A generosidade da adoção

Posted @withregram • @defesadavida_al O juiz José Fernando Santos de Souza atua na Vara da Infância e da Juventude de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, que atende dezenas de cidades da região.

Era uma pequena caixa de sapato. Dentro, havia um menino com poucos dias de vida. A mãe segurava firme a acomodação improvisada e oferecia a criança a quem passava. Aquele foi o último encontro entre ela e o filho. No mesmo dia, o bebê foi entregue a uma desconhecida. A doação aconteceu em uma praça, no centro de João Pessoa, na Paraíba. Daquele dia em diante, o bebê recebeu abrigo, alimento, educação e amor de uma outra família.

José Fernando foi o único filho de uma dona de casa e de um policial militar, hoje falecidos. Não teve fartura material em casa. Mas lembra da dedicação e do carinho dos pais que lhe abrigaram. E isso faz toda a diferença para qualquer criança, defende. O juiz costuma ser chamado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) para contar sua trajetória nas palestras do Programa Eleitor do Futuro, uma iniciativa cujo objetivo é abordar junto a estudantes de escolas públicas temas como a história do voto no Brasil, a participação cidadã e a formação de um jovem crítico. ;Na palestra, coloco a história da caixa de sapato como se não fosse a minha história. Relato o caso de uma senhora que vem do interior da Paraíba e vai morar na capital. Ela, muito pobre e sem o marido, que tinha ido para São Paulo, engravidou de um homem casado. No final, conto que eu sou a criança entregue para adoção.

“Tudo o que meus pais me dedicaram foi fundamental. Mesmo pobres, oportunizaram para mim tudo o que estava ao alcance deles. Sempre senti muito amor deles.”

José Fernando não voltou a encontrar a mãe biológica. Nunca sentiu vontade. Nem mesmo mágoa. ;Como ter raiva de alguém que não te matou, não te jogou no rio, ficou ali nove meses contigo na barriga, teve as dores do parto, pariu e deu para alguém criar? Ela se viu grávida de um homem casado, não podia voltar para o interior naquelas condições. Veja a história completa no Instagram

Somos contra a legalização do aborto

O Papa Francisco manifestou-se contra a aprovação de projeto de lei que tenta legalizar o aborto na Argentina até a 14ª semana de gestação, de autoria do presidente da Argentina Alberto Fernández.
Em resposta enviada por e-mail à deputada Victoria Morales Gorleri (PRO), Francisco agradeceu pela carta recebida de mulheres da chamada “onda celeste” (de cor azul, que na Argentina significa ser pró-vida) e o esforço realizado para evitar o ativismo da “onda verde”, cor usada por entidades favoráveis à aprovação do aborto. No texto, o papa lembrou que ser contra o aborto é uma questão de ética humana – o assassinato de um ser humano – e, portanto, anterior a qualquer confissão religiosa.
A pátria está orgulhosa de ter mulheres assim. E sobre o problema do aborto, ter presente que não é um assunto primariamente religioso, mas de ética humana, anterior a qualquer confissão religiosa. E faz bem fazer-se duas perguntas: É justo eliminar uma vida humana para resolver um problema? É justo contratar um assassino para resolver um problema?”, escreveu.
O projeto de lei de Fernández foi enviado ao Congresso argentino no último dia 17 de novembro. Além da descriminalização do aborto até a 14ª semana de gestação, a proposta quer permitir o aborto em qualquer momento da gestação quando a gravidez seja decorrente de estupro. Inclui, ainda, a obrigação de médicos contrários ao aborto a encaminhar a gestante para profissionais que aceitem a prática.

Primeiros passos: Nossos encontros com os médicos

Depois da conversa com a Dra Judith, nossa psicóloga, fomos buscar orientação espiritual com o Pe. Lucas, um sacerdote diocesano que tivemos a graça de conhecer em uma Santa Missa na Paróquia Santa Rita.

Antes de continuar a história do Francisquinho, queremos partilhar sobre a providência do encontro com esse sacerdote. Um dia, fui à missa e aproveitei para me confessar. Estava com a camisa do Grêmio. Meu esposo (o André) é gremista. Ele estava viajando e aproveitei para usar a camisa como forma de diminuir a saudade. No final da confissão, o Pe. Lucas me perguntou se eu era do Sul e disse que o André que havia nascido lá. Ele me questionou qual era a cidade natal do André e ao dizer que era Carazinho, ele ficou surpreso, pois sua família também era de lá. Depois, tive a oportunidade de apresentar o André ao Pe. Lucas e assim iniciou nossa amizade com esse bom padre, que visitava nossa casa para tomar um chimarrão e conversar conosco. Quando o Pe Lucas soube que queríamos um filho, colocou nossa intenção em suas orações.

