Não acredito em coincidências. Dr Ubatan nos orientou a marcarmos a cesárea quando Francisquinho completasse 38 semanas, pois eu não poderia entrar em trabalho de parto. Isso dava na última semana de novembro. Ele havia ligado na Maternidade e perguntado qual seria o melhor dia para uma cesárea na última semana de novembro . E eles sugeriram na quinta ou na sexta-feira. Eu fui olhar no calendário litúrgico o que a Igreja celebrava nesses dias. E para minha surpresa e do André, era comemorado, na sexta-feira, o dia de Santo André. Uma providência tamanha, não é mesmo?
Dessa forma, no dia 21/11/2018, marcamos a data: Francisquinho iria nascer no dia 30/11/2018, dia de Santo André, às 08h00. Eu lembro que comentei, na época, com o André: “A gente carrega a criança por 9 meses e eles querem agradar o pai”. Um breve comentário de descontração. É claro que estava feliz! André foi um grande companheiro nessa jornada. Vi ali um carinho do céu ao permitir que o nosso filho nascesse no dia de um santo com o mesmo nome do meu esposo.
Não sei se vocês sabem, mas essa providência é chamada de aniversário onomástico: no dia de um santo e todas as pessoas que tem o mesmo nome do santo comemoram como se fosse o aniversário. Francisquinho nasceu no aniversário onomástico do André. Deus sempre nos surpreendendo!
” Deus chama a cada um por seu nome. O nome de todo homem é sagrado. O nome é o ícone da pessoa. Exige respeito, em sinal da dignidade de quem o leva.“
Lembro que no dia anterior a cesárea, a nossa oração da noite foi sobre aceitar a vontade de Deus. Havia muita gratidão por ter chegado até ali. Quantos casais na mesma situação não chegaram a esse momento. De alguma forma, eu iria ver o meu filho. Não sabia se o veria vivo. Mas, eu o veria! E isso já era motivo de alegria. Dois dias antes, a Giovanna, minha madrinha de casamento, veio me visitar e trouxe presentinhos para o Francisquinho: uma toalha e um conjunto de tricô que a vó dela, Selma, havia feito para ele. Gente, que delicadeza receber esses mimos às portas do nascimento do Francisquinho. E detalhe: dia 28/11 era o aniversário da minha vó paterna. Coincidência? Mais uma providência divina!!! E junto com o presentinho, a Selma enviou um terço da Nossa Senhora de Guadalupe: nesse dia, descobri que ela é protetora dos nascituros. Novamente, ela se fazia presente. Outrora, havia nos visitado por meio do terço que a Maria, filha da Flávia, nos havia dado e da Marília, quando me deu uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.

Chegamos na maternidade às 06h00, hora do Angelus¹. A maternidade estava cheia. Chegou no momento de sermos atendidos e a recepcionista disse que havia a possibilidade não conseguir ir para um quarto. Meu plano era enfermaria e eu havia solicitado um upgrade para o quarto. Fomos para o procedimento cirúrgico sem saber onde eu iria ficar. Não reclamamos. Apenas acolhemos com um “ok”.
Ficamos na espera de irmos para o centro cirúrgico 1 hora. Não entendíamos o motivo do atraso. Dr Ubatan já havia chegado. Depois dessa hora, a enfermeira nos explicou a situação: naquela madrugada, muitas crianças tinham ido para UTI neonatal e não havia leito para o Francisquinho. Eles precisaram avaliar a situação, ver se haveria alguma alta, para saber se seria possível a cesárea. Não poderia haver o nascimento sem a possibilidade de ter um lugar para o Francisquinho ficar.
E, graças a Deus e a equipe da maternidade, deu tudo certo. Entrei na sala de cirurgia às 9h00 com o André. Ele ficou ao meu lado. Levamos as músicas que ouvimos durante toda a gestação. Francisquinho nasceu 9h17. Segundo Dr Ubatan, foi uma das cesáreas mais tranquilas que ele já fez em 35 anos de médico obstetra. Eu me surpreendi com a rapidez. Quando percebi, Francisquinho foi colocado no meu colo: ele nasceu vivo! Ali, vivi meu momento de eternidade na maternidade. Olhei para o céu e agradeci a Deus.

