Nem sempre o que uma mãe em luto precisa é de palavras

“Mas pelo menos, foi no comecinho.
Mas pelo menos, não sofreu.
Mas pelo menos, não deu tempo de amar.
Mas pelo menos, não viveu pra sofrer.
Mas pelo menos, não viveu com problema.
Mas pelo menos, não foi mais pra frente,
Mas pelo menos, você é nova.
Mas pelo menos, você está bem, já eu não suportaria.
Mas pelo menos, você tem outros filhos.
Mas pelo menos, você pode ter outro um dia.

Não há nenhum “mas pelo menos” que faça sentido quando se perde um filho. Isso dói. E como dói. Seja um aborto inicial ou tardio, seja na barriga ou já nos braços, a perda poderá assumir várias vertentes: planos frustados; uma vida que não será vivida; os primeiros passos que não serão dados; as roupinhas que não serão usadas; um ventre vazio, um berço vazio, dois braços vazios; um amor que vai ficar no peito sufocado, sem ter para onde ir; uma dor que vai doer no peito, doer na alma, e, pode até dilacerar .
Se você não sabe o que dizer a uma mãe que perdeu seu filho, ofereça um abraço em silêncio ou um “eu sinto muito, estou com você“; mas, nunca, jamais, em hipótese alguma, minimize e desrespeite o luto dessa mãe, pois isso machuca e faz doer ainda mais. Há certos momentos que gestos dizem mais que mil palavras.

O luto não é para sempre. Porém, não tem prazo de validade. E ressalta-se: isso não é fraqueza! Essas mães de anjos esforçam-se, desde o amanhecer, para sair da cama e encarar mais um dia; elas buscam forças para continuar a vida, para ver pessoas, para trabalhar; elas lutam para encarar as lembranças que vem a mente a todo momento; ah, elas tentam (e como tentam) não desanimar ao ver outro bebê e não ter os delas em seus braços. São mulheres transformadas pela dor, guiadas pelo amor. São mães, que perderam um filho, que sentem a dor e sabem que essa dor vai estar com elas para sempre”, porque um filho sempre será filho.

Autora desconhecida – texto com modificações