No dia 2 de junho de 2018, aos prantos, entrei em contato com o Padre Lucas e perguntei se ele poderia nos visitar. Antecipamos a ele um pouco do nosso choque a respeito da situação do nosso bebê. O padre logo se prontificou e veio estar conosco. Primeiro nos ouviu, acolheu a nossa e nos trouxe o consolo de Deus. Como foi importante ouvir as palavras de um sacerdote nessa hora de sofrimento.

Perguntamos ao Pe. Lucas qual a orientação que a Igreja dava aos pais que se encontravam neste tipo de situação em que não se sabe até quando o filho poderá sobreviver. Não sabíamos até quando teríamos nosso filho conosco. E, dessa forma, não sabíamos se ele teria a oportunidade de ser batizado. Padre Lucas nos orientou a realizar o batismo de desejo: como a criança não teve a chance de desejar o batismo, este desejo deve ser suprido pelos pais, assim como a necessidade da Fé para o batismo é suprida pela Igreja e/ou pelos pais e padrinhos.

Como estava na 13ª semana, ainda não sabíamos o sexo do nosso filho. Mas, após ouvir a orientação do padre, eu e o André nos recordamos do sonho que tivemos, no qual nosso filho seria chamado de Francisco. E, no dia seguinte, nós desejamos o batismo de desejo e passamos a chamar nosso filho de Francisquinho. Como não havia nenhuma pessoa conosco, escolhemos padrinhos espirituais: São Francisco e a Bem aventurada Nhá Chica. No dia anterior, havíamos assistido ao documentário dela na Canção Nova e ficamos muito tocados pela história de vida.


O nome Francisco tem origem no latim Franciscus, que veio do germânico Frank, que quer dizer “franco”, que significa “livre”, por isso a tradução do nome Francisco é “francês livre”

Dr. Ubatan¹ estava em viagem, mas havia deixado o contato de Dra Fátima², caso ocorresse algo. E como houve a notícia dos problemas do Francisquinho, entramos em contato com ela. Foi uma experiência de acolhimento frente ao estado de choque em que nos encontrávamos. Dra Fátima foi uma bênção nas nossas vidas. Ela nos encaixou na sua agenda logo no primeiro dia útil depois da notícia. Ela nos sugeriu de fazer novamente o exame, só que dessa vez com um especialista em feto. E concordamos.

Fizemos em uma semana outra ultrassom morfológico. Dessa vez, o geneticista, apesar de manter o diagnóstico, foi mais “humano”. Saímos de lá com dor no peito, mas com a clareza da situação, diferente da primeira experiência do ultrassom morfológico. Nesse dia, Dr. Ubatan nos ligou. Ele já havia entrado em contato com a Dra Fátima e já sabia dos pormenores da situação. Queria saber como estávamos. E suas palavras foram de grande valia: primeiro, ele nos aconselhou a não nos culparmos. Nessa situação, muitas vezes, é normal que os pais pensem que fizeram algo errado. Mas, ele deixou claro que, independente de qual Síndrome fosse, não havia por que se culpar. “Não será um caminho fácil, é uma verdadeira cruz, mas estarei com vocês!”, e assim foi nos orientado a ter os cuidados normais de qualquer gravidez, sem antecipar qualquer sofrimento.

Eu continuava a ser atendida pela Dra Judith semanalmente, o que me ajudava a pontualizar os acontecimentos que vivia. Infelizmente, não encontrava ninguém que houvesse passado por esta situação da Síndrome de Body Stalk. Além disso, eu e o André reforçamos as nossas orações. Não buscamos soluções mágicas. Nem inventamos projetos que não iríamos conseguir cumprir. A cada dia, levantávamos e agradecíamos ao Senhor por mais um dia com o Francisquinho. Pedíamos sabedoria para viver aquele dia. E quando chegava a noite, louvávamos ao Senhor porque tínhamos Francisquinho ainda conosco.

