
Dia Nacional da Adoção




Quando me deparei com esses números, eu fico questionada: há mais famílias habilitadas do que crianças para serem adotadas. No entanto, elas permanecem nos abrigos.
E aí iremos nos deparar com uma triste realidade do processo de adoção: muitas crianças não se encaixam no perfil de quem se habilita.
Quando se inicia um processo de adoção, além do fornecimento da documentação, é necessário preencher um perfil da criança a qual se espera adotar: nesse formulário, você especifica a idade, o sexo, a cor e se aceita com enfermidade ou não.
Quando demos entrada para nos habilitarmos à adoção, eu confesso que me surpreendi com esse formulário do perfil da criança. É claro que se ele existe, a Justiça tem suas razões. Porém, gostaria de propor uma pequena reflexão sobre alguns itens dele:
Nós tivemos o Francisquinho. Eu não escolhi o sexo dele. Por que escolheria de uma criança adotada? Preenchemos as duas opções: menino e menina;
O Francisquinho nasceu com enfermidade. Por que eu não me abriria a uma criança enferma? Nossa família se abriu a receber uma criança com enfermidade;
Essa breve partilha não tem o intuito de julgar o perfil de ninguém, mas de estimular a reflexão do que motiva a escolha no perfil.
Cada família sabe o que é possível.
Nem todos serão abertos para adotar uma criança enferma. Nem todos serão abertos a adotarem irmãos. É claro que temos que ponderar cada situação.
Mas não retire a possibilidade de que uma criança enferma pode fazer parte do núcleo familiar, ou que irmãos possam aumentar sua família.
Quando retiramos essa reflexão se seria possível adotar crianças maiores, com irmãos ou enfermas, tiramos destas crianças em abrigo a oportunidade de estarem em alguma família.
Obrigada pela companhia nesta breve partilha. Paz e bem.
Se os homens soubessem o valor da adoção, não haveria mais crianças em orfanatos. Principalmente, quanto às crianças especiais!!!!

Vale a pena ler essa reportagem do Correio Brasiliense (https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2021/11/4963858-programa-da-vij-incentiva-adocao-de-criancas-com-deficiencia.html)
Criado pela Vara da Infância e da Juventude, programa ‘Em Busca de um Lar’ faz busca por famílias para pequenos, de 2 a 4 anos, com problemas ou complexidades de saúde
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), por meio da Vara da Infância e da Juventude do DF (VIJ-DF), tem promovido ações que para incentivar a adoção de crianças com algum tipo de deficiência ou problemas de saúde, como o programa Em Busca de um Lar. O objetivo é sensibilizar os adotantes para a busca por esse perfil.
De acordo com a VIJ, das 587 famílias cadastradas para adoção na capital, nenhuma demonstrou desejo de adotar os meninos e meninas com problemas graves de saúde. A ação também visa auxiliar a adoção de crianças mais velhas, adolescentes e grupos de irmãos.
Na edição-piloto, em 2019, a iniciativa registrou a adoção de três dos seis adolescentes participantes. Nesta segunda fase do projeto serão apresentados meninos e meninas, entre 2 e 4 anos, com sérios problemas de saúde.
Estimativa da Seção de Colocação em Família Substituta (Sefam/VIJ-DF), cerca de 10% das famílias interessadas em adoção demonstram algum tipo de abertura para acolher crianças com doenças sem gravidade e sem complexidade.
A psicóloga da Sefam/VIJ-DF, Isabela Velasco, destaca que é uma tarefa difícil explicar aos interessados em adotar o que se trata, de fato, de um problema de saúde. “Nós nos deparamos com famílias que não estão verdadeiramente dispostas a acolher crianças com questões relevantes, mas sim com rinite, bronquite, alergias simples, etc.”, conta Isabela.

