Por que valorizar o que é belo? O belo nos faz olhar para a perfeição como Deus fez todas as coisas. E, contemplando as criaturas, olhamos para o Criador e ficamos maravilhados, porque Ele é perfeito. E aí compreendemos que, embora imperfeitos, precisamos lutar contra as nossas misérias. É claro que isso não é feito de uma vez só. Mas, se não olharmos para nós e buscarmos corrigir as pequenas faltas, como iremos nos converter? Então, pare um pouco, contemple a perfeição de Deus. Depois, olhe para sí: veja com que grande amor Deus lhe ama, apesar de suas faltas. E escolha uma delas e lute contra ela. Uma ótima semana! Paz e bem
“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu” (Eclesiastes 3,1). Com esse versículo, iniciou-se outro tempo em minha vida. Um tempo que começa a ser revelado, da maneira como Deus fala comigo e com o André: a cada dia.
No início do mês de julho, recebi alta do psiquiatra. Meu coração alegrou-se: agora, estou sem remédios. Que sensação boa! Eu não me envergonho de ter ido a um psiquiatra. Há horas que você precisa reconhecer que é tempo de pedir ajuda. E isso foi algo importantíssimo em todo o processo de perda. Não sei se voltarei a precisar de remédios. Mas, caso necessário, tomarei sem medo.
A cada semana, eu tiro uma Palavra da Bíblia, que orienta a minha semana. Essa foi a que tirei nesta segunda-feira (22/07/2019) e ela reflete muito o que tem sido esse momento da minha vida:
Semana passada, vivi algo que me remexeu completamente. Fui a uma costureira para fazer uns ajustes de roupas. Essa costureira me viu grávida e soube da perda do Francisquinho. Quando mostrava a ela os ajustes que desejava fazer, ela me surpreendeu com a solicitação de roupas de grávida para sua filha que agora se encontrava gestante.
Eu fiquei surpresa. No primeiro momento, não soube reagir. Até aquele momento, não havia sentido vontade de doar minhas roupas. E, simplesmente, desconversei. Saí dali e me veio um sentimento de raiva. Eu mal conhecia a pessoa. Eu me senti invadida. Quando veio a noite, os sentimentos começaram a diminuir. A poeira começou a se assentar. Fui revivendo aquele dia, em especial, aquele momento.
Depois, parei a reflexão do fato e fui ler o livro que conta a história de São Francisco de Assis (Irmão de Assis de Inácio Larranaga). Novamente, a providência divina veio orientar meus passos. O capítulo tratava sobre a prova de fogo de Francisco ao abraçar um leproso. Francisco mesmo começa seu Testamento assim: “…parecia-me sobremaneira amargo ver leprosos. E o próprio Senhor me conduziu entre eles, e fiz misericórdia com eles. E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo se me converteu em doçura de alma e de corpo; …” (Test 1-3).
Como Francisco era convidada a transformar a amargura em doçura. Conversei com o André, comentei sobre todo o meu dia e da decisão tomada: iria separar roupas da gestação do Francisquinho para a filha da costureira. Sem vontade alguma, seguia a intuição que vinha ao meu coração, depois da reflexão. E, assim se fez.
No dia seguinte, fui buscar as roupas que havia deixado para ajuste e ali entreguei as roupas. Os sentimentos me atormentavam. Eu não sentia vontade qualquer de fazer esse gesto, mas uma força interior me impulsionava a fazer. Em meio às lágrimas, entreguei a ela as roupas para serem doadas à sua filha e fui embora. Havia passado pela prova de fogo, a duras penas. Deus me introduzia em um tempo de cura mais profunda. E há certas curas que doem muito. Esse era o novo tempo que era convidada a viver.
No fim do dia, conversando com uma amiga que também está grávida, ela me comentou sobre um carrinho de bebê preto que ela e o esposo estavam procurando. Ali, Deus me visitou. Diferente da outra experiência, agora havia doçura em meu coração. Percebi que Deus estava me convidando a um desapego. Depois da prova de fogo, agora não sentia mais raiva. Sentia vontade de compartilhar algo que comprei para meu filho com alguém que iria poder usufruir com filho que chegará em breve. Conversei novamente com o André, e com a sua concordância, demos o carrinho do Francisquinho.
Eu percebo que esse novo tempo está associado a uma cura interior profunda. Deus realmente quer tirar toda a dor, que ainda existe e que está mascarada. Não é fácil. Dói. Porém, sei que se for dócil a esse caminho de cura, a Palavra que tirei hoje encontrará terreno fértil para frutificar. E eu quero experimentar o novo. Preciso fazer a minha parte. E eu me abro a cura. Cura-me, Senhor, mesmo que doa. Preciso fazer a sua vontade e não a minha. Rezem por nós!
Até o próximo post, quando e como Deus quiser. Paz e bem!