Chegamos na 17ª semana! Cada sábado, virávamos a semana. Cada sábado era uma festa em nossa casa. Até cantávamos “parabéns” para o Francisquinho. Sabíamos que ele também lutava pela vida: era o nosso guerreiro. Fomos encaminhado à Dra Andrea³ para fazer o ultrassom. E ali vivemos uma experiência de cura. Ela buscou saber detalhadamente da vida do Francisquinho até aquele momento. O seu jeito de nos atender, a forma profissional foram importantes para curar nosso coração do choque do 1° exame. Nesse primeiro contato, ela nos revelou o sexo do nosso bebê: um menino. Eu e o André nos alegramos nesse momento, pois nosso filho já possuía um nome masculino e agora tínhamos a confirmação. Na 20ª semana , Dra Andrea nos trouxe o conhecimento que estávamos com imagem compatível com a Síndrome de Body Stalk.

Batimentos cardíacos do Francisquinho na 17ª semana

Imagem em 3D – Francisquinho 17ª semana

Queremos finalizar este post, com um agradecimento aos médicos,inclusive ao Padre Lucas, pois ele também é médico (de almas), que nos acompanharam ao longo da história do Francisquinho. Ainda falta citar outros que foram importantes nessa caminhada. Mas, já queremos hoje agradecer a todos que o Senhor deu como dom a medicina. Louvamos ao Senhor pela vida de vocês. Agradecemos também aos que não foram tão bons. Nem sempre a gente acerta na profissão.

Honra o médico, porque ele é necessário,
pois foi o Altíssimo que o criou.
De Deus lhe vem a sabedoria
e do rei ele recebe presentes.
A ciência do médico o faz andar de cabeça erguida,
e ele é louvado entre os poderosos.
Da terra o Altíssimo criou os remédios, e quem é prudente não os despreza.
A água amarga não se tornou doce por meio de um pedaço de madeira,
para que os homens reconhecessem o poder de Deus?
O Altíssimo deu aos homens a ciência
para que pudessem honrá-lo por suas maravilhas.
Com elas o médico acalma a dor
e o farmacêutico prepara os produtos;
assim suas obras não ficam inacabadas
e a saúde se difunde sobre a terra. Filho, se adoeceres, não te descuides,
mas reza ao Senhor e ele te dará a cura.
Evita as faltas, conserva puras tuas mãos
e purifica teu coração de todo pecado.
Oferece incenso, a oblação de flor de farinha
e a gordura das vítimas conforme tuas possibilidades.
Recorre depois ao médico,
pois foi o Senhor que o criou;
e não esteja longe de ti, porque necessitas de seu serviço.
Há casos em que a cura está nas mãos dele. Também eles rogarão ao Senhor,
para que os guie no diagnóstico certo
e faça acontecer a cura. Peca contra o próprio Criador
aquele que quer mostrar-se valente diante do médico.

Eclesiástico 38,1-15

Paz e bem!

1 Dr Ubatan atualmente atende na Clínica Mater Dei: https://materdeigineco.wixsite.com/meusite

2 Dra Fátima atende na Ginobih- Clínica de Ginecologia e Obstetricia: 33262325 e 33263432.

3 Dra Andrea atende na Clínica Analysis: 3346-2239

O bebê com body stalk, uma intuição e a música

Após o falecimento do Francisquinho, Deus colocou no meu caminho jóias preciosas: mães que passaram ou têm passado pelo que vivi com a questão da Síndrome de Body Stalk.

A Thamirys, eu conheci no dia 5/12/2018, em um aplicativo para acompanhar a gestação (Baby center). Logo depois, no fim de dezembro, conhecemos a Aline. Nesse momento, decidimos em ter um grupo de whatapp para podermos partilhar um pouco mais da Síndrome.
Em janeiro desse ano (2019), tivemos a graça de conhecer a Lusilene e a Gláucia.

É tão bonito ver como Deus reúne pessoas diferentes, com histórias diferentes, culturas diferentes, religiões diferentes, que partilham da mesma dor e se unem para compartilhar suas lágrimas, seus desafios, suas descobertas. Cada uma está em um momento: algumas já perderam seus anjinhos e estão em luto; outras estão com eles no ventre.

Desde que nos conhecemos, tem sido um tempo de aprendizado. Existem poucos relatos sobre a Síndrome de Body Stalk. Então, vamos descobrindo realidades que a medicina ainda não souber descrever. Muito além do que se restringir a uma má formação, essa síndrome esconde uma ligação intensa que existe entre a mãe e o filho(a).