Neste dia de São Francisco de Assis, completamos 2 meses de convivência diária com o Gabrielzinho.
Nada é coincidência: em um dia tão especial para minha família, também vimos quão especial tem sido esse tempo desde que o Gabriel José chegou em nossa casa.
O primeiro mês foi marcado pela adaptação dele conosco e da nossa ambientação com ele.
Esse segundo mês, tem sido o da contemplação: descobrir os detalhes. E que aprendizado a convivência com uma criança nos proporciona.
Um filho nos desinstala, nos tira do egoísmo, restaura dentro de nós uma pureza outrora perdida.
Fico encantada como ele sai do choro para o sorriso em questão de segundos. Quantas vezes, cansada, olho para aquele sorriso, e ali sou restaurada.
Hoje ouvi que o cérebro da mãe é preparado para estar atento ao filho: em uma sala, ela é capaz de escutar o sussurro mais silencioso que o filho exprime.
E é isso que marca esse segundo mês: eu já estou conhecendo ele! Já percebo a carinha de sono, de irritação, de alívio quando o intestino funciona.
Que experiência linda é a contemplação de um filho!
Obrigada, meu Deus, por este dois meses! Também gratidão ao meu esposo, pois sem ele, tudo seria mais difícil. Obrigada, pois juntos, estamos educando o Gabrielzinho. Essas percepções não seriam completas sem seu olhar.
E como é incrível ver o olhar do Gabriel para você: se em mim, ele vê o coração. Em você, encontra a segurança, a firmeza.
Por fim, meu agradecimento ao meu amigo do céu, São Francisco: também rendo meus agradecimentos a sua intercessão. Um dia, se Deus permitir, agradecerei por toda intercessão aos meus filhos. Você tem sido um ótimo padrinho na fé deles.
Paz e bem!
Quando iniciamos o processo para nos habilitarmos à adoção, não imaginávamos que seria tão rápido. Já estávamos acostumados a ouvir que o processo era demorado. Porém, a nossa história foi diferente.
Da nossa chamada para fazer o curso para habilitação até a sentença do juiz foi em torno de 3 meses.
A sentença do juiz favorável ao nosso cadastro no Sistema Nacional de Adoção foi final de julho. Ao sermos inseridos, fomos surpreendidos com a ligação da Vara da Infância em nos dizer que havia uma criança.
E em menos de duas semanas, um lindo menininho foi inserido no seio de nossa família.
Hoje, faz um mês que Gabriel José chegou em nossa casa. Costumamos cantar para ele assim: “Gabrielzinho, Gabrielzinho dourado que nasceu e veio para nossa casa. Gabrielzinho, Deus te trouxe aqui, você veio para nossa casa para nos fazer mais feliz”.
E essa tem sido a música da nossa família.
De repente, eu me vi mãe novamente. De repente, o André viu sua paternidade florescer.
Não sei explicar o que acontece em nosso interior. Ao conhecê-lo, foi amor à primeira vista. Já o víamos como nosso filho. E ele é! Um filho tão amado, tão querido, que tem me feito desbravar a maternidade ainda não vivida por mim até então.
Já foram lágrimas por não entender o choro.
Já foram horas de contemplação em ver nele a perfeição de Deus.
Já houve choro de cansaço.
Já houve pedido de ajuda aos familiares e aos amigos, canais da bondade e da providência de Deus nesse tempo.
Tudo se fez novo!
E Deus sabe o tempo de cada coisa.
Obrigada ao bom Deus por nos dar mais um filho!
Paz e bem
Já me perguntaram de onde surgiu o desejo da adoção.
No primeiro momento, eu não soube responder. Era algo que eu sabia que havia dentro de mim, mas não conseguia descrever exatamente quando começou.
Até que eu me lembrei de uma experiência que fiz à Costa do Marfim, quando ainda era missionária na Comunidade Canção Nova.
Lá, em 2008, tive oportunidade de visitar uma vila muito simples, onde havia um hospital que cuidava de algumas crianças. Quando olhei para aquela realidade de enfermidade e de sofrimento, meu coração se compadeceu e eu exclamei: eu adotaria uma criança.

O tempo passou. Eu saí da Canção Nova. Conheci meu esposo. Começamos a namorar. E no noivado, partilhei com ele sobre essa vontade de ter um filho do coração, além dos biológicos.
Ele acolheu as minhas palavras: e o que era vontade de um, passou a ser nossa vontade.
Alguns já conhecem um pouco da nossa história: Deus nos deu a graça de gerarmos um filho com uma Síndrome rara, que veio a falecer logo ao nascer, e outros filhos, que foram para o céu ainda na gestação.
No final do ano de 2019, ingressamos com um pedido para nos habilitarmos à adoção. E agora em agosto de 2021, fomos agraciados com um menininho chamado Gabriel José.
Paz e bem