre será a voz de um profeta. Em suas palavras, havia a proclamação de um milagre. Vou além: fez a minha família enxergar que já vivíamos um milagre. Francisquinho vivia com toda enfermidade letal. Isso não era um simples fato. Isso já era um milagre!
Receber aquela mensagem era mais um sinal de esperança em meio ao vale de lágrimas pelo qual eu e o André passávamos. Que presente o céu me enviava! Como comecei a chorar, a dermatologista saiu e foi me atender, pensando que estava a passar mal por causa da gravidez. E fui explicar toda a situação que acabara de acontecer.
Aqui, entrou na minha vida outra pessoa muito especial: Dra Flávia. A consulta era para minha mãe. Mas ao me ver em prantos, ela agiu com misericórdia e me acolheu em seu consultório. Ouviu o relato de tudo o que tinha vivido até ali com o Francisquinho. E depois, ela me abraçou. Foi a cura para o meu coração de muitos médicos que são insensíveis quanto aos sofrimentos dos seus pacientes.
Depois de atender minha mãe, tomei a iniciativa de pegar o contato de telefone dela para trocarmos mensagens. Eu trago em meu coração de que ninguém entra em nossa vida à toa. E aquela experiência poderia ser o início de uma amizade. E assim se fez. Trocamos mensagens e a convidei, juntamente com o esposo e filhos, para um lanche lá em casa. Eles foram. Foi uma noite bem agradável.
Um fato me marcou nessa noite: a filha da Flávia me deu um presente – um terço com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. A simplicidade das crianças sempre me comoveu. Eu o guardei no quarto que era do Francisquinho e dos seus futuros irmãos (se Deus quiser). E, mais tarde, compreendi que ali estava uma visita disfarçada da Mãe de Deus na minha vida.

Gratidão a Deus por recordar desse dia, pela experiência com o Monsenhor Jonas, pela vida da Margleis que foi canal da graça e de tantos bons conselhos, pela vida da Flávia e família. Hoje, recordar esses fatos me levam ao louvor e cura do meu coração em meio ao luto. Obrigada, meu Senhor.
É interessante como o Senhor, de forma tão distinta, coloca um padre, com grande experiência, que nos trouxe a sabedoria e a oração. E, permite que uma criança nos ensine a simplicidade e o poder da oração. Fomos visitados pelo profeta e pela criança: idades distintas, experiências diversas e o amor em comum.
Até o próximo post.
Paz e bem.
Poema a Francisco
Ao longo da gestação, recebi algumas visitas. Dentre essas visitas, uma me marcou muito. Alana e Matilde trabalham comigo no mesmo setor. Elas não sabiam da enfermidade do Francisquinho até aquele almoço. Como tinha sido orientação da minha psicóloga, eu vivi essa situação na discrição.
Quando me recordo desse dia, fico surpreendida como o Senhor conduziu tudo da melhor forma possível. Eu sabia que precisava viver a situação com muita prudência com quem partilhar a situação. Porém, sabia que esse tipo de posicionamento não era algo inflexível. Deus já havia me mostrado que era Ele quem estava a frente de tudo, inclusive das pessoas as quais eu iria partilhar essa situação.
E com elas foi algo bem interessante. Sem planejar nada, elas se ofereçam para me visitar e durante o almoço, eu senti em meu coração que deveria partilhar esse fato: o filho que eu tanto esperei estava enfermo. Elas ficaram surpresas. Mas, respeitaram a minha situação, não se deixaram levar pela curiosidade, e não me perguntaram qual era a enfermidade do Francisquinho. Sabiam que isso não era o mais importante. E o que elas fizeram? Perguntaram se poderiam orar por mim. Eu respondi que sim.
Quando alguém ora por você, aquela oração não fica sem efeitos, quando é movida pelo Espírito Santo. E eu realmente senti a presença de Deus por meio da oração da Matilde e da Alana. Foi como um bálsamo em meio a tudo o que vivia. Senti o cuidado de Deus por meio delas. O almoço já tinha sido muito bom. A partilha também. E viver tudo isso em oração é melhor ainda! Mas Deus ainda reservaria algo precioso para alegrar minha tarde.