Um belo dia, conversando com a Thamirys, percebemos como nossos anjinhos Francisquinho e Olívia tinham algo em comum: embora tivessem a limitação do cordão umbilical curto, eles se mexiam tanto. Francisquinho tinha uma forma tão carinhosa de me acordar às 6h da manhã. Mexia seu pezinho delicadamente no pé da minha barriga. Ali, eu sentia que precisava comer algo. Era como se ele me dissesse: “mamãe, quero comer”. Quando alguém tocava na minha barriga, Francisquinho também mexia. Meu filho, com certeza, era uma pessoa extrovertida. Gostava de dizer “oi” para todos que vinham falar com ele.

Certa vez, uma colega de serviço, que não sabia da Síndrome, ficou impressionada com os movimentos dele. Comentou com os outros colegas de trabalho: “Francisquinho mexe muito”. Quero ressaltar que essa constatação eu não li em nenhum lugar. Foi a experiência da gestação que me proporcionou essa descoberta. E só me atentei a isso, ao partilhar com a Thamirys, que passava pela mesma situação.

Outro fato que sempre me chamou a atenção foi a música. Já tinha lido sobre o quanto a música faz bem às crianças na gestação. O que quero narrar é que uma mãe deve seguir o instinto do seu coração. Eu , em toda minha vida, não havia escutado músicas em latim. Em um dado momento da gestação, veio ao meu coração: ponha músicas para Francisquinho ouvir. Então, entrei no youtube para escolher algumas. Passeando entre músicas clássicas, canto gregoriano, deparei-me com as músicas em latim. E vi o quanto aquele som despertou uma sensação de bem-estar. Selecionei algumas e pedi ao meu esposo que transformasse em formato mp3. André, atencioso, atendeu meu pedido e compartilhou as músicas em uma pasta intitulada “Francisquinho´s music”.

A partir daquele dia, depois que comecei a ouvir as tais músicas em latim, percebi que Francisquinho ficava quietinho. Era como se aquele som provocasse nele uma sensação tão boa, que ele tinha que ficar parado para curtir o momento. E ficávamos ali, mãe e filho, ouvindo músicas em latim.

Dentre essas músicas, uma me deixava tão feliz, que eu partilhei com o André. Passamos então a ouvi-la os 3 em família. Essa música tem como título “Benedicat tibi dominus“. Uma tarde, André mandou para mim a história da música, que compartilho com vocês abaixo:

Meu filho chamava-se Francisco. Eu me identifiquei com uma música feita por São Francisco para um de seus frades: Frei Leão. Amo essas providências divinas. Percebem como é importante seguir o coração? Eu jamais conheceria essa história se não tivesse seguido a intuição. Da mesma forma, o André foi dócil ao que veio em seu coração e foi procurar quem havia composto essa música.

Voltando a importância de partilhar o que vivemos, eu me dei conta que as crianças com essa Síndrome gostam MUITO de música. Não tenho nada científico que comprove o que eu digo (hehe), mas tenho a experiência do que vivi com o Francisquinho. Tenho a partilha da Thamirys com a Olívia. E, sinceramente, a vida para mim ensina tanto quanto um livro. Até porque livros foram escritos após a vivência de fatos, não é mesmo?

Quem sabe, um dia, alguém prova o que Thamirys e eu vivenciamos quanto à música. Por hoje, é isso que vem no coração para contar a vocês. Paz e bem!

Fonte:Youtube – Maravilhosa execução do Coral de Crianças de “Benedicat tibi Dominus – Bênção para Irmão Leão”. Natal 2008

Mensagem do Papa Francisco no 27º Dia Mundial do Enfermo

Queridos irmãos e irmãs!

«Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8): estas são palavras pronunciadas por Jesus, quando enviou os apóstolos a espalhar o Evangelho, para que, através de gestos de amor gratuito, se propagasse o seu Reino.

Por ocasião do XXVII Dia Mundial do Doente, que será celebrado de modo solene em Calcutá, na Índia, a 11 de fevereiro de 2019, a Igreja – Mãe de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos doentes – lembra que o caminho mais credível de evangelização são gestos de dom gratuito como os do Bom Samaritano. O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos é «querido».