O André foi com as enfermeiras para os procedimentos pós cesárea com o Francisquinho e eu fiquei ali. Passados 23 minutos, o André me trouxe a notícia que nenhuma mãe quer ouvir: Francisquinho não estava mais conosco. Eu soltei um urro. Isso mesmo: um grito tão forte que nem eu mesma me reconheci. Saí dali para a sala de repouso, enquanto aguardava a anestesia passar.
A Mavi, minha madrinha de casamento, ficou comigo, enquanto o André foi resolver com o Antônio Luiz (esposo da Mavi) os procedimentos para o sepultamento do Francisquinho. Dr Ubatan teve a sensibilidade de pedir a maternidade que me colocasse em um quarto afastado, para eu não ouvir muito o choro dos outros bebês. Vocês se lembram que eu dei entrada na maternidade sem saber se iria para um quarto. Então, muito melhor do que eu esperava, fui colocada em um quarto excelente e recebi todo o cuidado nesse momento de dor. Gratidão a todos que me trataram com tanto amor e carinho.
Em um mesmo dia, experimentei o júbilo e a dor, a alegria e a tristeza. A Mavi comunicou as pessoas do acontecido. E assim tornamos público a história do Francisquinho. Nesse momento, os amigos foram os braços de Deus e cuidaram de nós. Minha mãe, minha madrinha Tia Gaída, Mavi, Erine e Bárbara foram anjos que estiveram comigo enquanto o André resolvia as coisas para o velório. Minha gratidão!
Não foi à toa que o Francisquinho nasceu no dia de Santo André: ele era uma cópia do pai.

Francisquinho 
André
Fiquei no hospital apenas 1 dia. Embora houvesse passado por uma cesárea, Dr Ubatan achou mais prudente eu sair logo dali, para não afetar muito mais o meu emocional. Além do mais, eu iria passar por um sepultamento. Precisaria estar de pé. Era o auge das dores de toda essa jornada.
Na tarde do dia 30, o André me ligou para ver como estava e para ver como eu queria que o Francisquinho fosse enterrado. Eu havia pedido para a mãe da Erine fazer uma roupinha de São Francisco para ele. Confesso que não pensei que usaria para essa situação. Mas veio ao meu coração que era esse traje o melhor a ele usar nesse momento. Junto ela deu um tau². E eu havia pedido para fazer o cordão de são Francisco, que ficou pronto dia 28/11 e foi feito pelas irmãs franciscanas. Seria assim que ele seria enterrado.
Vamos dar uma pausa. Esse dia foi muito intenso.
Paz e bem!
Até o próximo post.
1- Angelus: A Hora do Angelus (ou Toque das Ave-Marias, Hora das Ave-Marias), que corresponde às 6h00, 12h00 ou 18h00, relembra aos católicos, mediante meditação e orações, o momento da Anunciação – feita pelo anjo Gabriel à Virgem Maria – da concepção de Jesus Cristo
2 – Tau: O Tau é a última letra do alfabeto hebraico e é sinal concreto de uma devoção cristã, mas sobretudo um sinal de vida no seguimento do Cristo pobre e crucificado.


Mari, impossível n se emocional com este post, q sequer tenho palavras p algum comentário…estou em lágrimas e só queria agora q vc estivesse na minha frente p q eu pudesse lhe dar um abraço!
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Mari, minha querida, meus sentimentos… receba meu forte abraço com carinho!!! Vc é muito mais forte do que imagina… sempre disse que a sua fé é contagiante… Deus abençoe vc, amiga!!!
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Mari, agradeço a sua partilha, quanta coragem e força. Não entendemos os desígnios de Deus, mas sabemos que o céu é a nossa certeza. Que Deus abençoe e que o Francisquinho interceda por nós!
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Realmente estamos diante de um mistério. Que Francisquinho interceda por nós, Amém!!!
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