Recebi, no meio da tarde,uma mensagem da Alana, que me fez chorar, a qual compartilho com vocês:
“Mari, fiquei tão grata por você ter deixado o Francisco perto de mim hoje. Hoje você compartilhou ele comigo. Eu estava aqui pensando, e o que me deixou feliz foi saber que, de alguma forma, ele sentiu o meu amor, sabe. Ele vivenciou um momento comigo e eu com ele. De alguma maneira, você abriu uma porta, para que ele pudesse ser amado, para que ele pudesse fazer parte não só da sua vida, mas também fazer parte da vida das pessoas que te amam!
Ele é o nosso milagre diário, o presente diário! A esperança que nasce todos os dias. O amor que se renova. A calma que não cessa. O mistério para aprendermos a ter fé. O medo para nos ensinar a confiar. A inocência para nos fazer voltar a ser como ele. Francisco é um “ancião” que nos ensina…
Mari, desculpe-me se eu não consegui me expressar de uma forma amorosa: o Francisco está conosco e a vinda dele não está sendo esplendorosa apenas para você e o André; é para tantos, que você nem imagina!
Obrigada Deus pela vida da Mari e por ter nos dado o Francisco, que em meu coração já está fazendo morada, que é amado e é especial. Esse amor vem de Deus. Tenha um bom dia, de paz, porque Deus está presente. E sempre estará”.
Iremos partilhar com vocês qual foi a nossa reação ao reler cada trecho da mensagem. É claro que cada um terá outros tipos de reflexões. Aqui estão algumas meditações minhas e do André:
Como é lindo perceber que não somos nós que escolhemos as pessoas que entram em nossa vida. Aprendemos com o Francisquinho como precisamos nos abrir a todos aqueles que o Senhor põe em nosso caminho. É abrir uma porta para que o outro seja amado. Não sabíamos o que fazer e tentamos ser conduzidos por Deus.
” Ele é o nosso milagre diário, o presente diário! A esperança que nasce todos os dias. O amor que se renova. A calma que não cessa. O mistério para aprendermos a ter fé. O medo para nos ensinar a confiar. A inocência para nos fazer a voltar a ser como ele”.
Quando lemos essa parte, percebemos que aqui estava um poema que Deus inspirou ao coração da Alana. Um poema que diz o que o Francisquinho realmente foi e o que ele sempre será. Obrigada, Alana, por ter sido dócil e ter compartilhado tamanha riqueza comigo. Cada frase dita acima diz totalmente do que foi a vida do Francisquinho.
Ele foi o nosso milagre diário. E com ele aprendemos a viver um dia de cada vez.
Ele foi nosso presente diário. Todo dia, ao amanhecer, agradecíamos ao Senhor por mais um dia com o Francisquinho e terminávamos o dia também com o coração agradecido por tê-lo mais um dia.
Ele era sinal da esperança que nascia todos os dias. Não esperávamos a morte. Celebrávamos a vida! Enquanto houvesse batida no coração, teríamos esperança renovada.
Ele renovou nosso amor. Ensinou-me a enxergar no André o meu próximo mais próximo. Fez-nos crescer em nosso matrimônio.
E trouxe uma calma inquieta as nossas vidas. Embora houvesse medo da perda, Francisquinho despertava o melhor de nós. Ele nos levava a experimentar o que é amar na gratuidade.
Sem dúvida, uma das palavras que mais define o Francisquinho é mistério. Não entendemos nada da Síndrome. Não nos preocupamos por que e como ela surgiu. Isso não era o mais importante. O que éramos convidados era amar o Francisquinho do jeito dele, mesmo que fosse por apenas 1 dia. Ele precisava saber que era amado. E esse era o nosso desafio.
Havia o medo de perdê-lo. Mas, Francisquinho de alguma forma, buscava mostrar que ele estava ali, junto com a gente. Era uma perninha que se movimentava. Era a mãozinha que ficava saliente em minha barriga. Era um movimento ao ouvir a voz do André. Ele nos ensinou a confiar que Deus conduzia essa história.
E, por fim, ele foi o “inocente” no meio de nós; trouxe a pureza própria da criança e o amor.
Relembrar esse dia me faz perceber quão bom Deus foi ao nos dar Francisquinho. Louvado seja o Senhor hoje e sempre.
Paz e bem!

