A vida é dom de Deus, pois – como adverte São Paulo – «que tens tu que não tenhas recebido?» (1 Cor 4, 7). E, precisamente porque é dom, a existência não pode ser considerada como mera possessão ou propriedade privada, sobretudo à vista das conquistas da medicina e da biotecnologia, que poderiam induzir o homem a ceder à tentação de manipular a «árvore da vida» (cf. Gn 3, 24).

Contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-me afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas. Como pressuposto do dom, temos o diálogo, que abre espaços relacionais de crescimento e progresso humano capazes de romper os esquemas consolidados de exercício do poder na sociedade. O dar não se identifica com o ato de oferecer um presente, porque só se pode dizer tal se for um dar-se a si mesmo: não se pode reduzir a mera transferência duma propriedade ou dalgum objeto. Distingue-se de presentear, precisamente porque inclui o dom de si mesmo e supõe o desejo de estabelecer um vínculo. Assim, antes de mais nada, o dom é um reconhecimento recíproco, que constitui o caráter indispensável do vínculo social. No dom, há o reflexo do amor de Deus, que culmina na encarnação do Filho Jesus e na efusão do Espírito Santo.

Todo o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. Também esta é uma condição que carateriza o nosso ser de «criaturas». O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável à existência.

Esta consciência impele-nos a uma práxis responsável e responsabilizadora, tendo em vista um bem que é indivisivelmente pessoal e comum. Apenas quando o homem se concebe, não como um mundo fechado em si mesmo, mas como alguém que, por sua natureza, está ligado a todos os outros, originariamente sentidos como «irmãos», é possível uma práxis social solidária, orientada para o bem comum. Não devemos ter medo de nos reconhecermos necessitados e incapazes de nos darmos tudo aquilo de que teríamos necessidade, porque não conseguimos, sozinhos e apenas com as nossas forças, vencer todos os limites. Não temamos este reconhecimento, porque o próprio Deus, em Jesus, Se rebaixou (cf. Flp 2, 8), e rebaixa, até nós e até às nossas pobrezas para nos ajudar e dar aqueles bens que, sozinhos, nunca poderíamos ter.

Aproveitando a circunstância desta celebração solene na Índia, quero lembrar, com alegria e admiração, a figura da Santa Madre Teresa de Calcutá, um modelo de caridade que tornou visível o amor de Deus pelos pobres e os doentes. Como dizia na sua canonização, «Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. (…) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes (…) da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a “luz” que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento. A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres» (Homilia, 4/IX/2016).

A Santa Madre Teresa ajuda-nos a compreender que o único critério de ação deve ser o amor gratuito para com todos, sem distinção de língua, cultura, etnia ou religião. O seu exemplo continua a guiar-nos na abertura de horizontes de alegria e esperança para a humanidade necessitada de compreensão e ternura, especialmente para as pessoas que sofrem.

A gratuidade humana é o fermento da ação dos voluntários, que têm tanta importância no setor socio-sanitário e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano. Agradeço e encorajo todas as associações de voluntariado que se ocupam do transporte e assistência dos doentes, aquelas que providenciam nas doações de sangue, tecidos e órgãos. Um campo especial onde a vossa presença expressa a solicitude da Igreja é o da tutela dos direitos dos doentes, sobretudo de quantos se veem afetados por patologias que exigem cuidados especiais, sem esquecer o campo da sensibilização e da prevenção. Revestem-se de importância fundamental os vossos serviços de voluntariado nas estruturas sanitárias e no domicílio, que vão da assistência sanitária ao apoio espiritual. Deles beneficiam tantas pessoas doentes, sós, idosas, com fragilidades psíquicas e motoras. Exorto-vos a continuar a ser sinal da presença da Igreja no mundo secularizado. O voluntário é um amigo desinteressado, a quem se pode confidenciar pensamentos e emoções; através da escuta, ele cria as condições para que o doente deixe de ser objeto passivo de cuidados para se tornar sujeito ativo e protagonista duma relação de reciprocidade, capaz de recuperar a esperança, mais disposto a aceitar as terapias. O voluntariado comunica valores, comportamentos e estilos de vida que, no centro, têm o fermento da doação. Deste modo realiza-se também a humanização dos tratamentos.

A dimensão da gratuidade deveria animar sobretudo as estruturas sanitárias católicas, porque é a lógica evangélica que qualifica a sua ação, quer nas zonas mais desenvolvidas quer nas mais carentes do mundo. As estruturas católicas são chamadas a expressar o sentido do dom, da gratuidade e da solidariedade, como resposta à lógica do lucro a todo o custo, do dar para receber, da exploração que não respeita as pessoas.

Exorto-vos a todos, nos vários níveis, a promover a cultura da gratuidade e do dom, indispensável para superar a cultura do lucro e do descarte. As instituições sanitárias católicas não deveriam cair no estilo empresarial, mas salvaguardar mais o cuidado da pessoa que o lucro. Sabemos que a saúde é relacional, depende da interação com os outros e precisa de confiança, amizade e solidariedade; é um bem que só se pode gozar «plenamente», se for partilhado. A alegria do dom gratuito é o indicador de saúde do cristão.

A todos vos confio a Maria. Que Ela nos ajude a partilhar os dons recebidos com o espírito do diálogo e mútuo acolhimento, a viver como irmãos e irmãs cada um atento às necessidades dos outros, a saber dar com coração generoso, a aprender a alegria do serviço desinteressado. Com afeto, asseguro a todos a minha proximidade na oração e envio-vos de coração a Bênção Apostólica.

Fonte:https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/mensagem-papa-francisco-para-o-dia-mundial-enfermo-2019/

Pedimos ao Senhor que, neste dia dedicado aos enfermos, olhai por todas as crianças com a Síndrome de Body Stalk e demais enfermidades. Tende compaixão das famílias que passam por esse tipo de situação.

Camila, meu raio de sol

Meu nome é Lusilene, tenho 34 anos, casada, mãe da Laura de 4 anos e da Camila; no momento, em uma gestação de 20 semanas. A Laura veio de uma gestação perfeita, nasceu perfeita e cheia de saúde. Planejamos ter outro filho quando ela estivesse com 4/5 anos. E assim foi feito.

Eu usava DIU de cobre. Então, conversei com a ginecologista e o retirei em Setembro de 2018. Em outubro, descobri que estava grávida. Iniciei o pré-natal e comecei a fazer todos os exames necessários.

Logo no início, tive um sangramento. Fiz um ultrassom e estava tudo bem. Fiz repouso e segui minha vida normalmente. Retornei na consulta com o resultado dos exames de sangue e permanecia tudo bem.

A médica pediu a morfológica de primeiro trimestre. Fui fazer no Centro Paulista de Medicina Fetal. A demora durante o exame me deixou apreensiva. E descobri que meu bebê tinha uma síndrome rara chamada Síndrome de Body Stalk.

E assim começou a difícil e árdua batalha pra encontrar médicos que me dessem alguma esperança. Em cada um que passava, tudo só piorava. Fui encaminhada a um geneticista, que nos orientou a fazer alguns exames como o cariótipo e nos alertou dos riscos desse exame. Se não desse nada no cariótipo, faria outros tipos de exames de mapeamento genético.

Meu esposo questionou ao geneticista sobre a imagem, porque nos ultrassons anteriores não dava para ver bem. E o geneticista disse que faria também novamente outro ultrassom. E assim foi feito outro ultrassom, com o médico geneticista confirmando o sexo e também a Síndrome de Body Stalk. Um detalhe: nesse exame, a Camila ficou quietinha, bem diferente dos outros dois ultrassons. Era como se ela me dissesse: “mamãe, vou mostrar cada detalhe para você e o papai”. Ela é bem agitada e esse foi o único ultrassom que eu fiz em que ela ficou quietinha, esticadinha, para a gente ver tudo.

Após a constatação da Síndrome, o geneticista riscou todos os exames que ele mesmo havia aconselhado a fazer. Confirmou realmente o Body Stalk e afirmou que qualquer exame a mais seria muito invasivo e só me traria mais sofrimento. E afirmou como profissional que a Síndrome de Body Stalk não é genética e sim de má formação.  Vejo que o fato de ter a minha primeira gestação sem qualquer problema também evidencia isso. Também disse que se quisesse ter outros filhos, que não me preocupasse em fazer exames genéticos, porque não seria isso o determinante para ter a gestação normal.

Bem, estamos aqui, nem sempre tão firmes, nem sempre tão fortes, mas vivendo um dia de cada vez, e como se nenhum perigo nos rondasse. Deus é por nós, quem será contra nós?

Deus abençoe a cada pessoa que venha a ler este relato.

Lusilene
Mãe da Laura e da Camila